Experiência Estética e Teorias da Arte
Classificado em Filosofia e Ética
Escrito em em
português com um tamanho de 8,04 KB
Experiência Estética
A experiência estética
- A obra de arte implica sempre uma interpretação por parte daquele que a vê ou a ouve, reclamando uma construção de sentido pelo espetador.
- Na base desta construção está a experiência estética – experiência do belo artístico.
- A experiência estética envolve uma vertente racional e outra mais sensível.
A experiência estética (Kant)
Kant afirma que o belo é aquilo que agrada universalmente sem conceito: o belo não está nas coisas; é subjetivo, depende do gosto individual do sujeito e, como tal, não existe uma regra que determine que um poema seja belo.
A experiência estética é desinteressada: Kant afirma que ela não procura satisfazer nenhuma necessidade prática. A experiência estética é um prazer meramente contemplativo, independente da existência real do objeto representado nessa experiência.
Para Kant, a experiência estética está ligada ao juízo estético; uma e outro são subjetivos.
Os juízos estéticos são emitidos com base naquilo que se sente e que não é suscetível de ser inteiramente motivado por uma explicação lógica.
Neste sentido, para Kant é um juízo de gosto, pois depende unicamente do agrado ou desagrado do sujeito.
Para Kant, o prazer estético é puramente contemplativo e, por isso, desinteressado:
- Não possui qualquer interesse prático;
- Não se funda em conceitos;
- Não depende da experiência do real representado.
A natureza dos juízos estéticos
A beleza está nos olhos de quem vê ou o belo depende das propriedades dos objetos?
Existem duas perspetivas que se opõem – a do subjetivismo e a do objetivismo estético.
Subjetivismo
Subjetivismo – o objeto é belo em virtude do que sentimos quando o observamos. O belo é uma questão de gosto ou preferência pessoal, sendo que as propriedades dos objetos nada contam para a sua apreciação.
Objetivismo
Objetivismo – defende que um objeto é belo em virtude das suas propriedades e, como tal, a sua beleza é independente daquilo que o sujeito sente. As propriedades determinam a beleza dos objetos e constituem-se como critério objetivo de caracterização.
O que é a arte? O que é um objeto artístico?
O termo "arte" tem como raiz etimológica a palavra grega techné e o conceito latino ars, que designam a técnica, a perícia, a criação artística e a procura do belo.
A arte visa a criação artística do belo e liberta-se do que é útil e de um fim determinado.
Durante muitos séculos, a arte foi entendida como território do belo – belas-artes.
A beleza correspondia à ordem e à proporção, e o feio era entendido como ausência de beleza, desordem e assimetria.
O belo e o feio relacionavam-se dicotomicamente, facilitando a fronteira entre arte e não-arte: o belo era pertença da arte; o feio não.
A arte contemporânea
A arte contemporânea veio alterar o conceito de arte, transformando e alargando os termos de definição da obra de arte.
A arte contemporânea alterou a visão tradicional do belo e do feio, diluiu as fronteiras e as definições.
Esta indeterminação abriu as portas ao diálogo e à convivência entre perspetivas consideradas incompatíveis, transformando a arte num território de absoluta liberdade.
A arte deixa de ser o território exclusivo do belo para se alargar a outras formas de ver, de interpretar e de comunicar com o mundo.
O feio, excluído durante séculos, é elevado a categoria estética; deixa de ser considerado o polo negativo do belo e emerge enquanto possibilidade artística.
A obra de arte é:
- Uma produção humana que visa a compreensão / interpretação do mundo.
- Comunicação, expressão e liberdade.
- Uma obra aberta.
- Intermediária entre o mundo interior e o mundo exterior.
- É desejo de imortalidade.
A arte e a obra de arte apelam:
- À inteligência;
- Aos conhecimentos;
- Às tradições;
- Aos sentimentos.
Teorias da arte
A arte como imitação
Uma obra é arte se imitar algo.
Para Platão, a arte é sempre imitação – mímese – uma reprodução inadequada dos objetos ideais; nessa medida é uma aparência sensível do que é representado e, como tal, nada tem a ver com a verdade.
A arte como expressão
- Uma obra é arte se, e só se, exprimir os sentimentos e as emoções do artista.
- Esta teoria tenta ultrapassar as limitações da teoria da imitação, colocando no criador a chave da compreensão da arte.
- Segundo esta teoria, só existe arte se houver expressão de emoções e sentimentos por parte do artista e se a sua obra contagiar o público com essas emoções e sentimentos.
A arte como forma
Uma obra é arte se provocar emoções estéticas.
As obras de arte genuínas partilham uma qualidade comum essencial: as formas significantes, que despertam a emoção estética – formas, linhas e cores.
O reconhecimento da forma significante exige do observador sensibilidade e inteligência como condição da sua captação.
A arte como comunicação e conhecimento
- A arte é uma forma de comunicação.
- A comunicação artística é polissémica.
- É uma forma de discurso que tem no artista a fonte da mensagem, no espetador o recetor e como referente o objeto artístico.
Na obra, o artista articula vivências, sentimentos, inteligência e saberes.
Pela obra de arte, o artista recria a realidade, transfigurando-a; torna-a outra.
A obra de arte expressa um mundo revisto e corrigido pelo ser humano.
A arte é sempre uma passagem da realidade vulgar para um mundo que ela instaura numa existência autónoma.
A obra é sempre um produto cultural.
A arte é um meio privilegiado para a mudança de mentalidades e de pontos de vista sobre a vida, por outras formas de olhar e ler o mundo.
A Arte como expressão
A experiência estética é dominada pelas emoções e sentimentos, mais do que pela razão e pela reflexão.
Implica um envolvimento emotivo, nem sempre o mais lógico.
Existe um fator emotivo que implica um envolvimento total do sujeito, que responde sob impulso, conduzido pelas suas sensações imediatas mais do que por uma análise racional – é o que se costuma designar por resposta de aderência intuitiva ou imediata.
A obra de arte é diferente do objeto natural, na medida em que é algo artificialmente produzido para ser belo.
A obra de arte é uma transfiguração do real natural.
A obra de arte ganha uma pluralidade de significados possíveis, uma vez que suscita múltiplas interpretações.
A arte é assim um processo inovador de comunicação que deve provocar espanto, surpresa e assombro.
A arte é afirmação de sentido – neste sentido, o artista está a afirmar a sua leitura do real, o seu modo de ver; implica a criação de uma meta-realidade partindo do génio criativo do autor e do modo como utiliza as técnicas de expressão.
A arte é manifestação de sentimentos inconscientes – a arte é veículo de expressão de desejos, intenções e não ditos, não revelados em palavras, mas que se deixam manifestar através da arte; as perspectivas de carácter psicanalítico colocam-se nessa linha de leitura da arte.
A arte como forma de libertação – a criação e produção de realidades estéticas pode funcionar como explosão de tensões e emoções do sujeito que, por esta via, concretizaria no êxtase artístico o ponto máximo de afirmação, quer das suas necessidades comunicativas quer dos problemas ou situações não resolvidas em que estivesse envolvido.