Gestão da Qualidade em UANs: Indicadores e Controle de Restos
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Qualidade em Unidades de Alimentação e Nutrição (UANs)
A qualidade não se implanta por decisão unilateral. O funcionário deve estar motivado, sensibilizado, comprometido e envolvido.
A qualidade de uma refeição envolve dois processos de avaliação:
- Sob o ponto de vista da obtenção do produto.
- Sob o ponto de vista da aceitação do produto.
Obtenção do Produto
A "radiografia do produto" permite que o alimento seja observado em todas as etapas, desde a escolha do fornecedor e matéria-prima até o armazenamento.
Essa obtenção é traduzida em padrões mensuráveis, como:
- Peso e per capita
- Textura, cor e aparência
- Valores nutricionais e qualidade higiênica
Isso possibilita o reconhecimento do produto e a remoção de falhas surgidas em qualquer etapa de fabricação. As Boas Práticas de Manipulação (BPM) preenchem essas necessidades, adequando técnicas em várias etapas.
Aceitação do Produto
O consumidor possui certas predileções pelos produtos que adquire. A aceitabilidade é o equilíbrio das características mencionadas e a manutenção constante desses valores.
Um produto que apresenta sempre o mesmo padrão transmite ao consumidor uma impressão de confiança e se integra melhor em seu hábito alimentar.
Foco na Prevenção: Não se deve apenas resolver problemas, mas sim evitar que eles aconteçam. Quando um problema é resolvido tardiamente, ele já gerou prejuízos para a empresa.
Competências Essenciais para a Qualidade
- O Bilhete de Entrada: A Qualidade dos Produtos.
- O Visto de Permanência: Agilidade e Flexibilidade em produzir, inovar e atender bem o cliente.
- Serviços Agregados de Valor: A diferença que encanta.
- Custos Competitivos: Fazer mais e melhor com menos.
Operacionalmente, falhas podem ocorrer na montagem do balcão self-service, no processo de produção de refeições, ou em falhas humanas no atendimento (como falta de cortesia).
O descaso administrativo permite a reincidência de falhas graves, como falta de higiene, falta de pessoal, reposição tardia das preparações ou tempo prolongado na espera das filas.
Tratar bem o cliente no momento do atendimento e oferecer-lhe um produto conforme o pré-estabelecido são fatores que promovem o desempenho.
Implementação da Qualidade
Administrar é ter compromisso com o sucesso da empresa, baseado em três pilares:
-
Comprometimento:
- Com os funcionários.
- Com o cliente.
- Com a qualidade.
O comprometimento verdadeiro focaliza a melhoria, celebra e reforça as mudanças, e focaliza a continuidade.
-
Coordenação:
- Organizar para a qualidade.
- Educar para a qualidade (formular conceitos básicos e descobrir as causas dos defeitos e como eliminá-los).
- Reconhecer e estabelecer objetivos e metas.
-
Cooperação:
- Envolvimento dos funcionários (são eles que melhor conhecem os problemas).
- Solução de problemas (aprender como prevenir).
- Criar medidas (atender requisitos).
- Reconhecer a qualidade (celebrar cada sucesso para não extinguir a cooperação).
Um mandamento crucial para o sucesso é a revisão sistemática e periódica (a cada 6 meses) de normas e rotinas. A estrutura da empresa não pode ser estática, pois o cliente evolui.
Indicadores de Qualidade em UANs
Indicador de Rendimento de Mão de Obra (IRD)
Visa avaliar o rendimento da Mão de Obra (MO) em função do tempo previsto para o preparo e distribuição de uma refeição.
Fórmula:
IRD = (N° empregados X Horas trabalhadas ao dia X 60 minutos) / N° refeições servidas dia
Tabela de Minutos por Refeição (N minutos)
| Número de Refeições | N Minutos |
|---|---|
| 300 - 500 | 15 - 14 |
| 500 - 700 | 14 - 13 |
| 700 - 1000 | 13 - 10 |
| 1000 - 1300 | 10 - 9 |
| 1300 - 2500 | 9 - 8 |
| 2500 e + | 7 |
Índice de Produtividade Individual (IPI)
Avalia o rendimento da MO em função do número de refeições produzidas e servidas.
Fórmula:
IPI = N° refeições servidas por dia / N° empregados da UAN
Tabela de IPI para População Sadia
Número de refeições produzidas e/ou servidas por empregado da UAN para população sadia:
| Número de Refeições | IPI |
|---|---|
| 100 | 1/30 |
| 100 - 300 | 1/35 |
| 300 - 500 | 1/40 |
| 500 - 1000 | 1/50 |
| 1000 - 1500 | 1/55 |
| 1500 - 3000 | 1/60 |
| + 3000 | 1/66 |
Avaliação dos Processos de Produção
Avaliar significa medir e comparar. Na produção, mede-se a relação entre o número de refeições previstas e o número de refeições servidas.
- Resultado ideal: Próximo de 1.
- Resultado > 1: Número de refeições servidas maior que o esperado.
- Resultado < 1: Falhas no porcionamento, per capita, ou mais refeições servidas que o esperado.
Desperdício
O desperdício é composto por:
- Fator de Correção
- Sobras
- Restos
Avaliação das Sobras
Fórmula:
% Sobras = [(Total produzido - Quantidade servida) / Total produzido] X 100
É essencial estabelecer a margem de segurança no planejamento.
Avaliação dos Restos
Índice de Resto (IR):
IR = [Peso da refeição rejeitada (PR) / Peso da refeição distribuída (PRD)] X 100
Avaliação Final
A avaliação final deve considerar:
- Custos
- Lucros
- Recursos Humanos
- Satisfação do Cliente
Avaliação de Cardápios
A avaliação de cardápios pode ser realizada desde o planejamento até a execução.
Tipos de Avaliação
- Pelo cliente, mediante formulário que identifique as variáveis que interferem na aceitação das preparações.
- Resto de ingestão, visando maior controle e economia.
A política de avaliação assegura que o desempenho das atividades se processe em todas as fases da administração, garantindo que o planejamento está sendo cumprido.
Impacto das Sobras
As sobras trazem consigo uma parcela de custos de cada etapa do processo de produção:
- Custo da matéria-prima
- Tempo
- Energia
- Mão de Obra
- Equipamentos
A avaliação de cardápios é um instrumento importante para corrigir falhas no planejamento e na execução do serviço, melhorando a qualidade.
Métodos de Avaliação do Cliente
Formulário, boca a boca, display, amostra ou avaliação de todos os clientes.
Questionário de Avaliação do Cliente (Exemplo)
- Você frequenta regularmente o restaurante? ( ) Sim ( ) Não
- Quais as refeições que faz normalmente? ( ) Almoço ( ) Jantar ( ) Ceia ( ) Desjejum ( ) Lanche
- O que você acha da apresentação dos cardápios? ( ) Deficiente ( ) Regular ( ) Boa ( ) Muito Boa ( ) Ótima
- Você se satisfaz com a porção das preparações servidas? ( ) Sim ( ) Não
- Você acha que as preparações se repetem com frequência? ( ) Sim ( ) Não
- Qual sua opinião quanto ao atendimento no restaurante? ( ) Deficiente ( ) Regular ( ) Boa ( ) Muito Boa ( ) Ótima
- Você acha que as preparações são servidas em temperatura ideal? ( ) Sim ( ) Não
- O que você acha da higiene do restaurante? ( ) Deficiente ( ) Regular ( ) Boa ( ) Muito Boa ( ) Ótima
- O que você acha da higiene dos alimentos? ( ) Deficiente ( ) Regular ( ) Boa ( ) Muito Boa ( ) Ótima
Variáveis que Determinam a Aceitação do Cardápio
- Tipo de serviço
- Apresentação
- Digestibilidade
- Porcionamento
- Custo da refeição
- Técnica de preparo
- Monotonia das preparações
- Hábitos alimentares
- Higiene ambiental e dos alimentos
O resultado da avaliação confirmará se os objetivos estão sendo alcançados ou indicará deficiências a tempo de serem corrigidas. A avaliação deve ser constante e sistemática para que o objetivo desejado pela UAN seja alcançado.
Análise e Avaliação Detalhada
-
Do Número de Refeições:
Fornece subsídios para assegurar o cumprimento das metas estabelecidas quanto ao número de clientes a atender. Quando o número se apresenta menor que o esperado, é necessária uma reavaliação da meta, da política de abastecimento, do atendimento e do padrão do cardápio.
-
Das Sobras:
O excesso de sobras denota falhas no porcionamento ou em alguma fase do planejamento. Caso esteja fora dos padrões estabelecidos, devem ser tomadas medidas para verificar o ocorrido, como redução do per capita ou conversa com a clientela.
-
Da Cobertura de Calorias e Aceitação do Cardápio:
Apenas o resultado positivo em relação à cobertura da alimentação oferecida não assegura a adequação, pois as refeições podem estar balanceadas, mas não serem consumidas pela clientela.
Mezomo sugere como padrão um valor superior a 10% para coletividade sadia e 20% para coletividade enferma como índice de inadequação.
Necessidade de:
- Pesagem direta das preparações.
- Pesagem de amostra representativa.
-
Do Custo:
- Pré-custo
- Custo diário
- Custo mensal
Avaliação do Resto de Ingestão
É a relação entre as quantidades de alimentos servidas aos clientes e os restos per capita da refeição deixados nas bandejas ou pratos.
Cálculo da Porção Servida (PS)
A fórmula apresentada no texto original parece ser uma tentativa de calcular a porção servida por cliente, mas está incompleta. Estruturando os componentes:
Onde:
- PS = Porção Servida
- T kg = Total em Kg
- S kg = Sobra em Kg
- P = Preparação
- NC = Número de Clientes
O total de refeições servidas é a somatória das porções de todas as preparações do cardápio.
Resto de Bandeja: É o total global dos restos deixados nas bandejas dividido pelo número de clientes.
O percentual Resto/Ingestão é o cálculo para estabelecer a proporção entre a ingestão e o resto de bandeja.
Exemplo de Mapa de Controle de Resto/Ingestão
| Tipo de Preparação | Total Kg | Sobra Kg | Clientes | Porção Servida (g) |
|---|---|---|---|---|
| Salada | 12 | 2 | 100 | 100 |
| Prato Proteico | 16 | 3 | 100 | 130 |
| Guarnição | 11 | 1 | 100 | 100 |
| Arroz | 15 | 2 | 100 | 130 |
| Feijão | 18 | 2 | 100 | 160 |
| Sobremesa | 5 | - | 100 | 50 |
| Bebida | 20 | - | 100 | 200 |
| Total | 97 | 10 | 100 | 870 |
Total de restos deixado nas bandejas ao final da refeição = 6,7 Kg
Peso da porção servida = 870 g
Total do resto/pessoa = 67 g
Cálculo do % Resto/Ingestão:
870 g (100%)
67 g (X)
Padrões de Avaliação do Resto de Ingestão
- De 0 a 5 %: Ótimo
- De 5 a 10 %: Bom
- De 10 a 15 %: Regular
- Acima de 15 %: Péssimo
Formas de Controlar os Restos
- Envolvimento do cliente/campanhas.
- Treinamento dos funcionários quanto ao porcionamento do cardápio.
- Tipo de serviço oferecido.
- Tipo de preparação oferecida.
- Sexo, idade, atividade.
- Hábitos alimentares.
- Tempo disponível para a refeição.
- Visualização das preparações e temperatura.
- Quantidade oferecida.
- Educação alimentar para o usuário.
Formas de Controle das Sobras
- Controle no pré-preparo, preparo e distribuição.
- Avaliação da aceitação das refeições.
- Pesagem das sobras e restos.
- Cálculo do número de refeições servidas X número de refeições previstas.
Custos das Sobras e Restos
Deve-se estimar o custo das sobras paralelamente ao custo das refeições.
- Custo das Sobras: Custo por Kg dos alimentos preparados X Peso das sobras.
- Custo dos Restos: Custo por Kg dos alimentos preparados X Peso dos alimentos rejeitados.
Onde:
Custo por Kg dos alimentos preparados = Custo total dos alimentos preparados / Peso total dos alimentos preparados
Impressos Utilizados no Planejamento de Cardápios
| Tipo | Seg. 10/05/07 | Terça 11/05/07 | Quarta 12/05/07 | Quinta 13/05/07 | Sexta 14/05/07 |
|---|---|---|---|---|---|
| Entrada | Alface | Tomate | Ervilha | ||
| Prato Proteico (PP) | Frango Assado | ||||
| Guarnição | Macarrão ao Sugo | ||||
| Sobremesa | Salada de Frutas |
Controle de Cardápios
O controle é exercido em todas as fases, do pré-preparo ao preparo, e inclui o resto de ingestão. Ele determina:
- O tipo de alimento a ser adquirido.
- O tipo de preparação a ser executada em função da capacidade do serviço.
- A aquisição de produtos.
- A avaliação da produção.
O controle do processo de produção visa:
- Diminuir as falhas ou pontos críticos.
- Máxima produtividade e mínimos riscos.
Fatores de Desperdício em UANs
O desperdício pode ser fator de:
- Planejamento inadequado de refeições e compras.
- Frequência diária dos usuários.
- Preferências e aversões.
- Controle de per capita.
- Treinamento dos funcionários no porcionamento.
Instrumentos de Controle
O controle é realizado a partir de:
- Mapas de produção (avalia a quantidade do gênero em função do cardápio).
- Avaliação do rendimento da matéria-prima.
- Índice de conversão e fator de correção.
- Mapas de frequência do número de refeições.
- Receituário padrão.
Se houver planejamento e controle em todas as etapas, a quantidade de alimentos preparada será próxima às necessidades reais de consumo. Portanto, o índice final de sobras deve ser pequeno e dentro dos padrões estabelecidos.
Controle na Execução
Pré-preparo e Preparo:
- Supervisionar as fases, verificando se o trabalho está sendo executado conforme o planejado.
- Uso de legislação vigente e registros.
- Verificação da necessidade de treinamento.
Distribuição:
- Determinação de porções adequadas.
- Utensílio padronizado.
- Temperatura.
- Tempo.
- Higiene.
- Reposição.
- Atendimento ao cliente.
Reaproveitamento:
CUIDADO! Uso da legislação vigente (CVS 5, RDC 216) e de critérios de padronização e Procedimentos Operacionais Padrão (POP).
Controle dos Restos
- Verificação da aceitação da clientela.
- Modificações no planejamento.