Farmacognosia e Metabolismo Vegetal: Da Fotossíntese à RDC 17
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Os vegetais respondem a estímulos ambientais bastante variáveis, de natureza física, química ou biológica. Fatores tais como fertilidade e tipo do solo, umidade, radiação solar, vento, temperatura e poluição atmosférica, dentre outros, podem influenciar e alterar a composição química dos vegetais.
Metabolismo Primário
O metabolismo primário tem sua origem com a fotossíntese e é responsável pela produção de celulose, lignina, proteínas, lipídios, açúcares e outras substâncias que realizam suas principais funções vitais.
Fotossíntese
A fotossíntese ocorre nos cloroplastos, uma organela que, como a mitocôndria, possui uma membrana externa altamente permeável e uma membrana interna praticamente impermeável, separadas por um espaço intermembranar. A fotossíntese é dividida em duas fases: a fase clara e a fase escura.
Fase Clara
A excitação das moléculas gera ATP (a partir de ADP) e NADPH (a partir de NADP+) num processo chamado de Fotofosforilação.
Fase Escura
Na fase escura, a energia química produzida pelas reações na fase clara é utilizada para reduzir o carbono. Existem três ciclos para a fixação do carbono.
O principal fotorreceptor na fotossíntese é a clorofila. A luz absorvida pelas clorofilas e pigmentos acessórios é transferida para centros de reação fotossintéticos, onde ocorrem as principais reações da fotossíntese.
Farmacognosia
A farmacognosia é a ciência que estuda as drogas ou fármacos de origem biológica, sob todos os pontos de vista. A palavra deriva do grego pharmakon (fármaco) e gnosis (conhecimento).
Princípios Ativos
Constituinte químico do fármaco, responsável pela ação terapêutica. O que predomina é denominado principal. Os demais, que normalmente ocorrem, chamam-se secundários.
Metabólitos
Compostos químicos produzidos pelo metabolismo celular.
- Metabólitos Primários: Compostos essenciais à vida da célula (ex: proteínas, glicídeos, lipídeos, clorofila).
- Metabólitos Secundários: Compostos não essenciais, mas importantes (ex: heterosídeos – glicosídeos, alcaloides, essências).
Regulamentação (RDC n.º 17/ANVISA, 2001)
A RDC n.º 17/ANVISA de 12 de janeiro de 2001, que dispõe sobre registro de medicamentos fitoterápicos, define o conceito de fitoterápicos e medicamentos como se segue:
- Medicamento
- Produto farmacêutico, tecnicamente obtido ou elaborado, com finalidade profilática, curativa, paliativa ou para fins de diagnóstico.
- Fitoterápico
- Medicamento obtido empregando-se exclusivamente matérias-primas ativas vegetais. É caracterizado pelo conhecimento da eficácia e dos riscos de seu uso, assim como pela reprodutibilidade e constância da sua qualidade.
Plantio e Fatores de Influência
A qualidade da planta medicinal é influenciada por diversos fatores:
Fatores Intrínsecos
- Idade da planta.
- Órgão vegetal utilizado.
- Fase de desenvolvimento.
Fatores Extrínsecos
- Climáticos: Temperatura, luminosidade.
- Climático-Edáficos: Umidade, gás carbônico.
- Edáficos (relacionados ao solo): Físicos, químicos, microbiológicos.
- Outros: Latitude, fertilização, pragas e doenças.
Coleta das Plantas Medicinais
Para garantir a qualidade da matéria-prima, é essencial seguir as seguintes diretrizes durante a coleta:
- Não coletar plantas próximas de rodovias e plantações, pois podem estar danificadas por gases de escapamentos ou impregnadas com produtos químicos (adubos ou inseticidas).
- Fazer a triagem dos fragmentos desde o momento da coleta para evitar a presença de outras plantas.
- Evitar plantas que se encontram nas proximidades de fungos.
- Não comprimir as plantas para que não murchem, o que as faria perder boa parte de seu aroma.
- Preparar a planta para a dessecação o mais rápido possível, para evitar o aparecimento de bolores ou fermentações.
Toxicidade das Plantas
É crucial ter conhecimento da toxicidade da planta. Uma planta pode ser ora medicinal, ora tóxica, dependendo de quem toma e da dose utilizada.
Deve-se evitar chás durante a gestação, pois muitas plantas têm efeito abortivo e teratogênico, como a quebra-pedra (Phyllanthus niruri L.) e o capim-santo (Cymbopogon citratus DC Stapf).
Lembre-se também que existem plantas que, mesmo em pequenas quantidades, são potencialmente venenosas, como a espirradeira (Nerium oleander L.) e a comigo-ninguém-pode (Dieffenbachia picta Schot). É aconselhado tomar conhecimento de plantas tóxicas antes de qualquer uso.