Farmacologia: Bioequivalência, Interações e Conceitos
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Antibióticos e anticoncepcionais
Antibióticos podem alterar a flora intestinal e, com isso, reduzir a absorção entero-hepática de anticoncepcionais. Dessa forma, pode diminuir o efeito do anticoncepcional (não do antibiótico).
Similar
Similar: produzido após o fim da patente da molécula. Utiliza a mesma molécula ativa, mas o excipiente pode ser diferente (por exemplo, em vez de celulose usa-se amido de milho). Existem dois ensaios principais: biodisponibilidade e bioequivalência.
Desde 2013 a Anvisa exige que, quando o registro do fármaco similar for renovado, sejam apresentados ensaios de bioequivalência e biodisponibilidade para demonstrar que as pessoas absorvem o fármaco de forma equivalente no organismo.
Genérico
Genérico: autorizado após o vencimento da patente do medicamento de referência. É uma cópia do medicamento de referência, usando a mesma molécula e os mesmos excipientes.
Agonista
Agonista é uma substância capaz de se ligar a um receptor celular e ativá‑lo, provocando uma resposta biológica — geralmente semelhante à produzida por uma substância fisiológica.
Antagonista
Antagonista age como bloqueador do receptor, diminuindo as respostas mediadas por neurotransmissores presentes no organismo. O antagonismo pode reduzir ou anular o efeito do agonista.
Bioequivalência
Bioequivalência: o teste de bioequivalência demonstra que o medicamento similar ou genérico e seu medicamento de referência apresentam a mesma biodisponibilidade no organismo. Em outras palavras, compara-se o perfil cinético para verificar se fármaco inovador e genérico têm a mesma concentração plasmática ao longo do tempo.
Biodisponibilidade
Biodisponibilidade: é a porção do fármaco que, após administração por uma determinada via/formulação, fica disponível na circulação sistêmica e no local de ação. É um parâmetro relacionado ao processo de absorção do fármaco — quanto do fármaco está disponível na corrente sanguínea.
Perfil cinético
Perfil cinético — representado em gráfico para verificar a concentração máxima (Cmax), tempo até a Cmax (Tmax) e a área sob a curva (AUC).
Farmacocinética e fatores que alteram
Farmacocinética descreve o percurso que a droga faz no organismo — ou seja, o que o corpo faz com o fármaco. São quatro processos principais:
- Absorção
- Distribuição
- Biotransformação (metabolismo)
- Eliminação (excreção)
Farmacodinâmica
Farmacodinâmica trata do que o fármaco faz ao organismo: seus efeitos, mecanismo de ação e a relação entre dose e efeito.
Tipos de receptores
Os quatro receptores mais frequentemente citados:
- Receptor de canal iônico
- Receptor acoplado à proteína G
- Receptor enzimático
- Receptor nuclear
Interação farmacológica
Interação farmacológica pode ocorrer entre fármacos ou entre fármaco e alimento. Classificação comum:
- Farmacêutica — interações no preparo ou armazenamento (fora do organismo).
- Farmacocinética — envolvendo absorção, distribuição, biotransformação e excreção.
- Farmacodinâmica — alterações no efeito farmacológico (potenciação ou antagonismo).
Tipos de interação: medicamento com medicamento; medicamento com alimento.
Pró‑fármaco
Pró‑fármaco: é uma substância que requer metabolização para se tornar ativa. Outros fármacos já são administrados como moléculas ativas.
Chumbinho (intoxicação por organofosforados)
Chumbinho (nome popular para alguns inseticidas organofosforados) é um inibidor da acetilcolinesterase (AChE). Com a inibição da AChE, aumenta a concentração de acetilcolina (ACh) nas sinapses. A pralidoxima pode reativar a AChE previamente inativada por organofosforados. A AChE é a enzima responsável por degradar a acetilcolina.
Atropina é um antagonista muscarínico que se liga aos receptores muscarínicos e reduz a ação do sistema nervoso parassimpático, bloqueando as respostas mediadas pela ACh. Medicamentos como fisiostigmina e neostigmina são usados em condições como a miastenia gravis.
Queijo e vinho (tiramina e IMAO)
Queijo e vinho — em alimentos fermentados (como queijos e vinhos) existe um componente chamado tiramina, que normalmente seria degradado pela monoamina oxidase (MAO). Se o paciente estiver tomando um IMAO (por exemplo, tranilcipromina), a MAO estará inibida e a tiramina não é degradada. A tiramina absorvida pode provocar liberação de noradrenalina (norepinefrina), resultando em aumento da frequência cardíaca e hipertensão.