A Nova Expansão Imperial e a Dependência Econômica
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América Latina: Independência e Capital Estrangeiro
A América Latina iniciou sua independência no primeiro trimestre do século XIX, com exceção de Cuba e Porto Rico, que só a alcançaram no final do século. Com o início da independência, existiu grande incerteza na criação de novas nações.
Modelo Econômico
O modelo econômico na América Latina é caracterizado pela independência política e pela dependência econômica. Essa dependência econômica, derivada das exportações, resultou em uma aliança entre aqueles que detinham o poder político local e os operadores estrangeiros. No entanto, não se pode falar de uma tributação uniforme, e cada setor estava limitado ao seu escopo.
O poder político local era exercido pela oligarquia, que comandava os movimentos independentes. Eram os proprietários que se rebelaram contra a Coroa Espanhola e que mantiveram o poder. Na produção, encontramos uma variedade de sistemas:
- Países que exportam produtos minerais: Chile, Peru, Bolívia e México.
- Países especializados na produção e exportação de cereais e produtos pecuários: Argentina, Uruguai e Brasil.
- Produtores e exportadores de frutas tropicais: os países do Caribe.
Características Comuns
Apesar destas diferenças de produção setorial, todos os países apresentavam características comuns:
O controle da produção e o poder político repousavam sobre três pilares:
- A instituição da primogenitura: A herança total passava para o filho mais velho do sexo masculino. Os irmãos mais novos recebiam outras pensões ou eram colocados na administração, no clero ou nas forças militares, evitando a dispersão da riqueza familiar.
- Endogamia de classe: Eram estabelecidos casamentos entre membros da mesma classe para manter ou aumentar os bens. Casamentos com membros de outras classes sociais (como a burguesia) eram estratégicos.
- O Exército: Tornou-se um elemento de repressão interna contra qualquer rebelião.
O crescimento econômico baseava-se na intensificação, onde o aumento da produção era gerado pelo fator trabalho. No final do século, iniciou-se um processo de colonização interna de áreas externas, aumentando o número de parcelas e, consequentemente, o fator terra. No entanto, a baixa densidade populacional e a escassez da procura de trabalho não implicaram o crescimento dos salários; pelo contrário, as situações de exploração continuaram a aumentar.
A oligarquia, agindo quase como um senhor feudal, aplicava medidas de trabalho ligadas à terra, utilizando o sistema de adiantamento (cupons ou vales) para que os agricultores não pudessem deixar a terra até pagarem suas dívidas.
Este é um comportamento capitalista: com a queda dos preços, para manter ou aumentar os lucros, os custos laborais tinham de ser reduzidos na mesma proporção dos preços.
Outra semelhança era que os lucros eram investidos no próprio setor ou iniciavam um processo de industrialização em bens de consumo e atividades de exportação, como carne moída e peixes enlatados (conservas, salgados).
Os meios para distribuir seus produtos no exterior (docas e ferrovias) estavam em mãos britânicas.
Praticamente não havia investimento produtivo. O sistema de impostos era indireto (todos pagavam o mesmo), com carga mínima, devido à falta de uso. Por essa razão, a maioria dos países da América Latina acumulou dívidas. Os investidores estrangeiros adquiriam esse débito para influenciar as decisões políticas do país.
No âmbito financeiro, instituiu-se um sistema bancário que incluía três tipos de bancos: comercial, externo e misto. Os empréstimos eram obtidos principalmente a partir dos lucros das exportações e do investimento estrangeiro. No entanto, verificaram-se diferenças no uso dos recursos: investimento estrangeiro, aquisição de dívida pública, investimentos industriais emergentes, pontos de desconto, etc.
O "Scramble" pela África (A Partilha da África)
A nova onda do colonialismo ganhou impulso a partir de 1882, intensificando-se após a Conferência de Berlim (1884-1885). Grã-Bretanha e França ficaram com as melhores partes, enquanto a Alemanha e a Bélgica foram retardatárias.
As antigas potências coloniais (Espanha e Portugal) apenas mantiveram seus velhos impérios (como Cuba e Porto Rico, até o final do século). A Bélgica focou-se na colonização de territórios na África, e os holandeses concentraram sua presença na Indonésia e nas ilhas próximas ao Japão. Além dos países europeus, a Rússia e os Estados Unidos também se incluíram como potências coloniais.
Causas do Colonialismo
- Econômicas: Busca por novos mercados para bens industriais e procura por novas fontes de matérias-primas devido ao esgotamento dos depósitos nacionais.
- Estratégicas (Militar e Política): Controle de rotas de navegação e pontos vitais existentes. Existência de rivalidade entre as próprias potências (ex: confrontos entre Alemanha e França por Marrocos).
Tipos de Dominação Colonial
Do ponto de vista jurídico, distinguem-se três formas de dominação:
- Colônias: Territórios estritamente sob uso da metrópole, onde o sistema jurídico local é substituído pelo do país colonizador.
- Protetorados: Onde um país teoricamente independente é tutelado por outro (ex: Marrocos).
- Esferas de Influência (Portas Abertas): Respeita-se a independência política, exceto no que diz respeito à política de comércio exterior (ex: China, onde os países fixavam seus portos).
Localização Geográfica
- No Exterior: Longe da metrópole. Possuem alguma autonomia e um contrato de preferências.
- Em Casa (Adjuntas): Perto da metrópole, adjacentes, e acabam sendo incorporadas (ex: Rússia anexa a Mongólia; EUA expande para o Oeste).
Densidade Demográfica
De acordo com o grau de densidade populacional existente antes da colonização:
- Despovoado: Com poucos habitantes indígenas. É mais fácil remover as características locais e suplantar a população pelo âmbito da metrópole.
- Povoado (Populous): Apresenta mais resistência, o que impõe uma estrutura dual. Permite-se que os povos indígenas continuem com seus costumes, mas, por outro lado, os europeus definem suas próprias regras (ex: Índia). Isso estabelece as bases para problemas étnicos.
Consequências do Colonialismo
Nas Colônias
- Crescimento Populacional: Forte crescimento da população, não só pela chegada de colonos, mas também pelo aumento da taxa de natalidade, resultante das melhorias feitas pelos colonos (no interesse de ter mais mão de obra e custos mais baixos).
- Usurpação da Propriedade Indígena: Os colonos ficavam com as terras mais produtivas, desalojando os nativos. A principal consequência deste processo de usurpação era transformar a população indígena em consumidores e empregados, aumentando o potencial de compra.
- Declínio da Indústria Local: Ocorria por meio da concorrência ou, em alguns casos, pela eliminação drástica da indústria local.
- Aumento da Pressão Fiscal: Aumento gradual da carga tributária para cobrir os custos de administração e militares.
Nas Metrópoles
Para o Estado, a expansão colonial frequentemente levava à ruína. No entanto, o setor privado obtinha benefícios, como a isenção de impostos para investimentos feitos nas colônias e as preferências sobre as exportações para o país de origem.