A Guerra Fria e Seus Impactos na Europa e em Portugal

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Terminada a 2ª Guerra Mundial, a Europa estava arruinada e endividada. Na cena política internacional surgem 2 novas superpotências: EUA e União Soviética, que passam a controlar econômica e militarmente grande parte do mundo. A partir de 1947, os EUA, através do Plano Marshall, vão apoiar a reconstrução dos países da Europa Ocidental devastados pela guerra. Com este plano, pretendem:

  • ajudar economicamente na reconstrução das indústrias e reativação do comércio;
  • reforçar e reafirmar a posição dos EUA como superpotência;
  • impedir a expansão do comunismo e a influência soviética na Europa debilitada pela guerra;

Aderiram 18 estados ao Plano Marshall.

Em 1948, formou-se a OCDE - Organização Europeia de Cooperação Econômica, com o objetivo de controlar a aplicação dos milhões de dólares emprestados pelos EUA.

A União Soviética criou o Kominform com sede em Moscovo. Como Estaline não aderiu ao Plano Marshall, em 1949, propôs apoio financeiro aos países da Europa de Leste, com o Comecon - Conselho de Ajuda Econômica Mútua.

A oposição entre EUA e URSS conduziu a uma política de blocos: bloco ocidental-capitalista liderado pelos EUA e o bloco de leste-comunista liderado pela URSS com o apoio da China comunista.

Os EUA criaram a NATO ou OTAN - Organização do Tratado Atlântico Norte e a URSS criou o Pacto de Varsóvia.


A China, a Coreia do Norte e a Indochina implantaram regimes comunistas e ficaram sob influência soviética.

A Guerra Fria

A divisão do mundo em 2 blocos criou um clima permanente de tensão a que se deu o nome de Guerra Fria. Foram criados organismos de espionagem, com a intervenção das polícias secretas como o KGB e a CIA. A luta por zonas de influência ficou conhecida por equilíbrio pelo terror.

Crise dos Mísseis de Cuba 1962

Constituiu uma ameaça à paz mundial. A URSS instalou nesta ilha uma base de mísseis nucleares, que levou o presidente Kennedy a lançar um ultimato à URSS exigindo o desmantelamento dos mísseis; caso contrário, atacaria Cuba.

Bloqueio de Berlim

A Alemanha e a cidade de Berlim ficaram divididas por 4 países (EUA, URSS, Inglaterra e França). Os países ocidentais decidiram criar um estado alemão independente: a República Federal Alemã (RFA) para travar o avanço comunista. A URSS responde com um bloqueio econômico a Berlim Ocidental, impedindo o acesso terrestre à cidade. O abastecimento passou a ser feito pelos EUA, por uma ponte aérea durante cerca de 1 ano. Durante este tempo, uma nova guerra mundial parecia estar iminente. Em 1961, Estaline pôs fim ao bloqueio e criou na parte oriental a República Democrática Alemã (RDA), a qual, em 1961, construiu o Muro de Berlim com o objetivo de impedir que cidadãos de Leste fugissem para a RFA.


Este passou a ser um dos grandes símbolos da Guerra Fria.

Guerra da Coreia

Após a 2ª Guerra Mundial, a Coreia do Norte foi ocupada pela URSS e a Coreia do Sul pelos EUA. Em 1950, a Coreia do Norte, comunista, invadiu a Coreia do Sul com o apoio da China. A Coreia do Norte contou com o apoio dos EUA para se defender.

Combate ao Colonialismo

Fatores que explicam os movimentos de luta de libertação nacional após a 2ª Guerra:

  • exigência da ONU em respeitar os direitos dos povos colonializados, nomeadamente a autodeterminação, a independência, a liberdade e a igualdade;
  • perda da hegemonia das potências europeias que se mostraram incapazes de responder militarmente aos movimentos de libertação das suas colônias;
  • interesse da URSS e dos EUA em derrubar os impérios coloniais de forma a aumentarem as suas áreas de influência noutras zonas do mundo.

Formas de Luta de Libertação Nacional

O movimento de descolonização começou nas colônias asiáticas e assumiu 2 formas de luta:

  • via pacífica;
  • forma violenta.


A Recusa Democrática

Os EUA e a Grã-Bretanha pressionaram Salazar a implantar uma democracia em Portugal. Neste contexto, Salazar adaptou um conjunto de medidas:

  • dissolveu a Assembleia Nacional e marcou eleições legislativas que prometeu serem "tão livres como as da livre Inglaterra";
  • libertou alguns presos políticos e condenou o regime nazista.

A Oposição Democrática

A oposição ao regime formou o MUD - Movimento de Unidade Democrática, que reunia elementos do meio intelectual, militar e fabril. Mas o governo de Salazar proibiu os comícios, reforçou a censura à imprensa e não acedeu ao pedido da oposição para adiar as eleições.

A maior oposição ao regime salazarista aconteceu com a candidatura do general Humberto Delgado em 1958.

O Tardio Desenvolvimento Econômico

Em 1945, a economia portuguesa registava um atraso em relação aos restantes países da Europa Ocidental. Vários fatores explicam esta situação:

  • a agricultura era a principal atividade e com produtividade muito baixa devido ao uso de técnicas rudimentares;
  • ausência de investimentos por parte dos dirigentes do país;
  • escassa mão de obra qualificada e elevado número de analfabetos.

Portugal conheceu um desenvolvimento industrial. Para essa situação contribuíram vários fatores, tais como:

  • criação de planos de fomento nacional que se traduziam no desenvolvimento da indústria química e metalúrgica e na construção de infraestruturas;
  • adesão de Portugal à EFTA que levou ao aumento das exportações e ao recuo da política protecionista do estado.

O Grande Surto de Emigração - até 1974, cerca de 1,5 milhões de portugueses emigraram em busca de melhores condições de vida, atraídos pelos elevados salários. Portugal sentiu uma redução do déficit da balança comercial, devido ao envio de divisas dos emigrantes para o país e ao aumento de receitas provenientes do turismo.

Os Movimentos de Independência

Portugal, ao tornar-se membro da ONU, em 1955, foi aconselhado a conceder a independência às colônias. Mas, na opinião de Salazar, Portugal não possuía colônias, mas sim províncias ultramarinas, cujos territórios faziam parte integrante de Portugal, assim como os seus habitantes.

A propaganda da época mostrava Portugal como um estado multirracial e pluricontinental.

A Guerra Colonial

A Guerra Colonial iniciou-se em 1961 e só terminaria em 1974. Esta guerra teve graves consequências para Portugal:

  • elevado número de mortos, feridos e deficientes;


  • diminuição da mão de obra ativa devido à redução da população portuguesa;
  • elevadas despesas com o equipamento militar em vez de se modernizar o país;
  • isolamento do país a nível internacional;

Apesar da condenação dos outros países, o governo de Salazar persistiu com a Guerra Colonial e continuou a defender a sua posição. Esta situação veio a contribuir para a queda do Estado Novo em 1974.

O Marcelismo

Salazar adoeceu e foi substituído por Marcelo Caetano. A chamada primavera marcelista adotou uma política de renovação e libertação com as seguintes medidas:

  • a ação da censura e a PIDE, que passou a chamar-se DGS, abrandaram;
  • foi autorizado o regresso de alguns exilados políticos;
  • permitiu-se a entrada na Assembleia Nacional de deputados da ala liberal;

A Revolução de Abril e o Processo Revolucionário

A Guerra Colonial, a não liberalização do regime e a crise econômica que se sentia em Portugal geraram um clima de descontentamento. Por isso, organizaram um movimento clandestino: Movimento das Forças Armadas (MFA) ou movimento dos capitães. O MFA desencadeou um golpe militar na noite de 24 para 25 de abril de 1974 sob o comando do major Otelo Saraiva de Carvalho. As forças do capitão Salgueiro Maia cercaram o quartel do Carmo em Lisboa, onde se tinha refugiado Marcelo Caetano.


O MFA nomeou a Junta de Salvação Nacional, presidida pelo general António de Spínola, que governou o país até à formação de um governo provisório.

A Democratização da Sociedade Portuguesa

A Junta de Salvação Nacional comprometeu-se a respeitar o programa do MFA e a conduzir o país à democratização. Nesse sentido, tomou as seguintes medidas:

  • libertação dos presos políticos e autorização do regresso dos exilados;
  • liberdade para a formação de partidos e sindicatos;
  • abolição da censura e extinção das instituições do Estado Novo;
  • início do processo de descolonização;
  • organização de eleições livres para aprovar a nova Constituição da República de 1976;

Constituição de 1976

Medidas:

  • igualdade de todos os cidadãos perante a lei;
  • liberdade de expressão, reunião, associação e de imprensa;
  • direito à greve e organização sindical;
  • direito ao voto;
  • direito à educação;
  • direito ao trabalho, à segurança social e à proteção na saúde;

As Novas Instituições Democráticas

Órgãos de soberania:

  • presidente da república - representa o país e garante a independência nacional;
  • assembleia da república - a quem compete aprovar as leis e fiscalizar o seu cumprimento;


  • governo - a quem compete propor leis e governar o país;
  • tribunais - que aplicam a justiça;

Com a aprovação da Constituição de 1976, consagrou-se a descentralização política.

A Constituição previa a autonomia regional dos arquipélagos dos Açores e da Madeira.

Independência das Colônias

O programa do MFA tinha como grandes objetivos democratizar, desenvolver e descolonizar. A descolonização foi considerada prioritária para o 1º governo provisório. O general António Spínola reconheceu o direito à autodeterminação e à independência das colônias. Em 1974, a Guiné-Bissau teve a independência; em 1975, Moçambique teve a independência e, no mesmo ano, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe tiveram a independência. Em novembro, foi a vez de Angola se tornar independente. Macau e Timor só tiveram a independência em 1999.

Retorno dos Nacionais

Moçambique e Angola envolveram-se em longas e sangrentas guerras civis.

Os Problemas do Desenvolvimento Econômico

A grave crise econômica de finais do Estado Novo agravou-se no pós-25 de abril devido a:

  • crise petrolífera mundial que fez disparar o preço do crude;
  • instabilidade política e agitação social;
  • independência das colônias e perda de grande parte dos mercados coloniais;


  • crescentes dificuldades da agricultura e da indústria em competir com mercados internacionais;
  • atraso econômico de Portugal em relação à maior parte dos países da Europa Ocidental;

Este contexto conduziu a um período de graves desequilíbrios econômico-financeiros e de forte dependência externa. Os governantes tiveram de recorrer ao FMI.

A Integração Europeia

A procura política de novas soluções para os problemas econômicos culminou na assinatura do Tratado de Adesão de Portugal à CEE em 12 de junho de 1985. A CEE transferiu avultadas verbas para Portugal, tendo em vista a modernização da economia, a melhoria das infraestruturas, em particular das vias de comunicação, a formação profissional, entre outros. Portugal conheceu um crescimento econômico. Porém, surgiram alguns problemas nos setores da agricultura e das pescas. Começaram a entrar no mercado português produtos agrícolas de outros países com preços inferiores aos dos portugueses, o que provocou a ruína de muitos agricultores portugueses e, consequentemente, o abandono das terras. Portugal continua o seu processo de modernização para acompanhar o nível de progresso de outros países da União Europeia e enfrentar os grandes desafios do nosso tempo.

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