Guerra Civil Espanhola: Levante, Fases e Consequências
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1. Levantamento militar e início da Guerra Civil
1.1 Conspiração
1. Y estallido: levantamento militar e guerra civil.
1.1 Conspiração. Com a radicalização da Frente Popular após a vitória eleitoral, as tensões sociais e políticas aprofundaram-se; avançou-se para a insurreição armada e a esquerda buscou substituir o presidente Alcalá-Zamora e o governo de Azaña.
O novo governo, liderado por Santiago Casares Quiroga, marginalizou generais da ala direita, entre eles os apoiantes de Gil Robles. Os generais Goded, Mola e Franco foram deslocados para destinos como as Ilhas Baleares e Pamplona; antes de partirem para esses novos destinos reuniram-se em Madrid (março de 1936).
Os meses anteriores à guerra caracterizaram-se por um clima de violência:
- A extrema‑direita aumentou as suas filiações; a Falange Espanhola recorreu à violência de rua, com a conhecida "dialética dos punhos e das armas".
- No campo sindical, tendência de eliminação das correntes moderadas e crescimento das mais radicais; a Juventude Socialista e os comunistas formaram a Juventude Socialista Unificada.
Assassinatos, greves e confrontos entre milícias foram a atmosfera predominante em muitas cidades espanholas. Poucas semanas antes da guerra ocorreu o assassinato do tenente Castillo e, em resposta, o assassinato de Calvo Sotelo.
Militares da conspiração. O general Mola tornou‑se a figura central na preparação do levantamento, contactando generais considerados complementares, carlistas, elementos do CEDA, José Antonio Primo de Rivera e o general Sanjurjo, então exilado em Portugal, que supostamente iria liderar a conspiração.
Todos se uniram à conspiração. O objetivo era derrubar o governo da Frente Popular e substituí‑lo por uma Junta Militar, sem decisão sobre a forma final do regime. Não se pensou, em princípio, na possibilidade de guerra prolongada; acreditava‑se numa ação rápida.
1.2 Divisão em duas áreas
A morte de Calvo Sotelo, a 13 de julho de 1936, foi o catalisador que acelerou os preparativos. Em 17 de julho iniciou‑se o levante no Marrocos espanhol, aguardando‑se a chegada do general Franco de Las Palmas, que assumiria as tropas africanas. Quando Franco chegou a Tetuão (19 de julho), a revolta já tinha triunfado em Melilla, Ceuta, Larache e Tetuão.
Em 18 de julho a revolta estendeu‑se ao continente; a reação do governo republicano de Casares Quiroga terminou na sua renúncia. A tentativa de acordo de Martínez Barrio falhou, recusando as exigências socialistas para armar os trabalhadores. A união massiva de armas não se concretizou, Martínez Barrio demitiu‑se e o novo governo liderado por Giral acabou por armar o povo.
O levantamento militar de 18 de julho de 1936 conheceu resultados distintos e falhou no objetivo de apreender toda a Espanha sem resistência significativa. A Espanha ficou dividida em duas áreas hostis:
Espanha republicana — zonas industriais e de mineração mais desenvolvidas, áreas agrícolas, com a marinha e a aviação (embora com controle reduzido), contando com o apoio da União Soviética e o Banco de Espanha.
Espanha nacionalista — zonas rurais, com grande parte da cúpula do Exército e com o apoio de Itália e Alemanha.
2. Fases e desenvolvimento da guerra
2.1 Fases da guerra
As primeiras semanas da Guerra Civil caracterizaram‑se pela travessia do Estreito, pelo desempenho das colunas e pela Batalha de Madrid.
Na ausência de medidas eficazes, as tropas rebeldes do Exército deslocaram‑se para a África espanhola com apoio aéreo da Alemanha e da Itália. As milícias civis, organizadas em colunas durante a primeira fase, constituíram a maior parte das forças armadas populares. Do lado rebelde estavam as falanges, os terços de requetés (carlistas) e militantes do JAP; do lado republicano, as milícias voluntárias agruparam‑se por filiação partidária e sindical.
O lado "nacional" estruturou‑se em dois comandos: ao norte, liderado por Mola, com base em Burgos; ao sul, com sede em Sevilha, sob o comando de Franco. O objetivo comum era tomar a capital. Mola enviou uma coluna para Madrid que foi detida na serra de Guadarrama. No norte, os rebeldes ocuparam Irun e controlaram a fronteira com a França. No sul, Franco avançou para Madrid através da fronteira portuguesa, ocupando Mérida, Badajoz e libertando o Alcázar de Toledo.
O aparente equilíbrio de forças escondia que o aparelho republicano não dispunha, inicialmente, de liderança política e militar eficaz.
A Batalha de Madrid foi um objetivo fundamental para os rebeldes, tentando conjugar os exércitos de Mola e Franco.
Em 6 de novembro de 1936 o governo deixou Madrid e transferiu‑se para Valência; a resistência em Madrid passou a ser coordenada pelo Conselho de Defesa de Madrid, com a ajuda das Brigadas Internacionais e o slogan de «¡No pasarán!» como grito de propaganda.
O fracasso das investidas sobre Madrid levou Franco a mudar de estratégia. A tentativa final, apoiada por tropas italianas, falhou na Batalha de Guadalajara, que constituiu a primeira derrota significativa das forças fascistas europeias em campanha. Essa derrota provocou uma mudança estratégica, orientada para operações no Norte, onde a resistência era mais fraca.
As execuções sumárias e as represálias foram algumas das características mais flagrantes da guerra civil. Na "zona republicana" as vítimas dirigidas foram principalmente clérigos, patrões e líderes políticos de direita; do lado rebelde as execuções foram também maciças, com o objetivo de "limpar" a retaguarda de supostos inimigos.
2.2 Campanha no Norte e Batalha do Ebro
Após o falhanço da ofensiva sobre Madrid e a derrota em Guadalajara, a guerra deslocou‑se para o Norte. No final de março de 1937, após bombardeamentos massivos e intensos ataques de artilharia, desencadeou‑se um grande assalto contra o País Basco, que pouco antes havia obtido um estatuto de autonomia. Franco obteve aí um sucesso militar e também psicológico.
Em julho de 1937 um grupo de bispos publicou um documento de apoio ao levantamento militar, enquadrando a guerra como defesa da religião.
A reação republicana tentou aliviar a pressão no Norte com ofensivas como Belchite e Brunete, que acabaram por falhar.
Posteriormente, houve um segundo ataque que visou finalmente Madrid, sendo a frente republicana dificultada pela posição em Aragão. As tropas de Franco avançaram em Aragão, atingindo a costa do Mediterrâneo e a Catalunha, isolando‑a do resto das zonas republicanas.
Franco lançou ataques rumo à costa valenciana; a ofensiva republicana de resposta culminou na Batalha do Ebro, a tentativa de impedir a penetração de Franco na Catalunha e restabelecer a ligação com as áreas republicanas. A batalha prolongou‑se por três meses, com elevado número de vítimas; a balança inclinou‑se a favor de Franco, abrindo‑lhe o caminho para a conquista da Catalunha.
2.3 Queda da Catalunha e fim da guerra
Queda da Catalunha e fim da guerra. Em 23 de dezembro de 1938 as tropas nacionais lançaram a ofensiva sobre a Catalunha. As forças republicanas mal conseguiram resistir por algumas semanas.
A queda da capital catalã forçou o governo republicano a refugiar‑se em Girona e depois ao exílio. Em 5 de fevereiro cruzaram a fronteira um grande número de combatentes e civis; entre os que fugiram encontraram‑se Azaña, Martínez Barrio, Companys e Negrín.
Após a queda da Catalunha, Madrid tornou‑se palco de confronto político entre facções republicanas, com o dilema entre lutar ou negociar a rendição.
Em 5 de março de 1939 o general Casado liderou um golpe contra o governo de Negrín e constituiu um Conselho Nacional de Defesa, ordenando a prisão e execução de comunistas e militares leais a Negrín, que tiveram de fugir da Espanha. O objetivo era negociar um acordo com os nacionais. Franco recusou qualquer negociação e exigiu rendição incondicional. As tropas nacionais entraram em Madrid em 28 de março de 1939 e, em seguida, outras sedes republicanas caíram. Em 1 de abril de 1939 o general Francisco Franco assinou o fim formal da guerra.
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3. Desenvolvimento político e consequências
3.1 Dimensão interna e evolução política
2. Desenvolvimento e consequências da guerra.
2.2 Dimensão interna. Evolução política de ambos os lados.
Do lado republicano: revolução. Ao tomar conhecimento do levantamento em Marrocos, o governo de Casares Quiroga tentou tranquilizar a opinião pública, mas falhou. O novo governo de José Giral procedeu à distribuição de armas às organizações da Frente Popular e aos sindicatos.
A distribuição de armas desencadeou um processo revolucionário. A ordem política, militar, judicial e económica republicana ficou quase desarticulada e surgiram poderes autónomos em diversos lugares. Comissões da Frente Popular começaram a assumir serviços públicos, a apropriação coletiva de propriedades e a gestão de empresas, num contexto de onda de violência contra pessoas próximas aos rebeldes.
O governo Giral, dominado pela pressão revolucionária e por líderes do sul, demitiu‑se. Substituiu‑o Francisco Largo Caballero, com um governo de preponderância socialista que incluiu comunistas, republicanos, catalães, bascos e membros da CNT, com o objetivo de restaurar a autoridade e a unidade do Estado. O principal problema foi a divisão interna entre comunistas e anarquistas.
O Partido Comunista aumentou a sua influência, adoptando o lema de abandonar a revolução para primeiro vencer a guerra. Os anarquistas defendiam que "guerra e revolução são inseparáveis". Após os acontecimentos de maio de 1937, dois ministros comunistas saíram do governo e Largo Caballero demitiu‑se.
O novo governo de Juan Negrín considerou imprescindível a intervenção das forças anarquistas e da UGT, mas as tensões internas continuaram, quebrando a unidade de ação. O governo iniciou a implementação das políticas sugeridas pelos comunistas, com apoio de socialistas, republicanos e dos nacionalistas catalães e bascos.
Negrín personificou a vontade de resistir a qualquer custo, propondo um programa mínimo de treze pontos. A crítica à sua política de resistência aumentou; o presidente da República, Azaña, tornou‑se cada vez mais crítico a Negrín. Após a perda da Catalunha, França e Reino Unido deram reconhecimento oficial a Franco, o que precipitou a demissão de Azaña.
Qualquer possibilidade de negociação com Franco foi rejeitada; a paz sem condições era a posição dos nacionais. Em 5 de março de 1939 o golpe de Casado depôs Negrín e formou um Conselho de Defesa Nacional com representantes socialistas, anarquistas e republicanos. As negociações com Franco não obtiveram sucesso. Franco anunciou a vitória em 31 de março e 1 de abril, e iniciou‑se o exílio da República.
3.2 Lado rebelde: unidade e regime de Franco
No campo de Franco havia correntes opostas, mas ele conseguiu moldar a unidade em torno da Igreja Católica, do sentimento anti‑revolucionário e do Exército como elemento unificador e dominante na política.
Inicialmente o governo nas zonas conquistadas ficou nas mãos de militares, com o chamado Conselho de Defesa Nacional, presidido pelo general Cabanellas. Após a morte de Sanjurjo, a liderança da conspiração ficou nas mãos de Mola e de Franco, este último vindo a consolidar o comando no sul.
Franco representou um papel privilegiado nas esferas sociais conservadoras e desmontou o projeto de modernização republicano.
O general Franco foi nomeado pelo Conselho de Burgos como Generalíssimo do Exército, além de Chefe de Estado e de Governo, aproveitando circunstâncias que lhe reforçaram a posição.
Em 1 de outubro de 1937 o Conselho de Defesa Nacional foi substituído pela Câmara Técnica do Estado, que reorganizou o governo e transferiu a sede do poder para Salamanca. Entre o fim de 1936 e 1937, Franco reforçou a sua liderança, assumindo o título de Caudillo, enquanto a propaganda difundia o lema "Uma Pátria, um Estado, um Líder".
A Igreja Católica assumiu uma posição favorável aos rebeldes. Na área controlada pela Frente Popular a prática religiosa foi limitada, o que levou muitos católicos a alinhar‑se com os nacionais e a conceber a guerra como uma cruzada religiosa.
No campo político nacional existiam partidos monárquicos, carlistas e falangistas. Na primavera de 1937 houve dissidência interna que foi encerrada em abril com o Decreto de Unificação, que fundiu carlistas e falangistas num único partido, o futuro Movimento Nacional.
3.3 Consequências da guerra
2.4 Consequências da guerra.
Consequências demográficas. Não há consenso absoluto sobre os números, mas as estimativas mais aceitas apontam para cerca de 500 mil mortos como custo demográfico direto da guerra e suas consequências (combates, repressão, fome, epidemias e queda nas taxas de natalidade). A essas perdas somam‑se as vítimas entre gestantes e jovens.
Outro elemento-chave foi o exílio republicano. Durante o conflito foram evacuadas crianças para outros países, mas o grande êxodo ocorreu em janeiro e fevereiro de 1939, após a conquista da Catalunha. Estima‑se que cerca de 450 mil pessoas se exilaram. Embora alguns tenham regressado durante a ditadura, muitos não voltaram até a morte do ditador em 1975. Esse êxodo representou uma perda demográfica significativa, sobretudo de população jovem e ativa, incluindo uma parte importante das elites científicas, literárias e artísticas.
As consequências económicas foram uma catástrofe. Uma estatística reveladora é que a renda nacional per capita só recuperou os níveis anteriores décadas mais tarde, durante a década de 1950. Os principais fatores desse desastre económico foram:
- Destruição do tecido industrial do país, que atrasou o processo de industrialização em cerca de quarenta anos.
- Destruição de habitações — estima‑se cerca de 250 mil casas — comunicações e infraestruturas.
- Aumento da dívida e perda das reservas de ouro do Banco de Espanha, parcialmente utilizadas pelo governo republicano para pagar a ajuda soviética.
Consequências sociais: a guerra promoveu a recuperação da hegemonia económica e social da oligarquia industrial e financeira; paralelamente, houve perda de muitos direitos laborais adquiridos.
Consequências morais: a guerra dividiu moralmente o país. Várias gerações ficaram marcadas pelo sofrimento da guerra e pela repressão subsequente.
O regime de Franco nunca procurou a reconciliação com os derrotados e sempre evocou e comemorou a sua origem militar. As feridas da guerra civil duraram décadas, e a repressão e punição dos vencidos foram característica fundamental do regime franquista.