Galiza e a Lusofonia: Uma Perspectiva Histórica
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Galiza e a Lusofonia
Em 1249, as fronteiras de Portugal no continente europeu estabilizaram-se de forma quase idêntica à que conhecemos hoje. Pareceria que nada de importante aconteceu nos séculos que decorreram desde então. Porém, nada mais longe da realidade. A partir de 1415, Portugal iniciou uma expansão através do mar, conquistando territórios em todos os continentes e multiplicando a sua área por mais de cem vezes - o primeiro dos impérios coloniais da era dos descobrimentos (Ceuta, Açores, África, Brasil e Ásia).
Mas para todos os territórios que Portugal colonizou, afinal chegou a descolonização. Alguns territórios foram trocados em tratados, como Filipinas ou Uruguai; outros anexados por outras nações, como Goa ou Macau; e outros independentizados, como o Brasil na década de 1820 e o resto na década de 1970.
Seis séculos depois, a nação portuguesa retornou ao ponto de partida. Contudo, do contacto com os povos encontrados resultou um forte intercâmbio de produtos, costumes, conhecimentos (medicina, náutica, biologia), bem como interpenetração mais profunda através da miscigenação.
Ademais desse desaparecido Ultramar Português, uma herança ficou: um conjunto de povos de todo o mundo, cá e lá, nos que a língua e cultura portuguesas arraigaram para sempre. Essa é a Lusofonia, países em que o português é língua oficial: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste. Noutras regiões, o português é língua cooficial: Goa (Índia) e Macau (China). Estes países, com os respetivos núcleos de emigrantes, fazem do idioma português uma das línguas mais faladas do mundo, constituindo uma comunidade de cerca de 240 milhões de pessoas.
A Lusofonia pode ser também a plataforma a partir da qual os povos que hoje falam português se poderão aproximar e ampliar o âmbito e ação da CPLP.
Amparado na tradicional corrente científica dos grandes filólogos romanistas que afirmam serem o galego e o português dois dialetos do mesmo idioma ou um diassistema linguístico (galego-português), o movimento reintegracionista galego defende o ingresso da Galiza na CPLP e que a salvação do galego passa por se reintegrar no espaço lusófono.
Todas as normas presentes e passadas do galego olharam para o português, já fora para se afastar dele ou bem para o contrário. Porém, quando até os mais isolacionistas reconhecem que o galego é uma língua útil para se comunicar com mais de 250 milhões de pessoas, é evidente que não querem dizer que o galego tenha tal número de falantes. Portanto, há um reconhecimento implícito da continuidade do galego-português.
Bem parece que a grande maioria das pessoas que tem interesse na questão do galego reconhece que o galego tem que fazer parte da Lusofonia, seja isto dito claramente ou simplesmente insinuado. Neste contexto, é de notar que a Academia Galega da Língua Portuguesa tem já a sua autoridade reconhecida pela CPLP, com o estatuto de Observador Consultivo.
E à Lusofonia convém que o galego faça parte dela? A resposta tem que vir da própria Lusofonia. Até agora há nomeadamente desconfiança, temor (a uma eventual reação da Espanha se o galego fizesse parte de uma "Instituição" estrangeira) e desconhecimento. Porém, esperemos que as coisas mudem em breve.