A Formação do Mundo Globalizado no Século XIX

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Em 1880, no centenário da Revolução Francesa, o mundo já era praticamente todo conhecido e mapeado. O planeta estava, pouco a pouco, tornando-se global. A ferrovia e a navegação a vapor haviam encurtado as distâncias intercontinentais, enquanto o telégrafo transmitia informações de uma parte do mundo a outra em poucas horas. O mundo era densamente povoado, majoritariamente por asiáticos e, em segundo lugar, por europeus.

A Divisão entre Nações Desenvolvidas e Subdesenvolvidas

No entanto, as realidades tornavam-se cada vez mais distantes, caminhando para a divisão das sociedades entre industriais — consideradas desenvolvidas — e as demais.

Eric Hobsbawm aponta que a defasagem entre o Primeiro Mundo e os demais começou cedo, destacando a tecnologia como uma das principais causas dessa diferença, uma vez que a acentua de forma econômica e política. A Revolução Industrial favoreceu a desigualdade ao conferir maior poderio bélico às nações economicamente favorecidas.

Critérios de Desenvolvimento e Fronteiras

Além da industrialização, a urbanização serviu de parâmetro para o desenvolvimento. A sociedade burguesa europeia ditava os costumes e as transformações intelectuais. Em termos políticos, um país “avançado” deveria seguir um padrão rígido:

  • Estado de direito com constituição única;
  • Direitos políticos e jurídicos básicos;
  • Indivíduos juridicamente livres e iguais.

O Impacto da Tecnologia e o Progresso

O século XIX foi marcado por transformações onde o progresso era medido pela capacidade de produção material e meios de comunicação. Invenções como:

  • Locomotivas e navios a vapor;
  • Motores de combustão interna e automóveis;
  • Telefone, gramofone e lâmpada elétrica;
  • Cinematógrafo e radiotelegrafia.

Desigualdade e Ideologias de Superioridade

De acordo com Hobsbawm, o progresso fora dos países avançados era visto, muitas vezes, como um perigo ou uma forma de dominação estrangeira. A resistência a essas novas regras foi interpretada como sinal de fraqueza, levando à criação de teorias pseudocientíficas:

“Uma enorme parcela da humanidade foi considerada biologicamente incapaz de realizar aquilo que aos europeus parecia fácil. A desigualdade social foi justificada através da biologia, em que o conceito de raça superior começou a tomar forma.”

Nas repúblicas da América Latina, esse pensamento refletiu-se na busca pelo branqueamento populacional como suposta chave para o progresso.

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