Fundamentos da Qualidade: Definições, Evolução e Certificação
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1. Definições de Qualidade
- Dicionário: Propriedade ou propriedades inerentes a uma coisa que permite apreciá-la como boa, melhor ou pior que as de sua espécie.
- Juran: Adaptação dos produtos ou serviços para a utilização a que se destinam.
- Crosby: Conformidade com os requisitos definidos do produto ou serviço.
- Deming: A qualidade atende às necessidades e expectativas dos clientes.
- UNE-EN-ISO 9000: Qualidade é o grau no qual um conjunto de características inerentes satisfaz as necessidades e expectativas definidas, que são muitas vezes implícitas ou estatutárias (legais).
Sinônimo coloquial: "bom".
Todas essas definições são diferentes, mas concordam em um ponto crucial: um produto, serviço, etc., é de "qualidade" se obedece a determinados requisitos que são esperados pelos usuários em potencial. Ou seja, esta referência de qualidade é geralmente definida em um relacionamento cliente-fornecedor, em que o primeiro "mede" de alguma forma em que medida o produto ou serviço atende às suas necessidades e especificações.
A qualidade, portanto, não significa que tudo está "perfeito", mas que está adaptado a níveis previamente aceitáveis pelos potenciais clientes ou usuários.
2. Evolução do Conceito de Qualidade
A evolução do conceito de qualidade pode ser resumida nas seguintes etapas:
- Responsabilidade Pessoal: Qualidade do artesão.
- Inspeção de Qualidade: Foco na norma.
- Garantia da Qualidade: Assegurar que a norma é cumprida.
- Qualidade Total (TQM): Envolve todos os processos e todas as pessoas.
3. Satisfação do Cliente
Para alcançar a satisfação do cliente, são necessários os seguintes passos:
- Identificar clientes.
- Conhecer as suas necessidades.
- Comparar o seu nível de satisfação.
4. Evolução Histórica dos Sistemas de Garantia de Qualidade
A qualidade começa com o modelo de produção artesanal, onde o artesão realizava o trabalho e controlava a qualidade do seu próprio produto.
No início do período industrial, começaram a ser realizadas inspeções de produtos manufaturados, que consistiam em uma verificação de cem por cento (100%) tanto das matérias-primas (que frequentemente não atendiam às especificações) quanto dos produtos acabados, para garantir um produto correto.
Posteriormente, o controle evoluiu para técnicas de inspeção mais avançadas e incorporou outros procedimentos operacionais.
5. Política Industrial de Qualidade e Entidades Reguladoras
A política industrial de qualidade é definida por organismos como o CEN (Comité Europeu de Normalização) e o CENELEC (Comité de Normalização Eletrotécnica).
Entidades de Certificação e Verificação em Espanha
AENOR (Associação Espanhola de Normalização e Certificação)
Surgiu como uma iniciativa do setor industrial privado e foi reconhecida pelo Ministério da Indústria em fevereiro de 1986. Dentre os trabalhos realizados pela AENOR, destacam-se:
- O desenvolvimento de normas técnicas espanholas UNE e participação em ISO e CEN.
- A certificação de produtos, empresas e serviços.
- A disseminação da cultura da qualidade.
- A distribuição e venda de normas UNE e ISO.
- A organização de cursos e seminários.
A AENOR foi acreditada pela ENAC (Entidade Nacional de Acreditação).
Como organismo de normalização, é membro fundador da IQNet (International Quality Network) e membro da ISO, CEN, CENELEC, ETSI e IEC (International Electrotechnical Commission) e GEN (Global Ecolabelling Network).
Para a unificação de testes, certificação de conformidade, métodos de inspeção, procedimentos e garantia de qualidade, foi criado o EOTC (Organização Europeia para Ensaios e Certificação), com as suas comissões especializadas setoriais.
O CEC (Western European Cooperation for Calibration), com sua variante espanhola SCI (Serviço de Calibração Industrial), visa harmonizar a calibração. Sua finalidade é a calibração dos instrumentos de medição (o SCI concede certificados de calibração).
RELAY (Rede Espanhola de Laboratórios de Ensaio)
É capaz de obter certificações, inspeções, ensaios e calibrações.
AENICRE (Associação Nacional das Instituições de Inspeção de Regulação e Controle)
Sua função é regular as atividades de inspeção e acompanhamento exigidas pelos diversos regulamentos relativos à segurança de produtos, equipamentos e instalações industriais.
6. Planos Europeus de Qualidade
Em 1985, foi lançado o Livro Branco da CEE, que estabeleceu as linhas de ação necessárias para alcançar o mercado livre, objetivo inicial da Comunidade Económica Europeia.
Isto levou à criação de normas europeias únicas em toda a Comunidade. Estas regras são chamadas de normas EN e são desenvolvidas pelos organismos CEN e CENELEC.
No caso de normas nacionais que também sejam úteis para toda a União, é-lhes atribuído o estatuto de Documento Harmonizado (HD), que se equipara à norma europeia. Durante o tempo que a norma europeia demora a entrar em vigor, a validade da aplicação do Documento Harmonizado (HD) é a mesma que a das normas europeias.
Em 1991, foi publicado o Livro Verde da normalização, que marcou as linhas de ação a nível comunitário e em países terceiros. Também promoveu a criação dos regulamentos necessários para o quadro internacional, visando facilitar o comércio mundial.
7. Política da Qualidade em Espanha
Em Espanha, como membro da Comunidade Europeia, o então Ministério da Indústria e Energia (MINER) desenvolveu uma política de qualidade alinhada com os princípios europeus, visando que a indústria nacional implementasse sistemas de garantia de qualidade.
Esta política foi incorporada no Plano Nacional da Qualidade Industrial, cujos objetivos eram melhorar a competitividade da indústria através do aumento da qualidade nas organizações empresariais e de produtos, fornecendo apoio financeiro e assessoria. O âmbito destes planos cobria tanto o setor público quanto o privado:
- Plano I de Qualidade Industrial: Vigorou de 1990 a 1993.
- Plano II de Qualidade Industrial: Vigorou entre 1994 e 1997. Promoveu o estabelecimento de sistemas de garantia de qualidade, com impacto também na gestão ambiental, e incentivou a divulgação de questões relativas à qualidade e segurança.
Iniciativa ATYCA
Posteriormente, o Ministério da Ciência e Tecnologia lançou a iniciativa ATYCA, válida de 1997 a 1999. Esta iniciativa tinha como objetivos a promoção da qualidade e segurança, bem como a inovação tecnológica e o design, para alcançar maior competitividade das empresas.
Em relação à qualidade industrial, a ATYCA visava, em especial:
- Apoiar a implementação de sistemas de gestão da qualidade e segurança.
- Reforçar a competitividade das empresas nacionais e aumentar o número de empresas acreditadas e produtos certificados.
- Incentivar o desenvolvimento de procedimentos e o reconhecimento mútuo de certificados de acreditação a nível nacional e internacional.
O objetivo destas medidas era estabelecer cada vez mais a cultura da qualidade na empresa espanhola, com especial referência às PME (Pequenas e Médias Empresas). Além disso, visava aumentar a difusão de informações sobre qualidade, desenvolver progressivamente uma infraestrutura de qualidade e melhorar a qualidade dos produtos e das empresas.
8. Certificações e Normalização
Para avaliar o cumprimento dos requisitos de qualidade na empresa e nos produtos, é necessário estabelecer um padrão de referência comum.
A norma é um documento público elaborado para regulamentar uma determinada atividade e deve ter a aprovação de um organismo legalmente reconhecido.
As normas podem abranger diversos tipos de produtos e atividades, como:
- Sistemas de teste.
- Garantia da Qualidade.
- Materiais.
- Nomenclaturas.
- Produtos de todos os tipos.
- Requisitos de segurança.
As regras de origem espanhola são designadas pela sigla UNE (Uma Norma Espanhola) e são desenvolvidas e aprovadas pela AENOR.
Em muitas ocasiões, algumas normas UNE são traduções de normas estrangeiras, caso em que a numeração indica a equivalência entre elas. Atualmente, existe uma unificação de nomenclaturas, e hoje a designação da ISO 9000 em Espanha é UNE-EN-ISO 9000.
No quadro destas regras, uma empresa ou organização pode requerer o reconhecimento de que a empresa ou os seus produtos estão em conformidade com as orientações definidas. Este reconhecimento pode ser de vários tipos:
- Certificação de sistemas (ex: ISO 9001).
- Certificação de produtos.
- Certificação de pessoal.
Organismos de Certificação em Espanha
Em Espanha, a certificação pode ser concedida por vários organismos acreditados para o efeito. O mais conhecido é AENOR, mas existem outros, como:
- AENOR
- BVQI (Bureau Veritas Quality International)
- LRQA (Lloyd's Register Quality Assurance)
- DNV (Det Norske Veritas)
- SGS ICS Ibérica
- AHE
- TÜV Serviço de Produto
- TÜV Rheinland
- IVAM
- LGAI
- BSI (British Standards Institution)
9. Processo de Certificação de Sistemas (ISO 9000)
Apesar do grande desenvolvimento das normas de qualidade, a sua aplicação não é obrigatória, nem externamente (relacionamento com o cliente) nem internamente (dentro da empresa ou organização).
No entanto, se uma empresa, por necessidade ou voluntariamente, quiser obter o reconhecimento oficial de que segue um sistema de garantia de qualidade adequado para o seu tipo de atividade (de acordo com a norma ISO 9000), deve submeter-se a uma série de testes ou auditorias externas, realizadas por um organismo imparcial, que avaliará o grau de cumprimento.
Etapas do Processo de Certificação
- Solicitação (SI)
- Estudo da documentação
- Visita inicial / Auditoria prévia
- Avaliação (Auditoria)
- Plano de Ação Corretiva (Se necessário: NÃO)
- Assinatura do Contrato de Concessão
- Emissão do Certificado
- Auditoria Extraordinária (Monitoramento periódico)