Funções da Linguagem e a Concepção Dialógica
Classificado em Psicologia e Sociologia
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Funções da Linguagem
A língua pode assumir diferentes funções:
- Função Informativa: Quando há a intenção de transmitir uma informação.
Exemplo: “Pedro Álvares Cabral descobriu o Brasil”. - Função Emotiva: Quando há a intenção de expressar emoções ou sentimentos.
Exemplo: “Eu te amo”. - Função Conativa: Quando há a intenção de convencer o outro, como nas propagandas.
Exemplo: “Para senador, vote no candidato João da Silva”. - Função Metalinguística: Quando usamos o próprio código para explicar o sistema linguístico.
Exemplo: “Frase é qualquer enunciado linguístico com sentido completo”. - Função Lúdica: Quando há a intenção de divertir, como em piadas e trava-línguas.
Exemplo: “Um tigre, dois tigres, três tigres”.
Embora as diferentes funções não sejam excludentes, reconhecer a função que prevalece em um texto favorece a interpretação (na leitura) ou o planejamento da escrita. Reconhecer a função da linguagem é o caminho para compreender o propósito do texto.
À medida que aprendem a língua, suas formas e funções, os homens também são transformados por ela. Isso porque a oralidade e a escrita, como práticas sociais de interação e comunicação, favorecem a constituição da consciência e posicionam o sujeito na sociedade.
A Língua Verbal e a Concepção Dialógica
A língua verbal é um sistema paradoxal, pois tem duas dimensões simultâneas: um lado fechado (significados compartilhados, ortografia, gramática e sintaxe), que não pode ser contrariado sob pena de dificultar a comunicação, e um lado aberto (a possibilidade de tudo dizer, de criar, usando metáforas ou diferentes sentidos).
O advento da escrita teve um forte impacto na organização social, nas formas de trabalho, de organização dos pensamentos, de produção científica, de educação e de relacionamento humano. Por isso, muitos acreditam (erroneamente) que é preciso ter escrita para ter cultura. O que desmente esse mito é a existência de grandes civilizações que, ao longo da história, chegaram a uma considerável construção social, política, científica e religiosa. Esse mesmo argumento tem o seu correspondente no caso de homens ou mulheres em particular, pois ainda que se possa dizer que as pessoas alfabetizadas têm inúmeras possibilidades de organização mental, memória e recursos para a aprendizagem, seria um preconceito achar que o sujeito analfabeto é incapaz de pensar, de aprender e de ter pensamentos abstratos.
A compreensão da natureza viva e dinâmica da língua, construída como um sistema simultaneamente aberto e fechado, caracteriza a concepção dialógica de língua postulada pelo linguista russo Bakhtin (1895-1975). Nessa concepção, as produções orais ou escritas são explicadas pela relação interativa entre as pessoas (ainda que distantes entre si) e pelos propósitos comunicativos, construindo-se em situações específicas e contextualizadas.