Genética, Hereditariedade e o Sistema Nervoso Humano

Classificado em Psicologia e Sociologia

Escrito em em português com um tamanho de 8,12 KB

1. Genética e Hereditariedade

Óvulo + Espermatozoide = Ovo ou Zigoto. Os cromossomas (dupla cadeia em espiral de ADN) são constituídos por ADN e proteínas, sendo responsáveis pela transmissão de informação hereditária de geração em geração. A espécie humana tem 23 pares de cromossomas: 22 pares são comuns aos dois sexos; o par 23 — o par de cromossoma sexual — é distinto nos dois sexos: homem (XY) e mulher (XX). O ADN é uma substância química constituída por quatro bases: a adenina (A), a timina (T), a citosina (C) e a guanina (G). Os genes são segmentos de um cromossoma a que corresponde um código distinto, uma informação para produzir uma determinada proteína ou controlar uma característica; um cromossoma contém vários genes, responsáveis por todas as características físicas do indivíduo.

2. Tipos de Hereditariedade

Hereditariedade específica: informação genética responsável pelas características comuns a todos os indivíduos da mesma espécie, determinando a constituição física e alguns comportamentos. Hereditariedade individual: informação genética responsável pelas características de um indivíduo e que o distingue de todos os outros; é o que torna um ser único. Todos temos a mesma hereditariedade específica — que nos torna humanos — e todos temos diferente hereditariedade individual — que nos torna únicos.

3. Genótipo e Fenótipo

Genótipo: constituição genética do indivíduo, o conjunto das determinações genéticas herdadas e que podem, ou não, exprimir-se conforme as características do meio em que se desenvolve (ex.: nervos, calma); é a coleção de genes recebidos aquando da conceção; o projeto genético. Fenótipo: conjunto de características observáveis; resulta da interação entre o genótipo e o meio ambiente onde o indivíduo se desenvolve. A aparência é determinada pelo genótipo (património hereditário) e pelo meio ambiente, que inclui todas as condições: alimentares, socioeconómicas, socioculturais, climáticas, etc. A pessoa resulta de fatores hereditários e ambientais.

4. Influência do Meio Intrauterino

A partir da fecundação, tudo o que acontece na gravidez influencia o desenvolvimento. O meio intrauterino e a genética cruzam-se logo na fecundação. A interação entre hereditariedade e meio pode ser:

  • Boa: pode permitir o desenvolvimento harmónico do potencial genético;
  • Má: pode influenciar negativamente o processo de expressão e desenvolvimento desse potencial.

No meio intrauterino, fatores como má nutrição da mãe, ingestão de substâncias tóxicas, medicamentos, algumas doenças e determinados estados emocionais afetam negativamente o desenvolvimento do feto.

5. Teorias do Desenvolvimento

Teoria Preformista: teoria antiga que só valoriza a genética; defende que o desenvolvimento de um embrião não é mais do que o crescimento de um organismo que estava, à partida, formado. Teoria Epigenética: o desenvolvimento é um processo interativo que compreende influências genéticas e ambientais; valoriza tanto os aspetos hereditários como os ambientais.

6. Filogénese e Ontogénese

Filogénese: conjunto de processos biológicos de transformação que explicam o aparecimento das espécies e a sua diferenciação. Reporta-se ao desenvolvimento da espécie (como um todo). Ontogénese: designa o desenvolvimento e a modificação do indivíduo, desde a fecundação até à morte. Reporta-se ao desenvolvimento individual (pessoal). A ontogénese determina a filogénese, embora a lei da recapitulação diga o contrário. Filogénese + Ontogénese: são duas perspetivas sobre o desenvolvimento. A relação entre elas é que a ontogénese determina a filogénese. São as relações ontogenéticas no processo evolutivo que permitiram a adaptação ao meio ambiente. A filogénese é o resultado de uma série de ontogéneses, isto é, a mutação e seleção natural do indivíduo mais apto.

7. Programas Genéticos

Programa genético fechado: relacionado com os animais; programa determinista, sistema de instinto, especializado e com limitações. São seres vivos totalmente programados (a genética assegura um sistema de instintos que define o desenvolvimento e comportamento). Programa genético aberto: relacionado com a espécie humana; possui caráter flexível, não especializado (vantagem) e versatilidade (consegue fazer muitas coisas). São seres vivos parcialmente programados, não dependentes de um sistema de instintos.

8. Prematuridade e Neotenia

A prematuridade é o inacabamento biológico do ser humano; o facto de, ao nascer, não apresentar as suas competências desenvolvidas (é um ser prematuro). Isto constitui uma vantagem: possibilita uma maior capacidade para aprender e se desenvolver. A neotenia designa o inacabamento biológico do ser humano por um atraso no desenvolvimento que faz com que o indivíduo se desenvolva mais devagar, dependendo durante muito mais tempo dos adultos (para comer, andar, falar, etc.). O processo de desenvolvimento do cérebro está ligado ao retardamento ontogénico, isto é, ao prolongamento do período da infância e da adolescência. Ser neoténico significa ser um animal em que há um prolongamento da morfologia juvenil até à idade adulta. É conhecida por juvenilização. O ser humano tem a capacidade de manter características jovens ao longo da vida.

9. Vantagens do Programa Aberto

O programa genético aberto, a prematuridade do ser humano e a consequente necessidade de continuar a desenvolver-se após o nascimento constituem uma vantagem, porque possibilitam o desenvolvimento de muitas capacidades e competências no contexto das interações sociais.

10. Importância do Cérebro

O cérebro desempenha funções vitais:

  • Recebe informação e transmite-a aos locais apropriados para o seu processamento;
  • Gera emoções e permite que se esteja atento a elas;
  • É a fonte da cognição, da memória, dos pensamentos e da inteligência;
  • A capacidade para falar e entender a fala dos outros provém do cérebro;
  • Controla o ritmo cardíaco, a transpiração, a respiração, a secreção hormonal e o sistema imunitário.

12. Tipos de Neurónios

  • Neurónios aferentes ou sensoriais: são afetados pelas alterações ambientais e ativados pelos vários estímulos com origem no interior ou exterior do organismo. Recolhem e conduzem as mensagens da periferia para os centros nervosos: espinal medula e encéfalo.
  • Neurónios eferentes ou motores: transmitem as mensagens dos centros nervosos para os órgãos efetores (músculos e glândulas), responsáveis pelas respostas. A sua função é, por exemplo, fazer com que um músculo se contraia ou que uma glândula modifique a sua atividade.
  • Neurónios de conexão ou interneurónios: interpretam as informações e elaboram as respostas. Tornam possíveis as funções superiores, como a capacidade intelectual, as emoções e as capacidades comportamentais.

14. Constituição do Sistema Nervoso

O sistema nervoso é constituído por dois tipos de células: neurónios e células gliais. As células gliais:

  • Facultam os nutrientes que alimentam, isolam e protegem os neurónios;
  • Se lesionadas, podem reproduzir-se;
  • Influenciam de forma decisiva a comunicação cerebral, o funcionamento das sinapses e outras funções do sistema nervoso;
  • Têm um papel fundamental no desenvolvimento do cérebro no período fetal e na maturação dos neurónios;
  • Determinam quais os neurónios aptos a funcionar e asseguram a manutenção do ambiente químico circundante.

Entradas relacionadas: