Guia clínico: Meningite, AVC, Alzheimer, Parkinson, Guillain‑Barré
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Meningite: inflamação do espaço subaracnóideo e das leptomeninges (pia e aracnoide)
Etiologia: Bacteriana (mais grave): Streptococcus pneumoniae, Neisseria meningitidis, Haemophilus influenzae, Escherichia coli; também viral, fúngica ou não infecciosa.
Vias de contaminação:
- Hematogênica (mais comum).
- Contiguidade (otite, sinusite).
- Acesso direto (fratura, punção).
Fisiopatologia: Colonização → invasão da corrente sanguínea → ultrapassa a BHE (barreira hematoencefálica) → inflamação no LCR → liberação de citocinas → edema e hipertensão intracraniana.
Síndromes clínicas:
- Infecciosa: febre, mal-estar, mialgia.
- Meníngea: rigidez de nuca, sinal de Kernig, sinal de Brudzinski.
- HIC (hipertensão intracraniana): cefaleia, vômitos, papiledema.
Complicações: edema vasogênico/citotóxico/intersticial; herniação cerebral; convulsões, déficits focais, perda auditiva.
Diagnóstico: punção lombar (LCR turvo, ↑ proteínas, ↓ glicose, ↑ células); TC antes se houver risco.
Tratamento: antibióticos + dexametasona.
Doenças cerebrovasculares: AIT e AVC
AIT: isquemia transitória < 24 h, sem infarto na imagem
Definição: episódio breve de disfunção neurológica causado por isquemia focal, sem evidência de infarto na imagem. Causa: obstrução temporária por trombo ou vasoespasmo.
AVC: classificação e fatores de risco
Classificação: isquêmico (80–85%); hemorrágico (15–20%).
Fatores de risco:
- Hipertensão arterial (HAS).
- Diabetes mellitus (DM).
- Tabagismo.
- Fibrilação atrial (FA).
- Dislipidemia.
- Obesidade.
AVC isquêmico
Mecanismo: oclusão arterial por trombose ou embolia.
Fisiopatologia: falta de O₂ e glicose → ↓ ATP → falha das bombas iônicas → edema citotóxico → necrose neuronal.
Complicações: edema vasogênico e risco de herniação.
AVC hemorrágico
Causas: ruptura de artérias (associada à hipertensão arterial) ou ruptura de aneurisma (hemorragia subaracnoide).
Efeitos: compressão de estruturas adjacentes, isquemia secundária e edema.
Doença de Alzheimer: demência neurodegenerativa progressiva
Quadro clínico: perda de memória progressiva, declínio da autonomia e do funcionamento cognitivo global.
Fisiopatologia central:
- Placas senis (β-amiloide): APP clivada por β- e γ-secretases → peptídeos Aβ → agregados tóxicos → disfunção sináptica e morte neuronal.
- Emaranhados neurofibrilares (proteína Tau): Tau hiperfosforilada → desorganização dos microtúbulos → bloqueio do transporte axonal → morte neuronal.
Fatores genéticos e inflamatórios: alelo ApoE4 → menor depuração de Aβ → mais placas e inflamação. Ativação microglial → liberação de citocinas pró-inflamatórias (IL-1β, TNF-α).
Evolução topográfica: acometimento inicial do córtex entorrinal → hipocampo → córtex associativo → perda de memória e declínio global.
Doença de Parkinson: neurodegenerativa dos gânglios da base
Quadro clínico: tremor de repouso, rigidez, bradicinesia, instabilidade postural.
Fisiopatologia: degeneração dos neurônios dopaminérgicos da substância negra pars compacta → ↓ dopamina no estriado → desequilíbrio entre as vias direta (hipoativa) e indireta (hiperativa) → inibição excessiva do tálamo → lentidão e rigidez motora.
Mecanismos associados: acúmulo de α-sinucleína formando corpos de Lewy; estresse oxidativo; disfunção mitocondrial; neuroinflamação.
Síndrome de Guillain-Barré: polineuropatia autoimune aguda
Definição: polineuropatia autoimune aguda, frequentemente pós-infecção, com desmielinização do sistema nervoso periférico.
Fisiopatologia: mimetismo molecular: anticorpos dirigidos contra patógenos reagem com componentes da mielina periférica. Desmielinização mediada por macrófagos e complemento → bloqueio da condução nervosa.
Consequências clínicas: fraqueza muscular ascendente, arreflexia, parestesia. Recuperação por remielinização em semanas/meses.
Complicações: insuficiência respiratória e disfunção autonômica.