Fatores que influenciam o clima: temperatura e precipitação

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Podemos encontrar no globo alguns contrastes na repartição das temperaturas, ocorrendo, por exemplo, diferenças por latitude. Quanto mais afastados do equador, gradualmente diminui a incidência de radiação solar. Ou seja, enquanto no equador as temperaturas tendem a ser mais constantes ao longo do ano, nas zonas temperadas e nos polos surgem picos anuais de temperaturas mais altas e, por ventura, mais baixas. Isto deve-se ao fenómeno da translação do planeta Terra. A maior incidência dos raios solares verifica‑se uma vez por ano, no solstício de verão do hemisfério correspondente: no Hemisfério Norte os raios solares incidem quase perpendicularmente sobre o Trópico de Câncer; no Hemisfério Sul, sobre o Trópico de Capricórnio. As zonas temperadas são, em geral, mais quentes do que os polos, pois estes últimos são as regiões mais frias do planeta devido à menor incidência de radiação solar.

Outro factor importante na repartição das temperaturas no globo são as correntes marítimas. A corrente do Golfo (Gulf Stream) é uma corrente de água quente do oceano Atlântico que transporta calor das regiões tropicais para latitudes mais a norte, como a Europa, regularizando as temperaturas das costas por onde passa. Em contrapartida, a corrente de Humboldt é uma corrente fria que transporta água fria das zonas polares do Hemisfério Sul para Norte, influenciando o clima do litoral oeste da América do Sul. Outro contraste é a altitude: à medida que a altitude aumenta, a temperatura costuma diminuir (fenómeno muito visível em cadeias montanhosas).

Atmosfera: composição e funções

A atmosfera é uma camada gasosa que envolve a Terra e a acompanha no seu movimento de rotação. Composição aproximada: 78% Azoto (N2), 21% Oxigénio (O2) e ~1% outros gases (incluindo dióxido de carbono, vapor de água, gases nobres e ozono). Como todos os gases, a atmosfera tem grande capacidade de mobilidade, compressibilidade e expansão, e apresenta constantes variações de temperatura e pressão. Os fenómenos meteorológicos que aí se verificam têm reflexos importantes em toda a vida no globo.

  • Filtra os raios solares: a temperatura da atmosfera depende da radiação solar; sem a proteção atmosférica muita radiação atingiria o solo, tornando a vida impossível. Apenas parte da radiação penetra diretamente no solo.
  • Origina o efeito de estufa: a radiação emitida pela Terra é parcialmente retida pela atmosfera, provocando um aumento da temperatura média.
  • Absorve radiação ultravioleta: devido à camada de ozono.
  • Controla a temperatura: durante o dia filtra a radiação solar (protege a Terra do excesso de calor) e armazena calor que é libertado à superfície durante a noite.
  • Protege de corpos celestes: evita que a maior parte de meteoritos atinjam a superfície terrestre, uma vez que queimam parcialmente na entrada.

Mas um fator de enorme influência na atmosfera é a água. A água passa por diferentes processos de mudança de estado e trocas de calor, como por exemplo: evaporação, condensação e precipitação. Esses processos são essenciais para o balanço térmico e o ciclo hidrológico.

Água: estados físicos e mudanças de estado

A água é essencial para todos os seres vivos e pode ser encontrada em três estados físicos: líquido (rios, lagos, oceanos), gasoso (vapor de água) e sólido (gelo e neve). As mudanças de estado ocorrem por evaporação, condensação e precipitação, entre outros processos. Quando a água evapora absorve calor da superfície, arrefecendo-a; quando a água condensa, há libertação de calor, o que pode aumentar a temperatura local.

Estabilidade e instabilidade do ar

As situações de estabilidade e instabilidade do ar estão relacionadas com as condições de temperatura e humidade atmosférica. Uma situação de estabilidade ocorre quando o ar mais frio e mais denso permanece junto ao solo, impedindo a formação de nuvens e tempestades. Já a instabilidade ocorre quando o ar quente e mais leve sobe e sobrepõe‑se ao ar mais frio e denso, formando nuvens convectivas e podendo originar tempestades.

Formação da precipitação

A formação da precipitação ocorre quando a humidade do ar se condensa e forma gotículas de água ou cristais de gelo que, ao combinar‑se, dão origem a nuvens e posteriormente a precipitação. A precipitação pode ser:

  • Líquida: chuva, chuvisco;
  • Sólida: neve, granizo.

Evaporação → Condensação → Precipitação

Existem diferentes condições que podem levar à formação de precipitação, tais como:

  1. Precipitação convectiva: ocorre quando o ar quente e húmido sobe rapidamente devido a condições instáveis na atmosfera. Esse movimento ascendente provoca o arrefecimento do ar, levando à condensação e à formação de nuvens de tempestade. Essas nuvens desenvolvem‑se em curto espaço de tempo e podem resultar em chuvas e tempestades intensas, granizo e inundações. A precipitação convectiva é frequente em áreas tropicais e subtropicais, especialmente durante o verão.

Influência da continentalidade

A continentalidade refere‑se ao efeito que a distância ao mar tem sobre o clima: áreas mais continentais (longe do mar) tendem a ter amplitudes térmicas anuais maiores, com verões mais quentes e invernos mais frios, enquanto as zonas costeiras são moderadas pelo oceano.

  1. Ascensão orográfica: quando o ar húmido é forçado a subir devido à presença de obstáculos geográficos, como montanhas, ocorre a formação de nuvens e precipitação. Um exemplo são as chuvas orográficas no norte de Portugal, associadas à cadeia montanhosa da Peneda-Gerês.
  2. Frente meteorológica: quando massas de ar de diferentes temperaturas se encontram, cria‑se uma fronteira (frente fria ou frente quente) que provoca ascensão do ar, formação de nuvens e precipitação. As chuvas associadas à passagem de uma frente fria são comuns em regiões temperadas.

Influência do relevo

O relevo condiciona a distribuição das chuvas e das temperaturas através de mecanismos como a elevação do ar (chuvas orográficas) e o efeito de sombra pluviométrica nas regiões sotavento.

Influência dos ventos e das correntes marítimas

Os ventos e as correntes marítimas transportam calor e humidade, modulando o clima regional. Correntes quentes, como a do Golfo, aquecem as costas por onde passam; correntes frias, como a de Humboldt, arrefecem e podem reduzir a precipitação nas zonas adjacentes.

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