Fundamentos Essenciais da Patologia Geral

Classificado em Medicina e Ciências da Saúde

Escrito em em português com um tamanho de 13,4 KB

Conceitos Fundamentais em Patologia

Patologia

Estudo das alterações estruturais, bioquímicas e funcionais nas células, tecidos e órgãos, visando explicar os mecanismos através dos quais surgem os sinais e sintomas das doenças.

Saúde

É "um estado de completo bem-estar físico, mental e social e não apenas a ausência de doença ou enfermidade".

Doença

Caracteriza-se como um conjunto de sinais e sintomas específicos que afetam o indivíduo, alterando o seu estado normal de saúde.

Homeostasia

Condição de relativa estabilidade da qual o organismo necessita para realizar suas funções adequadamente, garantindo o equilíbrio do corpo.

Lesão e Morte Celular

Necrose

Lesão celular irreversível e eventual morte celular. Ocorre devido a processos patológicos quando a agressão é intensa o suficiente para interromper as funções vitais, geralmente causada por um estímulo nocivo vindo de fora da célula.

Apoptose (Morte Celular Programada)

É um tipo de morte celular irreversível em que o corpo elimina células potencialmente agressivas ou que já tenham cumprido sua função, sem causar danos ao corpo. Esse processo ocorre de forma ordenada e demanda energia.

Inflamação

Definição de Inflamação

É uma resposta do nosso organismo contra um agente agressor (químico, físico ou biológico). Seu objetivo é eliminar esse agressor. A inflamação só cessará quando atingir esse objetivo.

A inflamação é uma síndrome que se apresenta com alterações imunológicas, bioquímicas e fisiológicas, produzindo no local agredido:

  • Aumento do fluxo sanguíneo e da permeabilidade vascular;
  • Recrutamento leucocitário;
  • Liberação de mediadores químicos pró-inflamatórios.

Sinais Cardinais da Inflamação

  • Dor
  • Calor
  • Rubor (Vermelhidão)
  • Edema (Inchaço)
  • Perda de função

Inflamação Aguda

Caracterizada por:

  • Dilatação dos vasos e aumento do fluxo sanguíneo;
  • Aumento da permeabilidade da microvasculatura;
  • Migração dos leucócitos da microcirculação, seu acúmulo no foco de lesão e sua ativação para eliminar o agente agressor.

Inflamação Crônica

Pode durar vários dias, meses ou anos, onde se tem a destruição do tecido e a tentativa de reparar os danos, simultaneamente.

Inflamação Crônica Granulomatosa

É um tipo de inflamação crônica que ocorre quando o sistema imunológico reage a agentes agressores difíceis de eliminar.

Classificação dos Agentes Agressores

  • Não Imunogênicos: Ocorre por substâncias inertes (corpo estranho); não há resposta mediada por células T.
  • Imunogênicos: Causado por microrganismo difícil de ser eliminado, que suscitam uma resposta imunológica.

Distúrbios Circulatórios

O Sistema Circulatório

É o conjunto de órgãos responsáveis pela distribuição de nutrientes para as células e coleta de suas excretas metabólicas para serem eliminadas por órgãos excretores. Os principais atores no sistema cardiovascular são: sangue, coração e vasos sanguíneos.

O Coração

É formado por duas câmaras superiores, os átrios, e duas câmaras inferiores, os ventrículos.

  • Átrios: Funcionam como câmaras coletoras, recebendo o sangue que vem de diversas partes do corpo.
  • Ventrículos: São responsáveis por garantir o bombeamento do sangue para outros locais, sendo, portanto, câmaras bombeadoras.

Forças que Mantêm o Fluxo Sanguíneo Unidirecional

  • Contração do coração;
  • Ação dos músculos esqueléticos no retorno venoso;
  • Valvas atrioventriculares, ventriculoarteriais e venosas.

Forças que Influenciam o Fluxo Sanguíneo

  • Viscosidade do sangue: Sangue mais viscoso (mais espesso) reduz a velocidade do fluxo sanguíneo.
  • Resistência periférica: Resistência oferecida pelos vasos sanguíneos, especialmente em áreas mais distantes do coração, que dificulta o fluxo.
  • Fluxo laminar: Movimento do sangue em camadas suaves e paralelas, com menos resistência e mais eficiência no transporte.
  • Estrutura vascular: A arquitetura dos vasos sanguíneos (diâmetro, elasticidade e ramificações) influencia o fluxo e a pressão.

Lei de Poiseuille

Explica como um líquido (como água ou sangue) flui através de um tubo estreito (como um vaso sanguíneo). A principal ideia é que quanto maior a diferença de pressão entre o início e o fim do tubo, mais rápido o líquido flui. Fatores como o diâmetro e o comprimento do tubo, e a viscosidade do líquido, influenciam diretamente a resistência e a velocidade do fluxo.

Principais Distúrbios Circulatórios

Edema

Acúmulo excessivo de líquido no compartimento intersticial, resultante de um desequilíbrio entre as forças que regulam a troca de fluidos nos capilares. Pode ser causado por:

  • Aumento da pressão hidrostática;
  • Diminuição da pressão oncótica plasmática;
  • Aumento da permeabilidade capilar;
  • Obstrução do fluxo linfático.

Esse processo pode levar ao inchaço dos tecidos e está associado a diversas condições patológicas.

Classificação do Edema

  • Localizado: Afeta uma área específica do corpo.
  • Sistêmico: Afeta o corpo como um todo.

Tipos de Fluido

  • Transudato: Líquido claro e de baixa proteína que se acumula devido a alterações na pressão hidrostática ou oncótica.
  • Exsudato: Líquido rico em proteínas e células inflamatórias.

Hemorragia

Extravasamento de sangue do sistema vascular para fora dos vasos sanguíneos, que pode ocorrer devido a lesão, ruptura ou falha na coagulação. Esse processo pode levar a uma perda significativa de sangue, resultando em efeitos fisiológicos variados.

Tromboembolismo

É uma condição que ocorre quando se forma um coágulo de sangue (trombo) em um vaso sanguíneo, o que pode prejudicar o fluxo sanguíneo e causar complicações graves.

Tipos de Tromboembolismo

  • Trombose Venosa Profunda (TVP): O coágulo se forma em uma veia profunda, geralmente nos membros inferiores. Os sintomas incluem inchaço, vermelhidão e dor.
  • Tromboembolismo Pulmonar (TEP): O coágulo se desloca pela corrente sanguínea e se aloja nas artérias do pulmão, dificultando a oxigenação do sangue. Os sintomas incluem dor ao respirar e falta de ar.

Fatores Causadores (Tríade de Virchow)

  • Estase sanguínea: Fluxo sanguíneo lento ou interrompido.
  • Lesão do endotélio vascular.
  • Hipercoagulabilidade: Aumento da propensão do sangue a coagular.

Fatores de Risco para o Desenvolvimento de Tromboembolismo

  • Falta de mobilidade (ficar muito tempo sentado ou em pé);
  • Uso de anticoncepcionais;
  • Tabagismo;
  • Viagens longas, principalmente aéreas;
  • Pós-operatório.

Formas de Tratamento e Prevenção

O tratamento inclui anticoagulantes para prevenir a formação de novos coágulos, trombolíticos para dissolver coágulos existentes e, em casos mais graves, intervenções cirúrgicas. A prevenção é importante para pessoas com fatores de risco e pode envolver medidas como o uso de meias de compressão, mobilização precoce após cirurgias e o uso profilático de anticoagulantes.

Distúrbios da Pigmentação

São alterações na cor dos tecidos devido a depósitos ou ausência de pigmentos, normalmente causados por acúmulo de substâncias derivadas do sangue ou por falhas na remoção de resíduos celulares. Esses distúrbios podem ser classificados em dois tipos principais:

Pigmentação Exógena

É causada pela introdução de substâncias pigmentadas externas no corpo, como tatuagens ou acúmulo de partículas de carbono em doenças respiratórias, como a antracose (acúmulo de carbono nos pulmões devido à inalação de poeira, comum em trabalhadores expostos à fuligem).

Pigmentação Endógena

Decorre de alterações nos pigmentos normalmente produzidos pelo corpo, como hemoglobina, bilirrubina e melanina.

  • Hemossiderose: Acúmulo de hemossiderina, um pigmento resultante da degradação da hemoglobina, geralmente relacionado à hemorragia repetida ou destruição excessiva de glóbulos vermelhos.
  • Icterícia: Aumento de bilirrubina no sangue, resultando na coloração amarelada da pele e mucosas, frequentemente associada a problemas hepáticos ou obstrução biliar.
  • Melanose: Deposição anormal de melanina, geralmente em resposta a processos inflamatórios ou tumores, causando escurecimento localizado da pele ou mucosas.

Distúrbios do Crescimento e do Desenvolvimento

Alterações anormais na formação, crescimento ou estrutura dos vasos sanguíneos e tecidos associados ao sistema vascular. Esses distúrbios podem ocorrer durante o desenvolvimento embrionário ou se manifestar mais tarde na vida devido a doenças ou condições patológicas. Eles podem afetar a estrutura e a função dos vasos sanguíneos e tecidos que dependem de um suprimento adequado de sangue.

  • Agenesia: A ausência de um órgão ou vaso sanguíneo devido à falha no desenvolvimento durante a embriogênese. Isso pode comprometer a circulação em áreas específicas do corpo.
  • Hipoplasia: Refere-se ao desenvolvimento incompleto ou subdesenvolvimento de vasos sanguíneos. Pode resultar em fluxo sanguíneo inadequado para determinadas regiões, levando à má nutrição tecidual.
  • Hiperplasia: Caracteriza-se pelo crescimento excessivo de células em um vaso ou tecido, podendo levar ao espessamento das paredes dos vasos e reduzir o fluxo sanguíneo.
  • Aneurismas: Dilatações anormais de uma parte do vaso sanguíneo devido ao enfraquecimento de sua parede, que podem resultar em ruptura e hemorragias graves.
  • Displasias vasculares: Alterações na estrutura dos vasos, levando a malformações vasculares. Essas displasias podem ser congênitas e causar complicações no fluxo sanguíneo e no desenvolvimento de órgãos.

Carcinogênese e Tumores

Carcinogênese

Processo de formação do câncer, no qual células normais sofrem alterações genéticas e epigenéticas que resultam em crescimento descontrolado, perda de função e invasão de tecidos vizinhos. Esse processo é desencadeado por uma combinação de fatores ambientais, genéticos e comportamentais que alteram o DNA das células. A carcinogênese geralmente ocorre em várias etapas, desde mutações iniciais até a formação de tumores.

Teorias da Carcinogênese

  • Teoria Genética: Propõe que o câncer surge devido a mutações em genes específicos, como os oncogenes (que promovem a proliferação celular) e os genes supressores tumorais (que normalmente inibem o crescimento celular). Quando esses genes são alterados, o controle do ciclo celular é perdido.
  • Teoria Epigenética: Sugere que mudanças nas modificações químicas do DNA, sem alterar a sequência genética, também podem desencadear o câncer. Isso inclui a metilação do DNA e modificações nas histonas, que regulam a expressão de genes associados ao crescimento celular.
  • Teoria da Evolução Clonal: Afirma que o câncer se desenvolve a partir de uma única célula que adquire mutações vantajosas e se expande clonando-se, com células filhas acumulando novas mutações ao longo do tempo, tornando o tumor mais agressivo.
  • Teoria dos Estresses Ambientais: Sugere que fatores como radiação, substâncias químicas, vírus e inflamações crônicas danificam o DNA e promovem o desenvolvimento do câncer.

Classificação dos Tumores

  • Tumores Benignos: São massas celulares que crescem de forma controlada e não invadem tecidos vizinhos nem metastatizam (não se espalham para outras partes do corpo). Eles geralmente têm limites bem definidos, crescem de forma lenta e raramente representam uma ameaça à vida. Exemplos incluem lipomas e adenomas.
  • Tumores Malignos: Caracterizam-se pelo crescimento descontrolado, capacidade de invasão local e potencial para metastatizar (espalhar-se para outras áreas do corpo). Eles não têm fronteiras definidas, crescem rapidamente, destroem tecidos adjacentes e podem levar à morte se não forem tratados. Os cânceres de mama, pulmão e pele são exemplos de tumores malignos.

Essas classificações são essenciais para determinar o tratamento e o prognóstico do paciente. Enquanto tumores benignos podem ser removidos cirurgicamente com baixo risco de recorrência, os tumores malignos geralmente requerem tratamentos mais agressivos, como quimioterapia e radioterapia.

Entradas relacionadas: