Globalização, Comércio e Modelos de Internacionalização
Classificado em Economia
Escrito em em
português com um tamanho de 4,72 KB
Globalização e o Papel Estratégico das Empresas
A globalização é o fenómeno de abertura das economias e das respetivas fronteiras. Este é um processo inacabado e em constante mudança, sendo também concebida como um processo de encolhimento (erosão de fronteiras).
Com os avanços em todos os tipos de mercados e a intensificação das relações sociais à escala mundial, o mundo e tudo o que contém fica interligado. Este processo pode ser ótimo para alguns e péssimo para outros, pois desencadeia aspetos positivos a nível da internacionalização das empresas.
No entanto, para que a internacionalização ocorra, é frequentemente necessário que as empresas estejam inseridas em países desenvolvidos, permitindo uma maior capacidade de investimento em tecnologia. Este requisito é um aspeto negativo, pois limita a capacidade de globalização das empresas em contextos menos favorecidos.
No que toca ao papel das empresas, para além de decidirem o que o mundo consome, são também responsáveis pelo comércio internacional, intensificando as relações sociais a nível global.
Teorias Clássicas do Comércio e o Modelo Heckscher-Ohlin
As teorias do comércio internacional surgiram da necessidade de explicar as trocas internacionais.
O Mercantilismo
O Mercantilismo consistia em possuir uma balança comercial favorável, onde exportar é bom e importar é mau. Os mercantilistas consideravam que o comércio internacional tinha ganhos nulos (um país ganha à custa do outro) e defendiam uma política comercial protecionista, facilitando o alcance de uma balança comercial positiva e enriquecedora para o país.
O Liberalismo Económico
Com o surgimento do Liberalismo Económico, começou-se a desenvolver a teoria do comércio, com o objetivo de procurar e identificar uma teoria de especialização internacional. Um dos focos principais é a garantia das condições de livre comércio para os países intervenientes.
Modelo Heckscher e Ohlin (Proporção dos Fatores)
Este modelo postula que:
- Cada país exporta produtos que usam fatores abundantes nesse país.
- Cada país importa produtos que usam fatores escassos.
Ou seja, o país especializa-se no bem que mais exporta e que utiliza o fator de produção mais abundante. As nações trocam mercadorias, pois não podem trocar os fatores de produção, resultando num comércio de bens de forma indireta.
Vantagem Competitiva das Nações (Modelo de Porter)
A vantagem competitiva individual leva à vantagem competitiva coletiva das empresas de um determinado país. A inovação é um fator crucial, pois conduz à vantagem competitiva, ao aumento da produtividade e, por sua vez, à sustentabilidade e aumento da qualidade de vida.
A vantagem competitiva é definida como a capacidade que fortalece e dirige as estratégias das empresas.
Para que uma nação possua vantagem competitiva, necessita de:
- Um ambiente competitivo.
- Fatores (de produção e know-how).
- Procura exigente e sofisticada.
- Uma estrutura industrial de apoio.
Modelo de Uppsala: Processo de Internacionalização
O Modelo de Uppsala descreve o processo de internacionalização de uma empresa, partindo do princípio que os negócios além-fronteiras são arriscados devido às diferenças políticas, culturais e de sistemas, aos quais a empresa precisa de se adaptar.
Pressupostos do Modelo de Uppsala
Os pressupostos baseiam-se em:
- A falta de conhecimento das empresas é o maior obstáculo à internacionalização.
- O conhecimento necessário é adquirido através de operações da empresa num determinado público-alvo.
- A empresa deve investir gradualmente os seus recursos.
Distância Psíquica e Etapas
A distância psíquica é um dos conceitos base desta teoria. Graças a ela, as empresas dedicam-se inicialmente apenas a países ou regiões vizinhas com características similares (menor distância psíquica), devido à falta de conhecimentos e recursos, aliadas à aversão à incerteza e ao risco.
Uppsala defende que o processo de internacionalização ocorre em duas etapas:
- Primeira Etapa: Ocorre por meio de exportações em países mais próximos. A expansão para regiões mais distantes é feita de forma gradual.
- Segunda Etapa: A exportação é um meio de entrada no mercado estrangeiro, sendo que a implantação de unidades de venda no exterior é, inicialmente, rara.