Fatores e Teorias da Origem do Comportamento Agressivo
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Fatores que Induzem ao Comportamento Agressivo
Existem mecanismos biológicos que intervêm nos comportamentos agressivos, mas isso não nos permite afirmar que a agressividade é transmitida por hereditariedade. Sabe-se que há hormônios e outras substâncias que, circulando no sangue, afetam o sistema nervoso, ativando e inibindo a expressão da agressividade.
Há estudos que relacionam os níveis de testosterona com os índices de violência: em indivíduos particularmente violentos, quando lhes são administrados medicamentos para baixar o nível da testosterona, diminui a sua agressividade.
Por razões de ordem biológica, social e psicológica, o álcool desencadeia respostas mais agressivas às provocações.
O nível de agressividade varia de cultura para cultura: o psicólogo Oaltey defendeu, na década de 90, que as culturas mais individualizadas eram mais agressivas do que as coletivistas. Compreende-se que, numa sociedade em que a agressividade é valorizada, os indivíduos tendam a ser mais agressivos.
A familiaridade com que se exibem armas, as notícias frequentes sobre violência, a falta de realismo ao retratar o sofrimento das vítimas, os filmes e as séries em que a agressividade é o centro da ação, e as características agressivas dos heróis, favorecem comportamentos agressivos.
A frustração pode desencadear comportamentos agressivos. Outros autores consideram que, mais do que a frustração, são as provocações, os insultos e as humilhações que, afetando a autoestima, motivam condutas agressivas.
Posição de Autores Sobre a Origem da Agressividade
A Conceção de Freud
Segundo Freud, a agressividade faz parte da matriz do nosso organismo. A nossa vida psíquica, o nosso desenvolvimento seriam orientados por pulsões. Freud distingue dois tipos de pulsões: a pulsão de vida (Eros) e a pulsão da morte (Thanatos).
- As pulsões de vida integram a ideia de manutenção do indivíduo e as pulsões sexuais.
- Seriam as pulsões da morte, que são autodestrutivas, que explicariam os comportamentos agressivos.
A agressividade teria, assim, uma ordem biológica, sendo uma energia que tem de ser descarregada. Uma das principais funções da socialização e das regras de organização social é tentar reprimir esta pulsão destrutiva.
A Conceção de Lorenz
Para Lorenz, a agressão é inerente a todos os organismos. Na sua obra "A Agressão, Uma História Natural do Mal", Lorenz defende que a energia agressiva faz parte integrante da natureza humana. Seria um impulso específico que, face a um dado contexto, conduziria à agressão.
A agressividade era encarada como um comportamento inscrito geneticamente sob a forma de um programa que era desencadeado em determinadas situações face a estímulos adequados. Teria um valor de sobrevivência para a espécie humana, sendo fundamental para a sua preservação. Ao contrário dos animais, o ser humano não possuía mecanismos reguladores eficazes no controle da agressividade.
A Conceção de Dollard
Nos finais da década de 60, John Dollard e Neil Miller propuseram a hipótese frustração-agressão. Explicavam a agressão pelo fato de um sujeito ter sido frustrado, isto é, existiria uma ligação inata entre um estímulo – a frustração – e o comportamento de agressão. A agressão funcionaria como um meio de afastar tudo o que impedisse o sujeito de atingir os seus objetivos.
Muitas críticas foram colocadas a esta teoria, porque nem todas as pessoas reagem à frustração através de comportamentos agressivos. Por outro lado, podem ocorrer agressões sem ter havido previamente uma frustração.
A Conceção de Bandura
É no contexto da sua teoria de aprendizagem social ou modelagem que Bandura defende que o comportamento agressivo resulta de um processo de aprendizagem que se baseia na observação e na imitação de comportamentos, no caso, agressivos. Assim, seria no processo de socialização que a criança observaria e imitaria comportamentos agressivos em modelos como os pais, os educadores e outras crianças.