Fisiologia Renal: ADH, Contracorrente e Sistema Renina-Angiotensina

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Mecanismo Celular do Hormônio Antidiurético (ADH)

A célula principal apresenta membrana luminal e membrana intersticial. Na membrana luminal, na situação normal, é impermeável, sem aquaporinas. Mas na presença de ADH na corrente sanguínea, receptores na membrana basolateral (o Receptor V2) se ligam ao hormônio. Esse receptor ativado, acoplado à Proteína Gs (estimulatória), estimula a Adenilato Ciclase, transformando ATP em AMPc. O aumento do AMPc dentro da célula sinaliza a necessidade de reabsorver água.

O AMPc ativa as Proteínas Quinases A (PKA), que causam a fosforilação das Aquaporinas presentes em vesículas. A ativação dessas aquaporinas promove a movimentação das vesículas pelos microtúbulos para fusão com a membrana luminal. As aquaporinas inseridas nas membranas luminais realizam o transporte de água para o interior da célula.

Quando o meio retorna ao padrão isotônico, a fosfodiesterase quebra o AMPc. Além disso, a produção de AMPc cessa devido à inativação do receptor. As aquaporinas da membrana são então endocitadas e recicladas em vesículas.

Mecanismo de Contracorrente e o Gradiente Corticomedular

Existe um gradiente corticomedular que determina que, quanto mais profunda a região medular, maior é o gradiente iônico, o que facilita a absorção de água. Portanto, a reabsorção de água depende fundamentalmente desse gradiente corticomedular. Se o meio da medula não estiver altamente concentrado, a reabsorção de água não pode ocorrer, mesmo na presença de ADH.

  • A Ureia ajuda a reabsorver a água, sendo um dos principais solutos presentes na região medular. Ela sai no ducto coletor e é reabsorvida na alça de Henle.

O Papel dos Vasos Retos (Vasa Recta)

A água que é reabsorvida para o interstício vai para o vaso sanguíneo. O sangue entra nos vasos retos com 300 mOsm/L. Devido à reabsorção de soluto na região da alça ascendente, esses solutos vão para a circulação, deixando o sangue mais hipertônico. Na volta do vaso sanguíneo que acompanha a alça de Henle (porção descendente), o sangue passa a reabsorver a água que o néfron reabsorveu para o interstício na porção descendente. O sangue, portanto, retorna à osmolalidade normal.

Diabetes Insipidus (DI)

Sintoma principal: Sede constante (polidipsia) e aumento da micção (poliúria).

Tipos de Diabetes Insipidus

  • DI Central: Perda da produção do hormônio ADH, seja por motivo genético ou adquirido. Quando o sangue fica hipertônico, o cérebro estimula a sede. Tratamento: Reposição de ADH.
  • DI Nefrogênica: Há produção de ADH, mas pode haver mutação no receptor (V2) desse hormônio, mutação nas aquaporinas, ou falha em outros pontos celulares.

Nota: Durante a noite, há um pico de ADH para garantir um sono tranquilo e reduzir a produção de urina.

Controle do Volume Corporal e Balanço de Sódio

O sódio (Na+) é o principal soluto que contribui para a osmolalidade e hipertonicidade. Um mecanismo crucial do organismo é aumentar a reabsorção de sódio para, consequentemente, aumentar a reabsorção de água e manter o volume plasmático.

  • Ingestão média de NaCl: 8 a 15 g/dia.
  • A taxa de excreção deve ser igual à ingestão para manter o conteúdo de Na+ constante no corpo.
  • 95% da excreção de sódio é realizada pelos rins.

Reabsorção de Sódio nos Segmentos do Néfron

Percentual do sódio filtrado que é reabsorvido em cada segmento:

  • Túbulo Proximal: 70%
  • Alça de Henle Ascendente: 20%
  • Túbulo Distal: 6%
  • Ducto Coletor: 3%

Sítios de Detecção de Alterações no Volume Plasmático

  • Barorreceptores de Baixa Pressão: Lado venoso da circulação sistêmica.
  • Barorreceptores de Alta Pressão: Lado arterial da circulação sistêmica.
  • Mecanismos Intrarrenais: Barorreceptores intrarrenais e Mácula Densa.

Fatores Hormonais e Neurais que Regulam o Volume

  • Sistema Renina-Angiotensina-Aldosterona (SRAA)
  • Fator Natriurético Atrial (FAN)
  • Aldosterona
  • Nervos Simpáticos Renais
  • Hormônio Antidiurético (ADH)

Sistema Renina-Angiotensina-Aldosterona (SRAA)

O SRAA é um sistema hormonal que regula a pressão arterial através do controle do volume sanguíneo. É ativado em situações de queda da pressão arterial (hipotensão).

Ativação do SRAA

Quando há queda de pressão, o volume sanguíneo é menor, resultando em menos sangue entrando pela arteríola aferente no glomérulo. Isso ativa mecanorreceptores nas paredes da arteríola, que enviam essa informação à Mácula Densa.

Em resposta, as células justaglomerulares produzem e liberam Renina (também em resposta à estimulação de nervos simpáticos). O fígado, por sua vez, produz e libera continuamente o Angiotensinogênio na corrente sanguínea.

A Cascata Hormonal

  1. No plasma, a Renina catalisa a conversão do Angiotensinogênio em Angiotensina I.
  2. Quando o sangue, rico em Angiotensina I, passa pelos pulmões, a enzima ECA (Enzima Conversora de Angiotensina) transforma a Angiotensina I no peptídeo ativo: Angiotensina II (Ang II).

Ações Biológicas da Angiotensina II

A Angiotensina II é o peptídeo ativo do sistema, exercendo múltiplas ações:

  • Córtex Adrenal: Estimula a síntese e secreção de Aldosterona, que aumenta a reabsorção de Na+ nos túbulos distais e ductos coletores.
  • Vasoconstrição: Atua diretamente nas arteríolas, causando vasoconstrição (mais forte na eferente do que na aferente), o que diminui o fluxo sanguíneo renal e aumenta a Taxa de Filtração Glomerular (TFG).
  • Ação Renal Direta: Estimula a troca Na+-H+ no túbulo proximal, aumentando a reabsorção de Na+ e de HCO3-. Consequentemente, aumenta a reabsorção de água, elevando o volume sanguíneo.

Receptores de Angiotensina II

  • Receptores AT1: São a maioria e mediam os principais efeitos vasoconstritores e de retenção de sódio.
  • Receptores AT2: São menos numerosos e ativados somente quando há alta concentração de Angiotensina II. Geralmente provocam efeitos contrários (vasodilatação, natriurese) como forma de modular e finalizar o efeito da Angiotensina II.

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