Gestão de desastres, poluição e lixo espacial

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Desastres naturais e a fragilidade do planeta

A Terra nunca foi um lugar totalmente seguro. Quem quer uma vida tranquila, que vá para outro planeta. Tornados, tsunamis, erupções vulcânicas, terremotos e impactos de meteoritos são alguns dos desastres naturais cada vez mais frequentes. Nosso planeta muda constantemente. Mas o que fazer para evitar, minimizar ou ajudar os habitantes deste planeta — até que, se for o caso, possam ser transferidos para outro lugar mais seguro?

A prevenção de determinados riscos, como terremotos, ainda não é plenamente possível para a ciência. No caso dos terremotos, por exemplo, a avaliação e previsão de gatilhos e a correção do momento exato do evento permanecem limitadas; muitas vezes só conseguimos gerir o desastre após sua ocorrência.

Carta Internacional "Space and Major Disasters"

Desde 2000, a Agência Espacial Europeia (ESA) organiza um mecanismo que ajuda a prevenir e, sobretudo, a gerir desastres. A Carta Internacional Espaço e Grandes Catástrofes entrou em vigor em 2000 por iniciativa da ESA. Esta carta reúne informações de várias agências espaciais de todo o mundo para apoiar operações de ajuda de emergência.

As agências espaciais oferecem meios gratuitos de observação por satélite quando a Carta é ativada em caso de incêndios, inundações e outros desastres. Em uma sala de controlo coordenam-se observações por satélite em todo o mundo, analisando a situação e preparando mapas e dados para as equipas de socorro. Quando tudo está pronto e analisado, um centro assume o controlo da situação para facilitar a resposta.

Universidades e centros de análise, como o Centro de Estrasburgo, utilizam os dados coletados por satélites. Engenheiros e técnicos analisam rapidamente a informação para produzir mapas das áreas afetadas. Esses mapas são disponibilizados na Internet, mas o acesso pode ser restringido dependendo do tipo de pedido, da natureza e sensibilidade dos dados e do fenómeno em questão. Normalmente, o acesso é dado a um grupo de usuários autorizado (governos, agências de socorro, etc.) ou ligado a uma rede para acesso público quando apropriado.

Os dados são muito detalhados e atualizados, permitindo melhor coordenação das ações no terreno por meio de visualizações precisas. Com eles é possível, por exemplo, verificar se as estradas ainda estão transitáveis para levar ajuda às áreas afetadas. Tudo isso visa ajudar na melhor gestão possível dos eventos, dependendo da dimensão da catástrofe. Para que funcione bem, é necessária cooperação internacional; o ideal seria criar uma organização global dedicada a um objetivo comum na gestão de crises.

Poluição, sobreexploração e deterioração ambiental

Por diversas razões, as relações entre seres humanos e o meio ambiente às vezes causam situações que o deterioram seriamente. Exemplos incluem:

  • Descargas e derrames de óleo e líquidos tóxicos, frequentemente terminando no mar;
  • Deposição de resíduos sólidos na periferia das grandes cidades;
  • Lançamento de resíduos industriais em rios e mares;
  • Sobresexploração de recursos — agricultura excessiva, pesca intensiva, desflorestação;
  • Emissão de fumos e gases de chaminés industriais e do trânsito, contribuindo para poluição atmosférica e ilhas de calor;
  • Grandes obras sem adequada avaliação de impacto ambiental, como barragens e instalações industriais;
  • Aquecimento global e alterações climáticas.

Internacionalmente, tem havido uma crescente consciência desses problemas: são questões ambientais de caráter global, graves e potencialmente irreversíveis que ameaçam o futuro da humanidade. O conceito de desenvolvimento sustentável define-se como o desenvolvimento que satisfaz as necessidades atuais sem comprometer a capacidade das futuras gerações de satisfazerem as suas próprias necessidades.

Uma atividade sustentável seria, por exemplo, o corte controlado de árvores acompanhado de reflorestação; uma atividade insustentável seria a exploração contínua de petróleo sem alternativas renováveis. Muitas atividades humanas, tal como o uso excessivo do automóvel para deslocamentos curtos, não são sustentáveis e podem gerar problemas ambientais possivelmente irreversíveis.

Áreas protegidas e legislação ambiental

Uma medida para proteger o ambiente é a criação de áreas naturais protegidas, como parques e reservas reconhecidas pela UNESCO (redes de reservas da biosfera) que harmonizam conservação ambiental com presença humana e retorno económico dentro do princípio do desenvolvimento sustentável.

Os Estados promulgam leis ambientais baseadas, em grande parte, no princípio do poluidor-pagador. Espera-se que os fundos arrecadados sejam direcionados à descontaminação e ao controlo de emissões excessivas. Há ações como restrição da superexploração de água, construção de estações de tratamento e outras medidas de controlo ambiental.

Protocolos e convenções internacionais

Existem acordos internacionais importantes, ainda que nem sempre totalmente cumpridos por todos os países, por razões de soberania, interesses económicos ou falta de cumprimento dos protocolos. Entre eles destacam-se:

  • Protocolo de Quioto — acordos para reduzir emissões atmosféricas de CO2, CH4, NOx e outros compostos prejudiciais;
  • Protocolo de Montreal — redução de substâncias que destroem a camada de ozono (CFCs);
  • Convenção de Genebra (controle da chuva ácida) — redução de emissões de S, NOx e NH3;
  • Convenção de Ramsar — proteção de zonas húmidas;
  • Outras ações e convenções diversas.

Para reduzir o impacto ambiental é essencial a ação governamental, mas também a participação cidadã para exigir cumprimento de leis, denunciar poluição e adotar práticas sustentáveis.

Ações individuais para o ambiente

Individualmente, em casa, podemos tomar diversas medidas:

  • Poupar água e reutilizá-la para regar;
  • Aproveitar a luz solar ao máximo para reduzir o consumo de energia (por exemplo, ler perto da janela);
  • Desligar as luzes ao sair de um cômodo e usar lâmpadas economizadoras;
  • Utilizar transporte público sempre que possível; preferir bicicleta ou caminhar para trajetos curtos, o que também beneficia a saúde;
  • Escolher produtos biodegradáveis e com menor impacto ambiental;
  • Adotar consumo responsável e práticas de reciclagem.

Lixo tecnológico e eletrónico

Não é necessário enviar tudo para aterros. Desde os anos 60, após o lançamento do Sputnik, o homem lançou milhares de satélites e objetos ao espaço. Hoje existem muitos satélites e detritos orbitais — também chamados de lixo espacial.

O lançamento e uso de tecnologia geram resíduos eletrónicos (PCs, televisores, máquinas de lavar, telemóveis, etc.). O mundo produz atualmente grande quantidade deste tipo de resíduos e o volume continua a aumentar. Em alguns países, como Índia e China, recuperam-se metais preciosos (Au, Pb, Cd) de componentes microeletrónicos, mas em muitos locais o tratamento é inadequado.

Deixar esses resíduos no lixo ameaça a saúde humana e o ambiente, pois contêm elementos perigosos como Pb, As, Sb, Hg, Fe, C, S, entre outros. Ao quebrar esses materiais, podem libertar metais tóxicos (por exemplo, monitores e componentes eletrónicos) e gases nocivos (lâmpadas fluorescentes contêm mercúrio). Telefones móveis e outros dispositivos utilizam baterias que, no fim da vida útil, devem ser recicladas. A gestão responsável e a reciclagem de equipamentos eletrónicos são essenciais para evitar um enorme depósito de lixo com riscos tecnológicos e para a saúde.

Lixo espacial: riscos em órbita

Fruto de décadas de atividade espacial, há atualmente dezenas de milhares de objetos em órbita baixa da Terra. A Fundação de monitorização acompanha aproximadamente 26.000 objetos em órbita; muitos reentram na atmosfera e se desintegram, mas milhares de satélites e fragmentos permanecem em órbita. Existem milhares de pequenos detritos — desde porcas e parafusos até luvas perdidas em caminhadas espaciais — que representam risco de colisões. Satélites abandonados já colidiram no passado, gerando ainda mais detritos.

Estima-se que existam cerca de 17.000 objetos com 10 cm ou mais em órbita, aproximadamente 200.000 objetos com tamanho próximo de 5 cm e dezenas de milhões com menos de 2,5 cm. Todo esse lixo encontra-se concentrado numa faixa de cerca de um décimo da distância Terra-Lua, deslocando-se a velocidades da ordem de 27.000 km/h; novas colisões irão agravar o problema. Atualmente não existe uma solução simples para recolher todos esses detritos: muitos acabariam por cair, estatisticamente, sobre os oceanos, enquanto outros permanecerão em órbita por muito tempo.

Resíduos nucleares e descarte no mar

O descarte de resíduos nucleares foi praticado historicamente em vários locais. Durante anos, resíduos foram armazenados em barris e descartados no mar. Em junho de 2002, foram captadas imagens do mar onde esses barris tinham sido descartados, e constatou-se que o sal e as correntes corroeram os recipientes. Onde foram parar os resíduos? Muitos foram incorporados nas cadeias alimentares marinhas, acumulando-se em peixes e outros organismos.

Vários países (França, Reino Unido, EUA, Rússia, Suíça, entre outros) descartaram resíduos no mar quando isso foi uma prática comum. Estima-se que tenham sido liberados dezenas de milhares de barris no passado. As imagens e denúncias de organizações ambientalistas, como o Greenpeace, evidenciaram esses descarregamentos e contribuíram para que, em 1993, a ONU proibisse o descarte de resíduos nucleares no mar.

Atualmente, instalações civis e militares e centrais nucleares continuam a gerar resíduos. Os combustíveis de reatores são armazenados em piscinas de arrefecimento e contêm elementos radioativos como U, que por decaimento produz outros elementos como Pu, Am, Kr, Cs e outros de longa persistência. Esses resíduos exigem gestão segura e de longo prazo.

Um exemplo histórico é o complexo de Hanford (EUA), construído a partir de 1942 para produzir plutónio no âmbito do Projeto Manhattan. Vazamentos e descargas dessa época afetaram o rio Columbia, que foi usado para arrefecer plantas e recebeu resíduos radioativos. Hoje persiste um legado de contaminação que é difícil de remover totalmente do ambiente.

Conclusão: responsabilidade coletiva

Os problemas ambientais e tecnológicos exigem respostas concertadas: cooperação internacional, legislação eficaz, fiscalização e responsabilidade individual. É preciso exigir políticas ambientais sólidas, promover consumo e produção sustentáveis, reciclar adequadamente e apoiar iniciativas que reduzam a produção de resíduos e previnam novos danos ao planeta.

Palavras-chave para ação: prevenção, cooperação internacional, reciclagem, proteção ambiental, monitorização espacial, e responsabilidade pública e privada.

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