Filosofia de Hegel e Marx: Uma Análise Antropológica
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**II. Estudo Antropológico sobre Hegel**
Hegel, filósofo alemão, tenta resolver o problema das interpretações filosóficas sobre o homem. Ele afirma que a fonte absoluta e incondicional de toda a existência é algo que se desenvolve ao longo do tempo; ou seja, não é um ponto, mas um processo. Inicialmente, há o ser ou a ideia, algo abstrato e vazio, que se comporta como o nada, pois nada pode ser dito sobre ele, assim como nada é dito sobre o nada.
O nada e o ser são absorvidos pelo devir e, como resultado, surge a natureza.
História: Para Hegel, a história não é meramente o relato do que aconteceu. Embora a história trate do passado, ela é viva, dinâmica e ilumina o presente. É tarefa da filosofia descobrir o significado e o sentido dessa dinâmica.
A história é uma expressão do espírito, é a sua realização. O homem se transforma em espírito universal. Embora os homens sejam diferentes entre si, todos compartilham dessa substância universal.
**Interpretação Sociológica de Marx**
Para resolver o problema antropológico, Marx analisa o homem e suas circunstâncias, buscando a razão de tudo na razão dos fatos.
Interpretar o homem de forma sociológica significa dizer que o problema do homem é o problema de sua existência, de sua realidade concreta e de suas circunstâncias. O homem recebe sua própria existência como um problema, portanto, sua existência é um problema social. O lar do homem é a associação imediata com duas dimensões: a história e as condições objetivas de vida.
História: A história está personificada no homem, nas coisas, no domínio da ciência e do pensamento.
A história não é imposta de fora. Ela começa com as células e as necessidades imediatas da vida humana.
Na história, há um determinismo aberto, pois, se as condições são feitas pelo homem, o homem também é feito pelo esforço humano.
Homem: Ser Natural: O homem vem da natureza; o homem e a natureza são redutíveis um ao outro. O homem precisa de outros seres para manifestar suas forças vitais e satisfazer suas necessidades. Portanto, o homem é natural, concreto, humano e histórico. O homem é um produtor. Ele se desenvolve de forma dinâmica, diversificada e contínua. A diferença entre o homem e os animais é a produção de sua subsistência, que é sua vida material. O homem transforma a natureza por meio do trabalho. Transformar a natureza é uma exclusividade humana, no processo de produção social. Ao transformar a natureza, o próprio homem se transforma.
Homem Alienado: Na sociedade neoliberal atual, o homem está alienado, vive uma vida alienada e se sente estranho a si mesmo. O trabalhador se sente infeliz no trabalho, pois mortifica seu corpo e arruína sua mente. O trabalho não é voluntário; o trabalho é forçado para sobreviver. Trabalhadores, camponeses e intelectuais não são o que são; eles são diferentes, são estranhos a si mesmos. Seu trabalho não lhes pertence, eles se sentem estranhos no trabalho.
**III. O Homem, a Verdade e o Valor**
O Homem e a Sociedade: A sociedade é um conjunto de relações culturais, econômicas e sociais que existem entre os homens, sendo o trabalho a relação mais importante. Existem duas realidades: o indivíduo e a sociedade. O indivíduo é um ser que só existe na sociedade, é determinado por ela e é o que é por causa da sociedade.
A sociedade, por sua vez, não é o indivíduo, mas é determinada pelo que é por causa do indivíduo. Ambos estão interligados e se influenciam mutuamente. O indivíduo já era um ser social antes de sua inserção na sociedade, e esta já existia previamente; as duas realidades não se somam aritmeticamente.
Homem e Cultura: A cultura é um mundo criado pelo homem. O homem cria a cultura para melhor dominar o mundo.
Em que sentido o homem e a cultura se relacionam? O homem está imerso na cultura, e esta envolve o homem. Para entender melhor, podemos, hipoteticamente, contrastar o homem com a cultura. A cultura atua sobre o homem, dando-lhe um modo de ser especial e condições para viver. Ao mesmo tempo, o homem age sobre a cultura, melhorando-a para viver em condições ideais.
O Homem e o Valor: O valor é a abstração de uma qualidade positiva, socialmente útil, que surge da relação funcional entre o sujeito e o objeto. Para captar um valor, é necessário considerar dois elementos: o objeto e o sujeito que o estima. Para entender o processo de formação de um valor, é necessário um referencial teórico:
- O sujeito apreende o objeto no momento...
- O objeto está relacionado a outros objetos. Tudo isso em termos de totalidade...
- O homem tem uma visão geral do mundo, pois reage com preferências, com interesses...
Características dos Valores:
- Referência: Os valores estão relacionados e se baseiam na realidade. Esta constitui um todo, e suas partes estão intimamente ligadas. Sua base é a conexão que surge com o homem.
- São Valiosos: Os valores não são elementos das coisas. Algo é valioso porque é produto da relação funcional entre o homem e o objeto. O valor do objeto é determinado pelo homem, e o objeto tem valor por causa do homem. Um relógio tem que existir, mas o valor tem que ser; o valor simplesmente vale.
- Polaridade: Cada valor se expressa em dois polos: positivo e negativo. Por exemplo, o bem (positivo) está emparelhado com seu oposto polar: o mal (negativo).
- Classificação: Os valores podem ser classificados de acordo com um grau de preferência. Alguns são mais importantes que outros.
O Homem e a Verdade: A verdade é a conformidade do pensamento com o objeto. Somente os homens buscam a verdade e pensam sobre ela. Para ser considerada verdade, uma afirmação deve ter três condições:
- Universalidade: A verdade é evidente quando é reconhecida e aceita por todos os homens, ou pelo menos existe a possibilidade de que todos a aceitem como tal quando a conhecerem. A afirmação de que a água é composta por hidrogênio e oxigênio é uma verdade objetiva para todos. O fato de um camponês não saber disso não afeta a universalidade da verdade.
- Natureza Social: A verdade deve ser testada pelo homem na sociedade e na história. Se alguém afirma que os homens reencarnam, isso simplesmente não é aceito como verdade, pois não faz parte do pensamento humano nem é universal. Para os animais, não existe verdade.
- Caráter Lógico: A verdade é expressa em julgamentos, e não em objetos. Um julgamento é verdadeiro se a realidade é exatamente como ele afirma ou nega. A realidade objetiva não é verdadeira nem falsa; ela simplesmente é.