Fundamentos da Avaliação Neuropsicológica e Psicopatologia

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Objetivos Específicos da Avaliação Neuropsicológica

A avaliação neuropsicológica visa:

  • Identificar alterações cognitivas: Avaliar a presença e a gravidade das alterações nas diversas áreas funcionais.
  • Diagnosticar condições neurológicas e psiquiátricas: Avaliar casos de demências, Transtorno do Espectro Autista (TEA), esquizofrenia, depressão, transtornos ansiosos e afins.
  • Identificar áreas de força e fraqueza cognitiva: Dados utilizados para desenvolver planos de tratamento individualizados de reabilitação e auxiliar o paciente a desenvolver estratégias para manejo das áreas dificultosas.
  • Monitorar o progresso do tratamento.
  • Fornecer recomendações para intervenções terapêuticas: Usando os resultados como base, torna-se possível recomendar intervenções específicas, como a psicoterapia, terapia ocupacional ou outras que venham melhorar o funcionamento cognitivo e emocional do paciente.

Funções Cognitivas Comumente Avaliadas em Adultos

As funções cognitivas mais comuns avaliadas incluem:

  • Funções Executivas: Responsáveis pelo planejamento, organização, tomada de decisões e resolução de problemas.
  • Memória: Capacidade de armazenar, reter e recuperar informações.
  • Linguagem: Compreende habilidades como compreensão, expressão, leitura e escrita.
  • Habilidades Visuoconstrutivas: Compreendem habilidades como percepção visual, organização espacial e construção.
  • Atenção: Capacidade de manter o foco em tarefas específicas e de se concentrar em estímulos relevantes.
  • Velocidade de Processamento: Capacidade de processar informações rapidamente.
  • Funções Sensoriais Motoras: Incluem habilidades como percepção tátil, coordenação motora fina e grossa e sensibilidade proprioceptiva.

Características do Teste WAIS-III

O WAIS-III (Escala Wechsler de Inteligência para Adultos – Terceira Edição) é um teste de aplicação individual, indicado para indivíduos de 16 a 89 anos.

Ele permite derivar resultados quantitativos de quatro domínios cognitivos (Compreensão Verbal, Memória Operacional, Organização Perceptual e Velocidade de Processamento). Além do Quociente de Inteligência (Q.I.), o profissional obtém informações quantitativas detalhadas sobre o funcionamento cognitivo de adolescentes e adultos.

Medidas e Índices Fatoriais:

  • QI Verbal
  • QI de Execução
  • QI Total
  • Índice de Compreensão Verbal
  • Organização Perceptual
  • Memória Operacional
  • Velocidade de Processamento

Tempo de Aplicação: Aproximadamente 80 minutos.

Características do Teste WASI

O WASI (Escala Wechsler Abreviada de Inteligência) é um teste de aplicação individual, indicado para indivíduos de 6 a 89 anos.

É composto por quatro subtestes que avaliam vários aspectos cognitivos:

  • Vocabulário
  • Cubos
  • Semelhanças
  • Raciocínio Matricial

Estes subtestes avaliam conhecimento verbal, processamento de informação visual, raciocínio espacial e não verbal, inteligência fluida e cristalizada.

Os quatro subtestes fornecem o QI da escala total. Os subtestes de Vocabulário e Semelhanças fornecem o QI Verbal, e os subtestes de Cubos e Raciocínio Matricial fornecem o QI de Execução.

Tempo de Aplicação: Aproximadamente 30 minutos.

A Psicopatologia das Funções Psíquicas

O estudo analítico das funções psíquicas isoladas (como memória, sensopercepção e afetividade), embora útil, é considerado uma abordagem artificial e arriscada na psicopatologia. Esse método pode levar à crença equivocada de que tais funções são autônomas e independentes, simplificando inadequadamente a complexidade da mente humana.

Na realidade, essas funções são construções teóricas que facilitam a comunicação, mas não refletem a totalidade do funcionamento mental. A psicopatologia deve considerar que é a pessoa como um todo que adoece, e não funções isoladas.

Tipos de Atenção e Sua Explicação

Atenção é a direção da consciência, um estado de concentração da atividade mental sobre determinado objeto.

Atenção Externa vs. Interna
Externa: Projetada para fora da subjetividade da pessoa, para o mundo exterior, geralmente com sentido mais sensorial.
Interna: Volta-se para os processos mentais de si mesmo, sendo reflexiva, meditativa e introspectiva.
Atenção Focal vs. Dispersa
Focal: Mantém-se concentrada sobre um campo determinado e restrito da consciência.
Dispersa: Espalhada, sem delimitações claras.
Atenção Concentrada vs. Difusa
Concentrada: Focar em certo estímulo ou grupo de estímulos e manter-se na situação ou tarefa a ser realizada durante o tempo decorrido.
Difusa: Mudar o foco de um objeto para o outro.
Atenção Seletiva vs. Dividida
Seletiva: Processos que permitem ou facilitam selecionar dados, informações e características relevantes ao sujeito e ao processo cognitivo.
Dividida: Permite a realização de mais de uma atividade ao mesmo tempo, tendo a atenção dirigida a todas elas.
Atenção Alternada vs. Sustentada
Alternada: Alternar o foco de atenção entre mais de um estímulo eficazmente.
Sustentada: Capacidade de manter a atenção, por longo período, em alguma atividade.

Semiotécnicas para Avaliação da Orientação

Exemplos de perguntas utilizadas para avaliar a orientação:

Orientação Temporal

  • Que dia é hoje? Qual o dia da semana? Qual o dia do mês?
  • Em que mês estamos? Em que ano estamos?
  • Qual a época do ano (começo, meio ou fim do ano)?
  • Aproximadamente que horas são agora?

Nota: Sujeitos com baixa escolaridade (menos de oito anos) podem, eventualmente, apresentar dificuldades na orientação temporal e, sobretudo, nas noções de duração e continuidade temporal.

Orientação Espacial

  • Onde estamos? Como se chama a cidade em que estamos? E o bairro?
  • Qual o caminho e quanto tempo leva para vir de sua casa até aqui?
  • Que edifício é este (hospital, ambulatório, consultório, etc.) em que estamos? Em que andar estamos?

Orientação Autopsíquica

  • Quem é você? Qual o seu nome?
  • O que faz? Qual a sua profissão?
  • Quem são seus pais? Qual a sua idade (verificar a idade real do paciente)?
  • Qual o seu estado civil?

Anormalidades da Atenção

Hipoprosexia
Diminuição global da atenção. Verifica-se perda básica da capacidade de concentração, com fatigabilidade aumentada, dificultando a percepção de estímulos ambientais e a compreensão. As lembranças tornam-se mais difíceis e imprecisas, e há dificuldade crescente em atividades psíquicas complexas (pensar, raciocinar, integrar informações).
Aprosexia
Total abolição da capacidade de atenção, independentemente da força ou variedade dos estímulos utilizados.
Hiperprosexia
Estado de atenção exacerbada, no qual há uma tendência incoercível a obstinar-se, a deter-se indefinidamente sobre certos objetos com surpreendente infatigabilidade.
Distração
Sinal de superconcentração ativa da atenção sobre determinados conteúdos ou objetos (o indivíduo está concentrado em algo interno, parecendo distraído externamente).
Distrabilidade
Estado patológico que se exprime por instabilidade marcante e mobilidade acentuada da atenção voluntária, com dificuldade ou incapacidade para fixar-se ou deter-se em qualquer coisa que implique esforço produtivo.

Definição dos Tipos de Orientação

Orientação Autopsíquica
Orientação do indivíduo em relação a si mesmo. Revela se o sujeito sabe quem é: seu nome, idade, profissão, estado civil, com quem mora, etc.
Orientação Alopsíquica
Capacidade de orientar-se em relação ao mundo, isto é, quanto ao espaço (orientação espacial ou topográfica) e quanto ao tempo (orientação temporal).

Quadros Associados a Alterações na Memória de Curto Prazo

  • Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH)
  • Lesões cerebrais adquiridas acometendo os lobos frontais ou parietais, como:
    • Traumatismo Cranioencefálico (TCE)
    • Acidente Vascular Cerebral (AVC)
    • Tumores
  • Doenças neurodegenerativas (ex: demência frontotemporal e vascular)
  • Transtornos psiquiátricos (ex: depressão, ansiedade e transtorno afetivo bipolar)
  • Distúrbios e alterações nos padrões de sono (insônia e hipersonia)
  • Fadiga e exaustão (física e mental)

Condições Associadas a Alterações de Orientação Temporal

  • Desorientação por redução do nível de consciência
  • Desorientação por déficit de memória imediata e recente
  • Desorientação apática ou abúlica
  • Desorientação delirante
  • Desorientação por déficit intelectual
  • Desorientação por dissociação
  • Desorientação por desagregação
  • Desorientação quanto à própria idade

Fases e Processos da Memória (Teoria Clássica)

A memória é definida como a capacidade de codificar, armazenar e evocar as experiências, impressões e fatos que ocorrem em nossas vidas.

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