Guerra de Canudos — filme e contexto histórico

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Contexto e ambientação

O filme 'Guerra de Canudos' retrata com fidelidade e de forma clara os acontecimentos referentes a um episódio real da história brasileira: a Guerra de Canudos. O filme ambienta-se no período republicano de nossa história, mais precisamente, nos anos de 1896 e 1897, e seus acontecimentos se passam no sertão baiano.

Condições do sertão e seguidores

O clima seco do sertão, a miséria na qual a população local estava mergulhada e o descaso por parte da República com essa situação estão sempre em evidência no filme. Essas duas características são constantemente reforçadas por Antônio Conselheiro (beato que percorria o sertão pregando e o personagem mais importante da história real) e por seus seguidores, entre eles uma família sertaneja pobre a qual o filme dá maior atenção.

O pregador e a formação de Canudos

É neste contexto, explicado anteriormente por três fatores, que a história se desenvolve. Antônio Conselheiro começa a pregar pelo sertão a palavra de Deus e também promete condições melhores de vida ao povo nordestino, o que leva muitas pessoas a segui-lo em busca desse ideal. Quando Conselheiro e seus seguidores chegam a Canudos, eles finalmente se estabelecem e a condição miserável de muitos melhora consideravelmente. A religiosidade e o respeito a Antônio Conselheiro se fazem sempre presentes.

Migração e conflitos locais

Vendo que a região de Canudos oferecia melhores condições de vida, muitos outros sertanejos (dentre eles, jagunços) começam a migrar para viver e trabalhar em Canudos. O problema ocorre quando fazendeiros locais e a Igreja Católica exigem que a República tome providências em relação a Canudos. Ambos exigem isso por motivos distintos: os fazendeiros estavam insatisfeitos com a perda de mão de obra, que migrou para Canudos; a Igreja estava insatisfeita porque notara que estava perdendo muitos fiéis para Antônio Conselheiro (que, apesar de ter fé na Bíblia católica, não era padre nem qualquer tipo de representante da instituição).

A decisão da República

A República decide destruir Canudos, alegando que Antônio Conselheiro visava reestabelecer a monarquia, algo que era visto como abominável no contexto da República da Espada.

Expedições e destruição

Ocorrem quatro grandes expedições a Canudos, das quais apenas a 2ª, a 3ª e a 4ª foram organizadas pelo governo. Apenas a última (mesmo com certa dificuldade) consegue efetivamente destruir a cidade, aniquilando totalmente a população local. Uma curiosidade acerca dessas expedições é que Canudos só resistiu tanto aos ataques da República porque havia grande número de jagunços que migraram para lá e que conheciam o local. Também é interessante citar o fato de que Antônio Conselheiro pregava, desde a fundação de Canudos, que ocorreriam quatro grandes ataques: os três primeiros, Deus os conteria; o último, ele não saberia dizer.

Contrastes entre filme e historiografia

Um ponto interessante é que, em alguns trechos, o filme levanta questões que entram em choque com algumas bibliografias históricas. Um exemplo claro é que algumas fontes afirmam que a quarta expedição, com canhões e armas potentes, destruiu Canudos sem grandes dificuldades, enquanto o filme mostra que houve grande dificuldade e demora para que a quarta expedição pudesse, finalmente, tomar Canudos.

Legado literário

É com esta história que Euclides da Cunha, embasado na teoria do determinismo social, lança o livro Os Sertões, que inaugura o período de transição literária conhecido como pré-modernismo.

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