Fontes e Movimentos Demográficos da Espanha
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1. Principais fontes de estudo da população espanhola
Censo: Reflete o estado da população num dado momento. É publicado decenalmente. Constitui um recenseamento realizado pelo Estado; é universal, obrigatório e secreto. Contém informações sobre local de residência, idade, sexo, estado civil, número de filhos, nacionalidade, etc.
Padrón municipal: Elaborado pelos municípios, é constantemente atualizado. Regista alterações de domicílio, mudanças de endereço e outros dados administrativos locais.
Registo Civil: Fornece informações sobre nascimentos, óbitos e casamentos.
1.2 Evolução da população
Movimentos naturais: A partir de meados do século XIX as taxas de natalidade diminuíram. No início do século XX houve uma diminuição acentuada, agravada pela emigração e pelas consequências da Guerra Civil. Com o desenvolvimento económico, sobretudo a partir dos anos 1950, o aumento dos casamentos possibilitou uma recuperação, com pico entre 1956 e 1964. Desde meados da década de 1970 (a partir de 1977) até o presente houve novo declínio: atualmente a Espanha apresenta um dos níveis de natalidade mais baixos do mundo. Isso deve-se ao declínio da fecundidade e à entrada massiva das mulheres no mercado de trabalho.
A mortalidade começou a declinar no início do século XX e essa tendência continuou devido aos avanços da medicina, ao aumento da esperança de vida e à melhoria das condições sanitárias. A diferença entre natalidade e mortalidade (crescimento natural) reduziu-se ao longo do século XX, com eventuais picos e crises (por exemplo, a gripe de 1918). Após a Guerra Civil o crescimento natural aumentou, atingindo o auge entre 1955 e 1964; desde os anos 1970 manteve-se em queda.
2. Movimentos migratórios
2.1 Movimentos migratórios externos
Historicamente, a Espanha foi um país de emigração; nos últimos anos converteu-se num centro de imigração.
Fase de emigração para a América: Pico nos séculos XVI e XVII, com redução no século XVIII. Ao longo do século XIX e no início do XX voltou a aumentar até aos anos 1930, quando os países de destino começaram a implementar medidas restritivas. Houve novo aumento durante e após a Guerra Civil. Destinos principais: Argentina, Brasil, Cuba, entre outros.
Emigração para a Europa Ocidental: A reconstrução na Europa Ocidental após a Segunda Guerra Mundial criou elevada procura de mão de obra. Espanhóis emigraram para países como Alemanha, França e Suíça. O período de maior intensidade ocorreu entre 1960 e 1973, com mais de um milhão de emigrantes, sobretudo da Andaluzia e da Galiza.
Fase de imigração recente: A Espanha converteu-se numa área de acolhimento. Os imigrantes são, em grande parte, jovens e tendem a apresentar taxas de natalidade e fecundidade superiores às da população espanhola. À migração proveniente de países desenvolvidos europeus juntou-se a chegada de imigrantes da América Latina, do Leste Europeu, da África e da Ásia. Em muitos casos, a escolaridade média é mais baixa e os imigrantes ocupam trabalhos específicos (agricultura, construção, comércio e serviços).
2.2 Migração interna
A migração interna começou com movimentos internos desde o século XVI, com deslocações para a periferia. A tendência acelerou-se desde o século XIX com o desenvolvimento industrial, especialmente em Barcelona. A Guerra Civil e as suas consequências desaceleraram esse movimento.
A partir dos anos 1950, devido ao desenvolvimento industrial e ao turismo, a migração interna recuperou. Foram principalmente os jovens de ambos os sexos que migraram, provocando rejuvenescimento das populações urbanas e envelhecimento das zonas rurais. Atualmente as migrações internas tornaram-se escassas; muitas zonas rurais apresentam baixa densidade populacional.
4. Estrutura por sexo, idade e atividade
4.1 Estrutura por sexo e idade
Estrutura por sexo: Há, em geral, mais mulheres do que homens em termos globais.
Estrutura etária: Existe uma clara tendência de envelhecimento populacional. Os idosos são mais numerosos em províncias onde predominou a emigração. O envelhecimento implica crescimento das despesas sociais, nomeadamente pensões e cuidados de saúde, devido à maior esperança de vida.
4.2 Estrutura-atividade
A força de trabalho relativa tem diminuído em parte devido à escolaridade obrigatória prolongada, ao crescimento do ensino superior entre os jovens e a reformas antecipadas.
Força de trabalho feminina: Cresceu significativamente (por exemplo, um aumento da ordem dos 35% em décadas passadas).
População empregada: Durante os anos 1970 e 1980 registou-se diminuição em certos setores. Desemprego: A partir dos anos 1990 tendia a diminuir até 2007.
A população ativa divide-se por setores de atividade: setor primário em declínio; setor secundário com pico em 1981; setor terciário foi o único que aumentou progressivamente, tornando-se o principal empregador.
4.1 Estrutura por sexo e idade
Estrutura por sexo: Mais mulheres do que homens.
Estrutura etária: Tendência clara de envelhecimento. Os idosos são mais numerosos nas províncias onde predominou a migração. O envelhecimento crescente eleva as despesas sociais (pensões, cuidados de saúde) devido à maior esperança de vida.
4.2 Estrutura-actividade
A força de trabalho diminuiu devido à escolaridade obrigatória mais longa, ao crescimento do ensino superior entre os jovens e às reformas antecipadas.
Força de trabalho feminina: Cresceu cerca de 35%.
População empregada: Durante os anos 70 e 80 diminuiu em alguns setores. População desempregada: Desde os anos 90 tem vindo a diminuir até 2007. A população ativa está dividida em: setor primário — em declínio; setor secundário — teve pico em 1981; setor terciário — foi o único que aumentou progressivamente.
5. Evolução e características de Castela e Leão
5.1 Evolução de Castela e Leão
A capacidade agrícola do Vale do Douro favoreceu uma ocupação humana inicial do território. Na época romana a atividade agrícola foi intensa. O repovoamento na Idade Média determinou a estrutura do território e a sua ocupação (liquidação).
A descoberta da América revitalizou a região de Castela e Leão.
No século XVIII a população de Castela e Leão emigrou para a América.
No século XIX a região tornou-se também num território de emigração interna, que estimulou o êxodo rural.
Essa tendência continuou durante o século XX e acentuou os desequilíbrios internos. Nas últimas décadas a região tem sido caracterizada por fortes fluxos de emigração.
5.2 O movimento natural
O movimento natural tende a diminuir.
Taxa de natalidade: Baixa (cerca de 7 por mil), o que tem favorecido uma população envelhecida.
Taxa de mortalidade: Um pouco acima da média nacional (c. 10 por mil), com mortalidade infantil e mortalidade geral próximas da média nacional.
5.3 Movimentos migratórios
Durante o século XX a migração de Castela e Leão foi significativa: mais de duas mil pessoas emigraram (referência histórica). Inicialmente dirigiram-se para a América Latina; na década de 1950 destinaram-se também a França, Alemanha e Suíça. Muitos migraram igualmente para Madrid, Catalunha e País Basco.
Desde 2002 o saldo migratório tem sido compensado pela imigração estrangeira. A imigração atual dirige-se principalmente para as cidades e provém da América Latina, Norte de África e Europa Oriental. Esses imigrantes trabalham sobretudo na construção, na indústria, nos serviços domésticos e no comércio. Em geral são jovens e enfrentam dificuldades de integração.
5.4 A distribuição da população
A população está distribuída de forma desigual. Cerca de 50% do território tem densidade inferior a 10 hab./km².
Regiões de montanha: Pouco povoadas e em processo de abandono. Regiões de planície: Sofrem despovoamento em certas áreas. Principais cidades: Valladolid, León, Burgos, Salamanca.
5.5 Composição da população
Há uma tendência de envelhecimento devido à baixa taxa de natalidade, diminuição da fertilidade e ao aumento da esperança de vida.
A força de trabalho regional é um pouco menor do que a média espanhola. O desemprego é relativamente elevado.
Setores de atividade: Primário em retração; setor secundário deixou de crescer; setor terciário em desenvolvimento.