Gestão em Enfermagem: Recursos, Qualidade e Segurança

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Sala de Aula 12 — Gestão de recursos

A gestão de recursos envolve três áreas: materiais, ambiente físico e custos.

Recursos materiais: incluem tudo o que é utilizado na assistência e que passou pelos processos de programação, compra, recebimento, montagem e distribuição, com forte participação dos enfermeiros para garantir quantidade, qualidade e especificações técnicas.

Recursos físico-ambientais: incluem a estrutura do serviço de saúde; o enfermeiro analisa as condições de trabalho, os riscos e o espaço, seguindo normas como a RDC 50 e a RDC 307.

Recursos ambientais: são tratados na gestão de Resíduos de Serviços de Saúde (RSS), seguindo a RDC 306/2004 (segregar, acondicionar, transportar, tratar e descartar).

Gestão de custos: o enfermeiro deve gerenciar custos diretos, indiretos, fixos e variáveis.

À medida que os problemas de saúde aumentam devido ao crescimento populacional, à expansão da cobertura, aos avanços tecnológicos, à baixa produtividade e à falta de treinamento administrativo, os desafios da saúde tornam-se o estabelecimento de um perfil de custos, sua relação com a produção e sua análise. A contabilidade de custos é utilizada para definir documentos, comparar custos, formar preços, decidir o que produzir e o que cortar.

Sistemas de cuidado: incluem o cuidado por absorção, variação, padrão e atividade (ABC).

Gestão de riscos: busca identificar, prevenir e reduzir danos ao paciente. Risco é a probabilidade de dano e perigo é a condição que causa esse dano.

Classificação de incidentes:

  • Circunstância de risco: possibilidade de dano.
  • Quase-acidente: erro evitado a tempo.
  • Incidente sem dano: acidente com o paciente, mas sem consequências.
  • Incidente com dano (evento adverso): incidente que causa dano ao paciente.

Este procedimento, baseado na RDC 36/2013, é importante porque reduz erros, evita processos, melhora a qualidade da assistência e reduz custos.

As principais causas dos incidentes são erros de medicação, falhas de comunicação, negligência, hospitalizações, infecções relacionadas à assistência à saúde (IRAS) e falta de cuidado. Uma matriz de risco avalia probabilidade × impacto para definir prioridades.

Os principais desafios são: falta de notificação, comunicação deficiente, resistência a mudanças e cultura de segurança inadequada.

O processo de gestão de incidentes possui seis etapas: identificar, notificar, investigar, planejar ações, comunicar à equipe e acompanhar os resultados.

Sala de Aula 14 — Responsabilidades da enfermeira

Responsabilidades civis, criminais e éticas. O direito civil exige a reparação de danos físicos ou morais causados por acidente ou omissão.

Tipos de falta: imprudência (agir sem cautela), negligência (não agir) e incompetência (falta de técnica).

Responsabilidade criminal: abrange crimes como falsificação ideológica ou registros falsos, quando algo falso é registrado ou informações são omitidas.

Delegação: deve considerar a competência técnica e legal; a delegação protege o enfermeiro, enquanto o profissional a quem se delega assume responsabilidade.

Responsável Técnico (RT): possui ART e deve garantir o cumprimento das leis, dimensionar os equipamentos, comunicar irregularidades ao COREN e acompanhar as inspeções.

Sala de Aula 15 — Qualidade de Vida (QV)

Qualidade de Vida (QV) é subjetiva e influenciada por fatores culturais, sociais e pessoais, sendo mensurada pela OMS utilizando os instrumentos WHOQOL-100 e WHOQOL-BREF.

Sua análise pode seguir uma abordagem tradicional (mais objetiva, subjetiva e multidimensional) ou uma abordagem histórica, que considera a historicidade e as relações de trabalho.

Diversos indicadores apoiam a qualidade de vida (QV), como: IDH, ICV, QVLS, QVRS, WHOQOL e QALY.

A qualidade de vida fora do trabalho depende da organização do trabalho, da remuneração, da autonomia e da participação, e pode ser mensurada por instrumentos específicos de satisfação.

Em caso de lesão, os trabalhadores enfrentam cargas biológicas, físicas, químicas, mecânicas, fisiológicas e psicológicas, que causam desgaste.

A vigilância em saúde ocupacional monitora lesões, acidentes e condições de trabalho, auxiliando na proteção e promoção da saúde.

Sala de Aula 16 — Qualidade em saúde

A qualidade em saúde é essencial devido às mudanças sociais e tecnológicas e às crescentes demandas dos usuários.

Para garantir uma assistência segura e eficaz, os serviços requerem processos padronizados, equipes preparadas e gestão adequada.

A qualidade envolve usuários, profissionais e gestores e é endossada pela Tríade de Donabedian: estrutura, processo e resultado.

Inclui também a segurança do paciente, que busca prevenir erros e eventos adversos.

A evolução histórica da qualidade inclui figuras e instituições como Florence Nightingale, a Joint Commission e a criação da ONA no Brasil.

Endosso significa utilizar critérios e indicadores para aprimorar decisões e processos. Os indicadores mensuram eficiência, efetividade e eficácia, permitindo identificar problemas, monitorar ações e garantir transparência. Assim, qualidade e segurança devem fazer parte da cultura organizacional.

Sala de Aula 17 — Indicadores hospitalares

Os indicadores hospitalares são medidas que validam o desempenho da qualidade da assistência, ajudando a comparar, monitorar e aprimorar os serviços.

Servem para aumentar a qualidade, reduzir custos e tornar o sistema mais eficiente.

A classificação baseia-se em:

  • Eficiência: relação entre resultados e recursos utilizados racionalmente;
  • Efetividade: alcance das metas programadas para um determinado período;
  • Eficácia: relação entre os resultados alcançados e os objetivos esperados.

Para construí-los, consideramos a relevância, as falhas institucionais, as necessidades dos pacientes, os processos de risco, o planejamento estratégico e as evidências científicas.

Os indicadores devem ter nome, fórmula, tipo, responsabilidade, fonte, frequência e objetivo.

Os principais tipos são: sentinela (hospitalização, IRAS, erros de medicação), estrutura, processo (tempos críticos do protocolo) e falha (mortalidade, ocupação, permanência, infecção). O enfermeiro analisa e divulga esses indicadores para melhor prestar assistência.

Sala de Aula 18 — Sistemas de informação em saúde

Os sistemas de informação em saúde fazem parte da evolução das tecnologias da informação, que modernizam a comunicação e apoiam as decisões.

A informação é organizada e útil; o sistema é o conjunto que transforma dados em informação relevante.

Para que esses sistemas sejam bem gerenciados, a qualidade do atendimento e a satisfação do paciente devem ser flexíveis, específicas e participativas.

Inicialmente utilizados administrativamente, eles darão suporte à assistência clínica, permitindo registros em tempo real.

Apesar de exigirem alta infraestrutura e custos elevados, oferecem benefícios como redução de erros, melhor documentação, maior produtividade e mais tempo para o atendimento direto.

Esses dados desempenham um papel central na nutrição e utilização desses sistemas, o que fortalece o raciocínio clínico e a prática baseada em evidências.

Sala de Aula 19 — Ferramentas da qualidade e Lean Healthcare

As ferramentas da qualidade ajudam a identificar problemas, padronizar ações e otimizar processos. Entre as principais estão:

  • PDCA/PDSA: ciclo de melhoria contínua (Plan/Do/Check/Act ou Prepare–Test–Study–Act);
  • 5 Porquês: técnica simples que força a investigação até encontrar causas primárias;
  • Ishikawa: diagrama para descobrir causas iniciais de um problema;
  • Pareto: ferramenta para priorizar problemas de forma eficaz;
  • A3: método de gestão para identificar e resolver problemas de forma estruturada e colaborativa;
  • 5S: método para melhorar organização, limpeza e eficiência do ambiente de trabalho;
  • Lista de verificação (checklist): organiza tarefas e garante a conclusão sequencial e sistemática;
  • Kanban: ferramenta visual para otimizar fluxos de trabalho;
  • Brainstorming: trabalho em grupo para gerar ideias e soluções inovadoras;
  • 5W2H: lista de verificação para definir e executar atividades ou preparar planos de ação;
  • Gráficos de controle: identificam e medem variações de processo;
  • Histograma: representação gráfica para visualização de volumes de dados;
  • Matriz GUT: prioriza a resolução de problemas (Gravidade, Urgência, Tendência);
  • DMAIC: metodologia de melhoria de processos (Definir, Medir, Analisar, Melhorar, Controlar).

Lean Healthcare é um modelo de gestão que simplifica e torna mais eficientes os processos, inspirado no sistema Toyota. Baseia-se em quatro princípios: eliminar desperdícios, criar valor com foco no paciente, manter o fluxo contínuo e buscar a satisfação contínua.

Vantagens do Lean: reduzir custos, aumentar a eficiência, combinar equipamentos e melhorar a experiência do paciente e do profissional.

A metodologia Attua aborda sete desperdícios: superprodução, excesso de estoque, transporte e movimentação desnecessários, espera, processamento excessivo e defeitos (erros e falhas).

Para aplicar, selecione uma área, mapeie o fluxo e escolha a ferramenta ideal. Em situações de emergência, uma melhor comunicação reduz o tempo de espera, evita erros e agiliza o atendimento clínico. O maior desafio é a mudança cultural.

Os 6 princípios da metodologia são: satisfação contínua, criação de valor, propósito, treinamento da equipe, inovação e flexibilidade do processo.

Distribuição percentual do total de profissionais de enfermagem

  • Para cuidado mínimo: 33% são Enfermeiros (mínimo que garanta 1 Enfermeiro em cada turno) e os demais técnicos e/ou auxiliares de Enfermagem;
  • Para cuidado intermediário: 33% são Enfermeiros (mínimo que garanta 1 Enfermeiro em cada turno) e os demais técnicos e/ou auxiliares de Enfermagem;
  • Para cuidado de alta dependência: 36% são Enfermeiros e os demais técnicos e/ou auxiliares de Enfermagem;
  • Para cuidado semi-intensivo: 42% são Enfermeiros e os demais técnicos de Enfermagem;
  • Para cuidado intensivo: 52% são Enfermeiros e os demais técnicos de Enfermagem.

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