Guerra Fria, Integração Europeia e o Estado Novo

Classificado em História

Escrito em em português com um tamanho de 6,99 KB

A Escalada Armamentista e o Início da Era Espacial

A conflitualidade latente entre os EUA e a URSS desencadeou, no pós-Segunda Guerra Mundial, uma corrida ao armamento:

  • 1953: Os EUA e a URSS estão equilibrados em armamento (possuem armas nucleares, bombardeiros e mísseis).
  • 1956: Criação da Agência Internacional para a Energia Atómica visando o desarmamento, sem efeito prático na redução do potencial militar.

As superpotências investiam somas crescentes em pesquisa para evitar a supremacia do adversário. Os EUA focaram na tríade (bombardeiros, mísseis e submarinos), enquanto a URSS investia em mísseis intercontinentais. O poder de destruição introduziu a estratégia da dissuasão: persuadir o outro de que usaria o potencial atómico em caso de violação de áreas de influência.

A Proliferação Nuclear e Negociações

  • Década de 60: Multiplicam-se os ensaios; França (1960) e China (1964) tornam-se potências nucleares.
  • Anos 70: Início de negociações diretas e assinatura de tratados (1972 e 1979) para travar a corrida.

A Corrida Espacial

A competição deslocou-se para o espaço, com a URSS inicialmente na liderança:

  • 1957: Lançamento do primeiro satélite (Sputnik).
  • 1961: Yuri Gagarin torna-se o primeiro homem no espaço.
  • 1963: Valentina Tereshkova, a primeira mulher no espaço.
  • 1958: Criação da NASA pelos EUA.
  • 20 de julho de 1969: Neil Armstrong pisa a Lua: "Um pequeno passo para o homem, mas um salto para a humanidade".

O Milagre Japonês

Após a Segunda Guerra Mundial, o Japão tornou-se a segunda maior potência mundial no fim dos anos 60. O primeiro boom (1955-1961) viu a produção industrial triplicar. Entre 1966 e 1971, a produção duplicou, focando-se em novos setores como aparelhos elétricos.

Fatores do Crescimento:

  • Ajuda americana (semelhante ao Plano Marshall).
  • Atuação do Estado no investimento e proteção do mercado.
  • Mentalidade japonesa (dinamismo e austeridade).
  • Ligação estreita entre trabalhadores e empresa (tradição de trabalho vitalício).

Afastamento da China do Bloco Soviético

Em 1949, Mao Tsé-Tung fundou a República Popular da China, ajustando o marxismo-leninismo à realidade camponesa. Divergências com a URSS surgiram quando Mao priorizou o setor agrícola ("O Grande Salto em Frente" em 1958) e criticou a coexistência pacífica de Khrushchev. Em 1960, as relações romperam-se. Em 1964, a Revolução Cultural intensificou o culto a Mao e ao seu "Livro Vermelho".

A Ascensão da Europa: Da CECA à CEE

Em 1946, Churchill apelou aos "Estados Unidos da Europa". O primeiro passo concreto foi a Declaração Schuman (1950), unindo França e Alemanha na produção de carvão e aço.

  • 1951: Criação da CECA (Alemanha, França, Itália, Bélgica, Holanda e Luxemburgo).
  • 1957: Tratado de Roma cria a CEE e a EURATOM.
  • 1968: Concretização da união aduaneira.
  • 1970: A CEE torna-se a primeira potência comercial do mundo.

Cronologia de Adesões:

  • 1981: Grécia.
  • 1986: Portugal e Espanha.
  • 1995: Áustria, Finlândia e Suécia.
  • 2004: Países da Europa de Leste, Polónia e Eslováquia.

Descolonização e o Movimento dos Não-Alinhados

Entre 1945 e 1965, a África emancipou-se (exceto colónias portuguesas). Movimentos nacionalistas buscaram a identidade cultural e a justiça social. A ONU apoiou o processo através da Resolução 1514 (1960).

Conferência de Bandung e Belgrado

Em 1955, a Conferência de Bandung definiu os princípios do Terceiro Mundo: condenação do colonialismo e rejeição da política de blocos. Em 1961, na Conferência de Belgrado, nasceu o Movimento dos Não-Alinhados (liderado por Nehru, Nasser e Tito), defendendo uma via alternativa à bipolarização.

Crise Económica dos Anos 70: Estagflação

Os "Trinta Gloriosos" terminaram em 1973 com a crise do petróleo. Surgiu a estagflação (estagnação produtiva com inflação alta).

Fatores da Crise:

  • Choques Petrolíferos (1973 e 1979): A OPEP usou o petróleo como arma política contra o apoio a Israel.
  • Instabilidade Monetária: Fim da convertibilidade do dólar em ouro (Nixon, 1971).
  • Crise do Fordismo: Absentismo e aumento de encargos sociais.

Portugal: Estagnação Rural e Emigração

A agricultura portuguesa era atrasada, com minifúndios a Norte e latifúndios subaproveitados a Sul. Nos anos 60 e 70, o êxodo rural e a emigração (principalmente para a Europa e para fugir à Guerra Colonial) marcaram o país. O Estado Novo tentou o fomento industrial (Planos de Fomento) e integrou a EFTA, invertendo a política de autarcia.

Guerra Colonial e Isolamento Internacional

Portugal recusou a autodeterminação, levando à Luta Armada em Angola (1961), Guiné (1963) e Moçambique (1964). Movimentos como MPLA, FNLA, UNITA, PAIGC e FRELIMO combateram as tropas portuguesas. O país ficou isolado internacionalmente ("Orgulhosamente sós"), sofrendo sanções da ONU.

Oposição ao Estado Novo e a Questão Colonial

Após 1945, Salazar simulou uma abertura política. Surgiu o MUD (Movimento de Unidade Democrática). Em 1958, a candidatura de Humberto Delgado (o "General sem Medo") abalou o regime. Delgado foi assassinado pela PIDE em 1965.

Divergências no Regime

Perante a pressão internacional, o regime adotou o luso-tropicalismo e mudou o termo "colónia" para "província ultramarina". Internamente, confrontaram-se duas teses: integracionista (manter tudo igual) e federalista (autonomia progressiva). Salazar impôs a tese integracionista, mantendo a guerra até à queda do regime em 1974.

O Terceiro Mundo e o Neocolonialismo

O Terceiro Mundo enfrentava o neocolonialismo: dependência económica dos países ricos que exploravam matérias-primas. A troca desigual (preços industriais altos vs. matérias-primas baratas) atrasou o desenvolvimento destas regiões.

Entradas relacionadas: