Fatores de Produção e Manejo do Cultivo do Arroz

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1) Temperatura e Fatores Climáticos

A temperatura é um dos principais fatores climáticos responsáveis pelo crescimento, desenvolvimento e produtividade do arroz. Cada fase fenológica possui sua temperatura ótima, variando entre 20°C e 35°C. O arroz não tolera baixas temperaturas na fase de floração; no estádio de pré-floração, é mais sensível a temperaturas inferiores a 15°C ou 20°C, que induzem a esterilidade das espiguetas, comprometendo a fecundação. Fatores como número de panículas/m², número de espiguetas férteis, peso de 1000 espiguetas e a água no solo são cruciais. O solo deve ter boa capacidade de retenção de água e nutrientes.

2) Estresse Hídrico

O estresse hídrico, durante a fase vegetativa, inibe os processos de perfilhamento e alongamento das folhas. Na fase reprodutiva, ocorre a inibição da emissão de panículas, resultando em alta esterilidade de espiguetas.

3) Manejo do Solo e Nutrição (Várzea)

A produção de substâncias tóxicas, como ácidos orgânicos em solos ricos em matéria orgânica, prejudica as raízes do arroz. Há também a acumulação de Fe++ em solos ricos em ferro, o que pode prejudicar a absorção de outros nutrientes. A forma absorvida pelas plantas, NO3-, está sujeita à lixiviação e imobilização. A ureia e o sulfato de amônia são os fertilizantes nitrogenados mais recomendados para os arrozes de sequeiro e irrigado, devendo ser aplicados quando a demanda da planta for maior. É possível o aproveitamento da soca do arroz, fazendo-se o corte a 15 cm do solo e aplicando ureia em cobertura para manejo do solo.

4) Aptidão do Solo e Preparo

Planossolos e gleissolos são os solos mais recomendados para o plantio de várzea. Os métodos de preparo, dependendo do nível altimétrico do terreno, visam a maior distribuição e manejo da água, sendo o nivelamento da área importante para o controle da lâmina d'água e para o custo de produção total.

Métodos de Semeadura

  • Plantio Direto: Feito com a abertura de sulcos na área, permite boa germinação das sementes.
  • Pré-germinado: O plantio é feito com sementes em solos previamente inundados, utilizando 100 – 140 Kg de semente/ha.
  • Transplante: Realizado através de mudas preparadas em viveiro, transplantadas para a área inundada com 20 a 25 dias. A densidade de semeadura é de 70-100 plantas/m², com espaçamento de 17-30 cm. A densidade de plantio varia de 3 a 5 cm para sementes pré-germinadas, onde a preparação é feita com o solo seco, favorecendo a distribuição por gravidade e a construção de canais. Em áreas sistematizadas, a tendência é o plantio com sementes pré-germinadas com solo seco.

C) Arroz Vermelho

O arroz vermelho é a principal invasora dos locais de produção, podendo causar perdas de produtividade de até 30%. Possui várias características que facilitam sua distribuição nas lavouras, como alta capacidade de germinação, alto vigor e alta capacidade de perfilhamento. Medidas de controle incluem o uso de sementes isentas de arroz vermelho, o sistema de mudas (apropriado para prevenir a competição de plantas daninhas e eliminar o arroz vermelho, em comparação à semeadura a lanço com sementes secas ou pré-germinadas), controle químico, controle manual, mecânico e rotação de cultura.

D) Arroz Branco e Parboilizado

O arroz branco polido é obtido pela separação da palha através de máquinas que provocam atrito entre os grãos, separando o arroz integral do branco, e pela homogeneização para manter um padrão de qualidade, sendo classificado e embalado. O arroz parboilizado é submetido a um processo térmico, no qual o arroz em casca é colocado em água potável a 58°C, seguido de gelatinização parcial e secagem do amido (procedimento de encharcamento, gelatinização e secagem). O Brasil está entre os 9 maiores produtores de arroz do mundo. O arroz parboilizado representa 20% e o arroz branco polido 70% da forma predominantemente consumida na maioria das regiões brasileiras. Apesar de ser mais rico em nutrientes, o arroz integral é pouco consumido no Brasil.

Excesso de Nitrogênio e Doenças

O excesso de nitrogênio (N) na cultura de várzea provoca o perfilhamento e o prolongamento da fase vegetativa, o que pode acarretar deformidades na maturação. A recomendação para adubação nitrogenada no arroz, para evitar problemas de desnitrificação, sugere o uso de sulfato de amônia, não utilizando a ureia como fonte de N. O uso de N na forma de nitrato é recomendado para o arroz integral, sem polimento, conservando-se a película externa do grão, que é mais rica em nutrientes.

Doença Brisa

A doença Brisa é uma doença fúngica com alta capacidade propagativa e de disseminação, que ataca arroz de sequeiro e irrigado e sobrevive em outras plantas hospedeiras. Medidas de controle incluem o uso de sementes certificadas, rotação de culturas e cultivares resistentes.

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