Guia Completo: Bombas Centrífugas, Cavitação e Fluxos
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Bombas Centrífugas: Classificação e Tipos de Rotor
Classificação Segundo o Ângulo do Fluxo
A classificação das bombas centrífugas é feita segundo o ângulo que o fluxo toma em relação ao eixo da bomba:
Fluxo Radial (Centrífugas)
- Centrífuga propriamente dita.
- O líquido sai radialmente ao eixo.
- São as mais difundidas.
- A potência consumida cresce com o aumento da vazão.
Fluxo Axial (Propulsoras)
- Também chamadas de propulsoras.
- O líquido sai em direção aproximadamente axial ao eixo.
- O rotor funciona como uma hélice.
- Ao contrário das bombas de fluxo radial, a potência consumida aumenta quando sua saída se encontra bloqueada.
- Indicada para grandes vazões e baixas alturas manométricas.
Tipos de Rotor
As bombas centrífugas utilizam diferentes tipos de rotor, dependendo da viscosidade e limpeza do líquido:
- Rotor Fechado: Para água limpa e fluido com pequena viscosidade.
- Rotor Semiaberto: Para líquidos viscosos ou sujos.
- Rotor Aberto: Para líquidos sujos e muito viscosos.
Seleção de Bombas Centrífugas
O processo de seleção de uma bomba centrífuga envolve as seguintes etapas:
- Definir ou calcular a vazão necessária (Q).
- Determinar a altura manométrica (Hman).
- Interpolar os dados de vazão e altura manométrica em um diagrama de blocos do fornecedor.
- Com os modelos selecionados, obter as curvas características da bomba, geralmente no próprio catálogo.
- Determinar as grandezas relativas ao ponto de trabalho para os diversos modelos selecionados (Q, HB, hB, NPSHREQ, NB).
- Verificar o rendimento para cada modelo selecionado.
- Analisar as condições de cavitação.
- Determinar a potência necessária no eixo.
- Em função da avaliação do rendimento, NPSHREQ, potência e custo, selecionar a bomba adequada à instalação.
Partida em Bombas Centrífugas (Shut-Off)
Analisando o gráfico potência x vazão, nota-se que a potência requerida é mínima para vazão igual a zero, ou seja, quando a válvula de descarga está fechada.
Nesta condição, a bomba consome energia apenas para seus atritos internos e para as perdas de atrito do rotor girando no fluido.
Uma bomba operando em vazão igual a zero (Q=0) denomina-se “shut-off”.
Cavitação e Pressão de Vapor
O Fenômeno da Cavitação
- Fenômeno limitado a líquidos.
- Intimamente relacionado com o conceito de Pressão de Vapor.
Pressão de Vapor
A pressão de vapor de um líquido a uma determinada temperatura é aquela na qual o fluido coexiste em suas fases: líquido e vapor.
Mecanismo da Cavitação
O processo de cavitação ocorre quando a pressão local do fluido cai abaixo da sua pressão de vapor:
- Mantendo o fluido a uma pressão constante (pressão atmosférica), o aumento da temperatura provoca mudança de líquido para vapor.
- Mantendo a temperatura constante, diminuindo a pressão, ao alcançar a pressão de vapor, o líquido começará a vaporizar.
- Na tubulação de sucção, o fluido perde pressão ao longo do escoamento.
- Se a pressão absoluta em qualquer ponto desta tubulação for reduzida ou igualada à pressão de vapor, parte deste líquido se vaporizará, formando cavidades (bolhas de vapor), o que marca o início do processo de cavitação.
Consequências da Cavitação
As bolhas de vapor são conduzidas pelo fluxo até atingirem pressões mais elevadas que a pressão de vapor (geralmente no rotor), onde ocorre a implosão (colapso), caracterizando a cavitação.
Os efeitos da cavitação podem incluir:
- Ruídos e vibrações.
- Erosão das superfícies metálicas (pitting): normalmente ocorre nos locais onde as bolhas implodem.
A cavitação é normalmente acompanhada de:
- Barulho característico.
- Redução da altura manométrica e do rendimento.
Fundamentos de Hidráulica e Cinética de Fluidos
Conservação de Energia em Fluxo Permanente
Um líquido possui energia se é capaz de realizar trabalho.
Exemplo: A água utiliza energia cinética quando ela aciona uma turbina ou bomba d’água.
Cinética de Fluidos
A Hidrocinética trata do comportamento da água em movimento, sem considerar de forma explícita as forças envolvidas neste movimento.
Vazão (Q): Volume de um líquido que passa por uma seção por unidade de tempo (m³ s⁻¹ ou seus múltiplos).
Fluxos Permanentes e Uniformes
A classificação do fluxo pode ser feita em função do tempo e do espaço:
- Fluxo Permanente: A vazão permanece inalterada com o tempo (Q = constante).
- Fluxo Não Permanente: A vazão varia com o tempo (Q = variável).
O fluxo pode ser Permanente ou Não Permanente em função da variável independente tempo.
- Fluxo Uniforme: Se, em um dado instante, a velocidade permanece a mesma ao longo do conduto.
- Fluxo Não Uniforme: A velocidade varia em diferentes trechos do conduto.
O fluxo pode ser Uniforme ou Não em função da variável independente espaço.
Exemplos:
- Se a vazão for uniforme ao longo de uma tubulação de um único diâmetro, o fluxo é permanente e uniforme.
- Se nesta mesma tubulação o diâmetro for variável, o fluxo é permanente e não uniforme.
Fluxos Laminar e Turbulento
Osborne Reynolds (1883) demonstrou dois tipos básicos de fluxo que ocorrem dentro de um tubo através de um experimento com linhas de fluxo (injeção de corante).
- Fluxo Laminar: Enquanto as velocidades da água eram baixas, observavam-se linhas retas de corante que não se misturavam.
- Fluxo Turbulento: Com o aumento da velocidade, o fluxo de corante deixava de ser retilíneo, assumindo formato irregular, sem linhas de fluxo nítidas.
Viscosidade dos Fluidos
Definição de Viscosidade
Viscosidade (μ) é uma medida da resistência interna do fluido ao movimento de camadas adjacentes deste mesmo fluido, a qual produz forças de fricção ou cisalhamento entre estas camadas (ruptura das pontes de hidrogênio).
Exemplo Prático
Considere o exemplo das placas paralelas com uma pequena distância y entre elas, preenchida por um líquido. Uma das placas entra em movimento devido a uma força de ruptura tangencial e constante (F).
- A velocidade do líquido aderido à placa em movimento será proporcional à força F aplicada à placa.
- Traçando um perfil das velocidades v perpendicular à distância y, verifica-se um gradiente de velocidade ou taxa de deformação (dv/dy).
- O resultado pode ser visto como se o fluido fosse constituído por camadas com velocidades diferentes, variando entre uma velocidade nula (v=0) junto à placa fixa, e uma velocidade máxima (v=vf) junto à placa móvel.