Fundamentos de Periodontia: Diagnóstico, Trauma e Terapia

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1) Antibióticos e Instrumentalização Mecânica Subgengival

O uso de antibióticos para controle do biofilme subgengival deverá ser sempre acompanhado de instrumentalização mecânica. Esta afirmação está correta? Justifique.

Resposta: Sim. A terapia antibiótica é sempre coadjuvante à terapia mecânica (instrumentalização). O antibiótico não substitui a remoção física do biofilme e do cálculo, sendo utilizado apenas como auxílio quando a terapia mecânica não foi suficiente ou em casos específicos.

2) Trauma Oclusal e Periodonto: Glickman vs. Waerhaug

Muitos estudos têm tentado estabelecer os efeitos do trauma oclusal no periodonto. Contextualize os resultados obtidos nos estudos de autópsias humanas, segundo Glickman e Waerhaug, e seu impacto clínico em Periodontia.

Resposta:

  • Glickman: Defendia que o trauma oclusal era um fator etiológico primário que causava a doença periodontal. O tratamento preconizado era o ajuste oclusal.
  • Waerhaug: Defendia que a placa bacteriana era a causa primária da doença periodontal. O tratamento principal é o controle de placa realizado pelo paciente e pelo profissional. A visão de Waerhaug é a mais aceita atualmente.

3) Etiologia da Doença Periodontal Destrutiva

Disserte sobre a frase: “As bactérias são causa necessária, mas não suficientes para a doença periodontal destrutiva”.

Resposta: Sim, a afirmação está correta. A doença periodontal é de natureza multifatorial. Embora as bactérias sejam essenciais (causa necessária), a progressão destrutiva depende da interação com outros elementos, como:

  • Fatores de risco (ex: tabagismo, diabetes).
  • Resposta e defesa do hospedeiro (imunidade).

4) Parâmetros de Diagnóstico: Gengivite vs. Periodontite

Quais os parâmetros que determinam o diagnóstico de gengivite associada à placa e periodontite crônica?

  • Gengivite Associada à Placa: Presença de inflamação e Sangramento à Sondagem (SS+), sem perda de inserção clínica.
  • Periodontite Crônica: Presença de Profundidade de Sondagem (PS) aumentada, Sangramento à Sondagem (SS+) e, crucialmente, Perda de Inserção Clínica (PIC).

5) Exame Intermediário na Terapia Periodontal

Justifique o motivo e o momento da realização do exame intermediário em um paciente portador de periodontite crônica.

Resposta: O exame intermediário é realizado após a fase inicial da terapia (Controle de Placa Supragengival e Raspagem Supragengival). Seu objetivo é avaliar a resposta tecidual e a adesão do paciente ao controle de placa. Se houver áreas que não responderam satisfatoriamente, a próxima etapa é a instrumentalização subgengival (RASUB).

6) O Prognóstico Dentário como Processo Dinâmico

Por que o prognóstico de um dente é considerado um processo dinâmico?

Resposta: O prognóstico é dinâmico porque está sujeito a mudanças baseadas em múltiplos fatores que evoluem ao longo do tempo:

  • Resposta biológica do organismo do paciente.
  • Adesão e eficácia do controle de placa realizado pelo paciente.
  • Qualidade do tratamento realizado pelo profissional.
  • Eficácia do programa de manutenção periodontal (programa mediato e imediato).

7) Tratamento da Periodontite Crônica Persistente

Como tratamos a periodontite crônica quando o paciente não apresenta cálculo subgengival visível, mas a doença persiste?

Resposta: Deve-se fazer uma nova intervenção com deplacagem subgengival. Se não houver melhora, a sequência de re-intervenção é:

  1. Nova Raspagem e Alisamento Radicular Subgengival (RASUB).
  2. Acesso cirúrgico (para visualização direta).
  3. Uso de antibioticoterapia coadjuvante (se indicado).

8) Profundidade de Sondagem (PS) e Inflamação

Por que a Profundidade de Sondagem (PS) é considerada um parâmetro inflamatório?

Resposta: A inflamação tecidual ativa gera edema gengival. Esse edema faz com que a margem gengival se desloque coronalmente, aumentando a Profundidade de Sondagem (PS). Por essa razão, a PS é um parâmetro inflamatório e não é o mais confiável para medição da severidade da doença periodontal, mas sim a perda de inserção clínica.

10) Controle Químico Coadjuvante

Cite o agente químico para uso contínuo e por tempo indeterminado:

  1. Na forma de dentifrício: Fluoreto Estanoso.
  2. Na forma de colutório: Cloreto de Cetilpiridínio (CPC).

11) Fluido Crevicular Gengival (FCG) e Inflamação

Por que podemos afirmar que há associação entre o Fluido Crevicular Gengival (FCG) e o grau de sensibilidade na detecção de atividade inflamatória periodontal?

Resposta: O FCG está sempre presente no sulco gengival, mesmo em condições de saúde, atuando na limpeza local. No entanto, quando há inflamação (supra e/ou subgengival), a permeabilidade vascular aumenta, resultando em um aumento do volume do FCG. A medição desse volume permite quantificar a intensidade da resposta inflamatória periodontal, tornando-o um indicador sensível da atividade da doença.

12) Trauma de Oclusão e Migração Apical

Baseado na literatura, justifique o motivo pelo qual o trauma de oclusão não modifica a progressão da doença periodontal.

Resposta: O trauma de oclusão, por si só, não modifica a progressão da doença periodontal porque não causa a migração apical do epitélio juncional. Estudos clássicos (como os realizados em macacos) demonstraram que dentes com periodontite, quando submetidos a forças oclusais traumáticas, não apresentaram pior evolução da perda de inserção em comparação com dentes não submetidos a trauma.

13) Sondagem de Lesões de Furca em Pré-Molares Superiores

“Tratamos a lesão de furca de todos os pré-molares superiores sondando por palatino e por vestibular”. Qual sua posição frente a afirmação acima? Justifique.

Resposta: A afirmação está incorreta.

  • Apenas os primeiros pré-molares superiores (e ocasionalmente o segundo) podem apresentar furca.
  • A anatomia desse dente é birradicular (uma raiz vestibular e uma palatina).
  • As entradas de furca estão localizadas nas faces mesial e distal. Portanto, a sondagem deve ser realizada por mesial e distal, e não por vestibular e palatino.

14) Medicamentos que Causam Aumento Gengival

Cite três medicações que podem interferir na expressão clínica da gengivite, levando ao aumento de volume gengival.

Resposta:

  • Nifedipina (bloqueador de canal de cálcio).
  • Ciclosporina (imunossupressor).
  • Fenitoína (anticonvulsivante).

15) Efeitos do Laser nos Tecidos Peri-implantares

Descreva os efeitos do uso do laser nos tecidos peri-implantares.

Efeitos Gerais:

  • Analgésico.
  • Anti-inflamatório e Antiedematoso.
  • Cicatrizante.

Efeitos Específicos:

  • Nos vasos sanguíneos: Aumento da dilatação e do fluxo sanguíneo.
  • Nos tecidos gengivais: Aumento do fluido crevicular e ativação da circulação local.

16) Periodonto Reduzido e Trauma de Oclusão

De que forma um periodonto saudável, porém reduzido, responde perante a um trauma de oclusão?

Resposta: Responde da mesma forma que um periodonto íntegro (sem perda de inserção), pois o trauma de oclusão não atua nas fibras supracristais e não causa migração apical do epitélio juncional.

Sinais Agudos do Trauma Oclusal (Sem Inflamação)

  • Perda de colágeno do ligamento periodontal.
  • Reabsorção óssea e cementária.
  • Aumento do espaço do ligamento periodontal.
  • Não há migração do epitélio juncional.

Trauma Oclusal e Recessão Gengival

Não existe relação direta entre trauma oclusal e recessão gengival, pois o trauma não tem a capacidade de atuar sobre o epitélio juncional e o ligamento supracristal.

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