Fenomenologia e Existencialismo na Psicologia
Classificado em Filosofia e Ética
Escrito em em português com um tamanho de 5,09 KB.
Fenomenologia
A fenomenologia investiga os dados irrefutáveis que justificam nossa concepção da realidade, focando nos fenômenos manifestos. Estes fenômenos podem ser:
Fenômenos Psíquicos
Originados de representações por sensação ou fantasia.
Fenômenos Físicos
Captados pelos sentidos (ex: visão, audição). A elaboração de um fenômeno físico o transforma em psíquico.
Os fenômenos ocorrem através de vivências e experiências. A psicologia estuda a fenomenologia para entender essa transformação do físico para o psíquico, adotando uma atitude fenomenológica.
Atitude Fenomenológica
Consiste em suspender os conceitos prévios sobre o que buscamos compreender, permitindo que as características do fenômeno se manifestem sem interferências.
Existencialismo
(Kierkegaard - Séc. XIX; Sartre - Séc. XX)
O existencialismo reflete sobre a existência metafísica, com a liberdade como tema central. A psicoterapia existencialista parte do pressuposto da liberdade humana para fazer escolhas, que determinam quem nos tornamos. O ser humano é primeiro "existência" e depois "essência".
Espaço Psicológico e Matrizes Psicológicas
Sujeito x Objeto
- A relação homem x natureza se transforma.
- Conhecimento além da contemplação: ação.
- Utilidade e objetividade: transformação da natureza.
Construção do Sujeito ao Longo do Tempo
Francis Bacon
- Razão instrumental substitui a razão contemplativa.
- Método prático-teórico para conceber o conhecimento.
- Sujeito como senhor da natureza através do conhecimento.
- Conhecimento produzido pela instrumentalidade (controle, cálculo e teste).
Idade Moderna
- Manipulação da realidade.
- Técnica regula a subjetividade.
- Conhecimento objetivo, compartilhado e demonstrável.
- Controle e previsão de resultados.
Descartes
- Dúvida metódica como procedimento científico.
- Engano dos sentidos.
- Razão descobre as leis da natureza.
- Neutralização da subjetividade.
- Conhecimento verdadeiro além das experiências imediatas.
Emergência e Ruína do Indivíduo
Cisma no indivíduo: de um lado, o indivíduo irredutível; de outro, suporte de papéis sociais. Se o indivíduo é livre, a ciência não pode enquadrá-lo. A psicologia se agrupa a outras ciências: experimental (biologia), social (antropologia e linguística), clínica (filosofia).
Condições para conhecer cientificamente o psicólogo:
- Clareza na experiência da subjetividade privatizada (liberdade de decidir).
- Experiência da crise da subjetividade (perda de referências).
A experiência da subjetividade privatizada se desenvolve em sociedades com cultura (valores, normas, costumes). Consequências: sentido da tragédia (conflito entre obrigações) e reflexão moral.
Crise da subjetividade: perda de referências com o homem como centro do mundo. Valorização do homem e humanismo moderno. Ceticismo: impossibilidade do conhecimento, neutralidade e indiferença.
Livre-arbítrio: liberdade com recompensas e punições. Ambiguidade na psicologia: sujeito dominador x sujeito dominado.
Matrizes do Pensamento Psicológico
- Cientificista: psicologia como ciência, ligada à biologia.
- Romântica e Pós-Romântica: subjetividade, independente da ciência.
Fenomenologia Husserliana
Husserl critica a atitude natural, que vê o mundo ingenuamente. A fenomenologia busca uma nova fundamentação para a filosofia e as ciências. Objetivo: reformular a filosofia e estabelecer a fenomenologia como método. Objeto de estudo: essência dos fenômenos.
Principais conceitos de Husserl:
- Intencionalidade: intenção, intuição e evidência apodítica.
- Atitude natural: projetar significados nas experiências.
- Epoché: suspensão da crença em teorias.
- Redução fenomenológica: suspensão do juízo sobre a existência dos objetos.
- Consciência: fluxo, movimento em direção a algo.
Existencialismo: Noções Básicas
Existência: aparecer, surgir. Essência: natureza, qualidade.
Existencialismo: reflexão sobre a existência humana individual e concreta. Concepções: doutrina filosófica, sentido da vida (liberdade e responsabilidade), existência precede a essência.
Características do existencialismo:
- Crítica ao racionalismo mecanicista.
- Preocupação com a existência humana e busca pelo sentido da vida.
- Descrença nas contradições da sociedade.
- Infração às regras e estilo de vida excêntrico.
Kierkegaard: religião como experiência pessoal e individual. Cristianismo como dispositivo de individuação. Sartre: ênfase na liberdade de escolha e uso da fenomenologia. Construção do sujeito: ser em si (objetos), ser para si (consciência), vir-a-ser (projeto contínuo), ser para outro (olhar do outro).