Ficha de Leitura: A Cidade do Pensamento Único
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Módulo: Arte, Cultura e Sociedade
Profa.: Ana Elisa de Castro Freitas
Ficha de Leitura de Artigo
Aluno(a): Angelica Tavares de Souza
Data: 02/10/2017
Referência: ARANTES, Otilia. Uma Estratégia Fatal: a Cultura nas novas gestões urbanas. In: A cidade do pensamento único: desmanchando consensos. Petrópolis: Editora Vozes, 2000, p. 11-74.
Parte I: Uma nova geração urbanística? (p. 12-20)
- Tema principal: O urbanismo na modernização.
- Objetivo: Reexaminar o pensamento da cidade desde o colapso da modernização urbana, que trouxe como novidade o gerenciamento empresarial.
- Desenvolvimento: Arantes (2000) aponta que as políticas urbanas são estrategicamente planejadas em torno de questões econômicas (custo/benefício, qualidade/preço). A autora destaca o image-making e o cultural turn, onde tudo se negocia. Alerta para o reencontro glamouroso entre cultura e capital, que gera processos de gentrificação e o uso da cultura como "isca". O "culturalismo de mercado" molda indivíduos pelo consumo ostensivo.
- Principais conceitos: Urbanismo, gerenciamento, planejamento, cultura, image-making, gentrificação, antiurbanismo, culturalismo de mercado, cidade-empresa.
- Conclusões: O planejamento estratégico visa inserir a cidade em uma rede internacional, tornando-a atraente para o capital estrangeiro sob moldes norte-americanos.
Parte II: As máquinas americanas de crescimento (p. 20-31)
- Tema principal: O crescimento urbano empresarial.
- Objetivo: Demonstrar que o planejamento urbano passou a encorajar o crescimento para transformar cidades em máquinas de produzir riquezas.
- Desenvolvimento: O planejador confunde-se com o empreendedor. A "revitalização urbana" baseia-se na parceria público-privada. A autora analisa como a espetacularização urbana (ex: Baltimore City Fair) foi usada para neutralizar conflitos sociais e vender a "etnicidade". A cultura torna-se garantia de um clima saudável para negócios.
- Conclusões: As grandes corporações multinacionais, utilizando a cultura como senha, são as verdadeiras protagonistas da cena mundial, priorizando a rentabilidade.
Parte III: Gentrificação estratégica (p. 31-38)
- Tema principal: Gentrificação urbana.
- Objetivo: Demonstrar que o planejamento estratégico visa uma cidade "inteiramente gentrificada", utilizando o termo em seu sentido de invasão, reconquista e exploração.
- Desenvolvimento: A autora discute a estetização do poder e a "cidade revanchista", que criminaliza a pobreza e substitui o Estado Social pelo Estado Penal, sob estrita vigilância privada.
- Conclusões: A cidade-negócio deve ser uma "empresa-cidadã", polida e vigiada, replicando modelos de atendimento ao cliente.
Parte IV: Os dois turnos da virada cultural (p. 38-48)
- Tema principal: Cultural Turn (Virada Cultural).
- Objetivo: Esclarecer o papel da gestão cultural no novo modelo de planificação urbana empresarial.
- Desenvolvimento: A economia política foi convertida em economia cultural. A cultura desceu de seu pedestal elitista e infiltrou-se em todos os domínios, servindo como isca publicitária para a competitividade global.
- Conclusões: A cultura é um instrumento mercadológico decisivo nos negócios.
Parte V: Variações em torno de um mesmo modelo (p. 48-67)
- Tema principal: Planejamento estratégico urbano e o retorno às cidades.
- Objetivo: Explicar o caminho dos grandes projetos urbanos alavancados pela indústria cultural.
- Desenvolvimento: Exemplos como Paris, Barcelona, Bilbao, Lisboa e Berlim mostram a fórmula da "cidade-empresa": megaprojetos, urbanismo corporativo, gentrificação e animação cultural 24 horas.
- Conclusões: Não há diferença substancial entre os modelos; todos seguem a mesma lógica de capitalização das cidades.
Parte VI: Considerações fatais (p. 67-68)
- Tema principal: Cultura em favor do mercado.
- Objetivo: Apontar os discursos ideológicos na construção das cidades.
- Conclusões: O "culturalismo de mercado" criou um pensamento único onde o interesse econômico da cultura e as alegações culturais do comando econômico se fundem.
Parte VII: Post Scriptum (p. 68-69)
- Tema principal: Países subdesenvolvidos e seus investidores.
- Objetivo: Demonstrar que não é plausível que governos de cidades em países subdesenvolvidos se limitem a agenciar negócios.
- Conclusões: A adoção desse modelo em países periféricos aprofunda a desigualdade social e afasta a justiça social.