Fisiologia: Unidade Motora, Reflexos e Controle Motor
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Fisiologia Humana
1. Unidade Motora e Controle Motor
Integração Sensorial: Sistema vestibular + Sistema somatossensorial + Sistema visual
- Respostas reflexas: “Resposta motora fixa a determinado estímulo”.
Circuito do neurônio motor inferior:
O 1º neurônio desce do giro pré-central para fazer sinapse com outro neurônio no corno ventral da medula. O 2º neurônio motor inerva o músculo que irá produzir movimento.
O neurônio que desce do córtex é o neurônio motor superior (1º); o neurônio que parte da medula é o neurônio motor inferior (2º).
- Inervação: Dependendo do músculo, há maior ou menor número de fibras inervadas. Por exemplo: o Bíceps braquial tem 774 axônios, 580.000 fibras e 750 inervações. O reto lateral tem 4150 axônios, 22.000 fibras e 5 inervações.
- Organização da medula espinhal: Um único músculo é inervado por várias raízes da medula, apresentando uma organização distinta da pele (onde cada dermátomo corresponde a uma região específica). Se houver uma lesão de uma raiz ventral, o músculo apenas perde a força, pois tem outras raízes que também o inervam.
- Organização do corno ventral: A inervação de músculos distais sai de motoneurônios mais laterais, já a de músculos proximais sai de motoneurônios mais centrais na medula.
Tipos de unidades motoras:
O que determina o tipo de fibra (branca ou vermelha) é a inervação. As fibras vermelhas se classificam ainda em dois subtipos; apenas as fibras vermelhas intermediárias são capazes de se alterar conforme a forma que o músculo é utilizado.
Regulação da força muscular:
- Princípio do Tamanho: Qualquer contração sempre começa com unidades motoras pequenas resistentes à fadiga. Isso ocorre porque elas são mais excitáveis, apresentando um menor limiar de disparo.
- Relação comprimento-tensão: O nível de alongamento médio do músculo corresponde ao maior nível de força que ele pode exercer.
2. Reflexos
Informação somestésica para o movimento: Reflexos disparados pelo músculo, tensão e pele.
- a. Reflexo de retirada: Desencadeado pelas terminações nervosas da pele. Trata-se de um reflexo polissináptico que pode se estender a vários segmentos medulares.
- b. Reflexo de estiramento: Trata-se de um reflexo de proteção e manutenção do tônus muscular (reflexo ipsilateral). O fuso muscular é composto por fibras extrafusais (motoneurônio alfa) e fibras intrafusais (motoneurônio gama). O estiramento do músculo ativa os mecanorreceptores dos motoneurônios gama nos fusos musculares, gerando um potencial de ação que segue até a medula, onde faz sinapse com o motoneurônio alfa que irá conduzir a contração. Sempre que as fibras extrafusais contraem, as fibras intrafusais também devem contrair (coativação alfa-gama).
*Existem vários centros no encéfalo que modulam a resposta do reflexo de estiramento. Quando há hiperreflexia, há lesão central; quando há hiporreflexia, a lesão é periférica.
*Ao mesmo tempo que ocorre o reflexo, ocorre também a inibição recíproca do músculo antagonista.
*Conforme a força exigida do músculo for maior, aumenta a taxa de disparo dos neurônios sensoriais do fuso neuromuscular.
- c. Reflexo tendíneo: Desencadeado pela terminação sensitiva dos tendões, o órgão tendinoso de Golgi, que atua como receptor de tensão. Quando aumenta a tensão e há disparo de potencial de ação, gera-se uma resposta inibitória provocando o relaxamento do músculo para evitar ruptura, sendo, portanto, um reflexo protetor.
- d. Reflexo de extensão cruzada: Também denominado como reflexo miotático reverso. Gera contração muscular do lado oposto ao reflexo para manter a posição, ou seja, trata-se de um reflexo contralateral.
As vias descendentes espinhais modulam a eficiência das sinapses medulares, regulando os reflexos espinhais.
- Vias reflexas de alças longas e alça curta: O reflexo de retirada não é apenas de nível medular. Ele apresenta um componente periférico (M1) e um componente central (M2) que, na contração como um todo, não é perceptível. Essa característica foi descoberta através de estudos com pacientes da Síndrome de Klippel-Feil.
- Espasticidade: É quando ocorre um aumento do tônus muscular, envolvendo hipertonia e hiperreflexia (hiperatividade dos reflexos tendinosos) no momento da contração muscular, causado por uma condição neurológica anormal. Há aumento da resistência ao estiramento do músculo (rigidez plástica ou elástica). O tratamento pode envolver o uso de baclofeno (neurotransmissor agonista), que inibe a contração muscular.
- Lesão medular: Na fase aguda ocorre o choque espinhal (redução ou supressão completa de reflexos abaixo do nível de lesão). Semanas ou meses depois, há um retorno gradual dos reflexos de modo exacerbado.
Síndrome do neurônio motor superior x inferior:
| SÍNDROME DO N. M. SUPERIOR | SÍNDROME DO N. M. INFERIOR |
|---|---|
| Fraqueza | Fraqueza ou paralisia |
| Espasticidade | Redução dos reflexos superficiais |
| Aumento no tônus (hipertonia) | Redução do tônus (hipotonia) |
| Reflexos profundos hiperativos | Reflexos profundos hipoativos |
| Clônus | Atrofia muscular severa |
| Sinal de Babinski | - |
| Perda de movimentos voluntários | - |
A Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA) é o exemplo mais comum de síndrome do neurônio motor inferior, sendo uma doença de degeneração progressiva de nervos motores inferiores.
3. Controle Motor
Reações defensivas aumentam a chance de sobrevivência e dependem da distância do perigo e da presença de rota de fuga.
Tipos de imobilidade:
- Imobilidade Atenta: Ameaça detectada – bradicardia + redução da amplitude de oscilação corporal.
- Imobilidade Pré-Ataque: Sem rota de fuga – bradicardia.
- Imobilidade Tônica: Ausência de movimento – taquicardia enorme + redução da oscilação postural.
Estrutura geral de controle dos movimentos corporais:
Os reflexos coexistem entre si. No reflexo patelar, por exemplo, ocorrem simultaneamente o relaxamento do antagonista e a contração do agonista.
O córtex motor apresenta organização somatotópica. A área M1 apresenta baixo limiar de estimulação. O estímulo corresponde a um padrão de movimento devido à divergência.
- Divergência: Um neurônio em M1 pode inervar diversos motoneurônios que controlam diferentes músculos, assim como interneurônios.
- Convergência: Diferentes neurônios em M1 podem ativar um mesmo motoneurônio.
A representação cortical de movimentos pode ser recrutada sem que o movimento seja de fato executado. Isso ocorre devido aos neurônios espelho, envolvidos no aprendizado de movimentos. Eles são ativados visualmente e sonoramente, sendo responsivos à preensão de objetos por outrem no córtex motor.
Imaginética motora: Imaginar o movimento melhora a realização dele e ativa a área suplementar motora.