Guia Completo de Metodologia de Pesquisa: Tipos, Projetos e Amostragem
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Metodologia de Pesquisa: Tipos, Projetos e Amostragem
O Projeto Metodológico envolve a consideração do projeto lógico e do processo de investigação. Ele responde à pergunta: Como investigar?
Em relação ao relatório final da tese (ou trabalho), devem ser desenvolvidos os seguintes pontos:
1. Tipos de Pesquisa
É importante determinar o tipo de investigação com base na questão (questão de pesquisa), nos objetivos e nas hipóteses apresentadas ao longo do trabalho, considerando o âmbito da coleta e análise de resultados. Embora relacionado, o tipo de pesquisa não deve ser confundido com o tipo de projeto de pesquisa.
O tipo de pesquisa refere-se ao objetivo final do trabalho. O projeto, por outro lado, diz respeito à estrutura global para alcançar esse objetivo.
Tipos de Pesquisa Comuns:
- Exploratória:
- Investiga problemas pouco estudados.
- Explora uma nova perspectiva.
- Ajuda a identificar conceitos promissores.
- Prepara o caminho para estudos posteriores.
- Descritiva:
- Define e mede variáveis ou coleta variáveis.
- Especifica informações, propriedades, características e traços de um fenômeno.
- Pode envolver previsão.
- Correlacional (ou de Correspondência):
- Associa variáveis através de um padrão previsível em um grupo ou população.
- Sua finalidade é compreender a relação que existe entre duas ou mais variáveis, conceitos, categorias ou variáveis em um contexto particular.
- Oferece previsões.
- Explica a relação entre variáveis.
- Quantifica a relação entre variáveis.
- Explicativa:
- Determina as causas.
- Gera um sentimento de compreensão.
- São mais estruturadas, indo além da mera exploração, descrição ou listagem de variáveis ou fenômenos.
2. Projetos de Pesquisa (Designs)
O projeto de pesquisa refere-se ao plano ou estratégia concebida para responder às perguntas da pesquisa. Permite ao pesquisador definir o que fazer para atingir seus objetivos de estudo, responder às questões que surgiram e analisar a precisão das suposições feitas.
Refere-se à condição de que o investigador irá interferir ou não com a manipulação da realidade, ou seja, a manipulação das variáveis em estudo.
Classificação dos Projetos de Pesquisa:
Nas ciências sociais, podemos encontrar diferentes classificações dos projetos:
- Não Experimental: Transacional (ou Transversal) e Longitudinal (Tendência, Evolução de Grupo, Painel).
- Experimental: Pré-experimental, Quase-experimental e Experimental Fatorial.
O projeto em particular será definido em função do nível de manipulação das variáveis independentes, do número de variáveis (independentes e dependentes), do grau de controle de variáveis estranhas ou intervenientes e do tipo de método de amostragem.
Deve-se ressaltar que a distinção entre variável independente (que o pesquisador manipula) e dependente (que recebe o efeito da independente) faz sentido aplicar somente a estudos explicativos, quando o foco é a relação causa-efeito.
O que é Manipular Variáveis?
A manipulação das variáveis é característica dos estudos experimentais ou quase-experimentais. Indica que o projeto pretende intervir em uma ou mais variáveis, ou seja, alterar seu estado atual: melhorar, reduzir, aumentar, fortalecer, etc.
2.1. Projetos Não Experimentais
São aqueles realizados sem variáveis deliberadamente manipuladas. O fenômeno sob investigação é visto como ocorre na realidade. Também chamados de investigação ex post facto.
2.1.a) Projetos Não Experimentais Transacionais (Transversais)
Coletam dados em um único momento do tempo. O objetivo é descrever variáveis e analisar seu impacto e interação em um determinado momento ou de uma única medição. Podem incluir vários grupos e subgrupos. Dividem-se em projetos descritivos e projetos correlacionais.
2.1.b) Projetos Não Experimentais Longitudinais
Estes modelos são utilizados para visualizar e analisar as mudanças ao longo do tempo em determinadas variáveis ou relações entre elas. Coletam informações sobre pontos específicos do período de estudo (Exemplo: psicologia do desenvolvimento).
- Design Longitudinal de Tendência: Foca em um grupo populacional específico. As medidas são tomadas em diferentes períodos de tempo.
- Design Longitudinal de Evolução de Grupo (Cohort): Determina as alterações ao longo do tempo em subpopulações ou grupos.
- Design Longitudinal de Painel: O mesmo grupo é usado para as medições ao longo do período de inquérito.
2.2. Projetos Experimentais
É uma pesquisa que deliberadamente manipula uma ou mais variáveis independentes (chamadas de causa) para analisar as consequências dessa manipulação em uma ou mais variáveis dependentes (efeitos), em uma situação de controle para o pesquisador.
Classificação do design experimental: Puro Experimental (total manipulação de variáveis), Pré-experimental (menor grau de manipulação), Quase-experimental (grau de manipulação muito menor).
Requisitos para uma Situação Experimental:
- Manipulação de uma ou mais variáveis independentes para analisar o efeito sobre uma variável dependente.
- Medição do efeito da variável independente sobre a variável dependente.
- Controle e validade interna do experimento.
Detalhando o Requisito 1 (Manipulação):
- Presença ou Ausência da Variável: Ter dois grupos, um exposto à variável independente (grupo experimental) e outro não (grupo de controle).
- Variação da Exposição: Observar se a magnitude do efeito sobre a variável dependente depende da intensidade do estímulo da variável independente.
Detalhando o Requisito 3 (Controle e Validade Interna):
Fontes de ameaça à validade interna:
- História
- Maturação
- Instabilidade
- Administração de Testes
- Instrumentação
- Análise de Regressão
- Seleção
- Atrito (Mortalidade Experimental)
- Interação entre Seleção e Maturação
- Outras interações.
O controle e a validade interna são alcançados através de:
- Vários Grupos de Comparação: Para comparar os resultados da intervenção.
- Equivalência de Grupos: Alcançada antes e durante o experimento, geralmente por randomização.
Design Pré-experimental:
O grau de "controle" é mínimo. O pesquisador seleciona o grupo. Encontramos: Um estudo de caso com uma única medida, e pré-teste e pós-teste com um único grupo.
Design Quase-experimental:
Os indivíduos não são aleatorizados ou combinados em grupos, mas estes grupos já estavam formados antes do experimento (grupos intactos). O grau de controle é mínima.
Tipos:
- Pós-teste com apenas grupos intactos.
- Design com pré-teste e pós-teste e grupos inteiros (um controle).
- Série de tempo de design (de um único grupo e vários grupos).
3. Definição Conceitual e Operacional das Variáveis
O que são Variáveis?
São os aspectos e características de interesse para o estudo de um fenômeno ou problema. São deduzidas dos objetivos e hipóteses. Os objetivos são operacionalizados através de variáveis.
As variáveis (dependentes e independentes) devem ser divulgadas, juntamente com o seu nível de medição (nominal, ordinal, de intervalo ou de razão).
Definição Conceitual de Variáveis
É a definição teórica de uma variável, explicando-a em termos de outros termos. Fornece a definição da literatura ou referencial teórico do atributo.
Exemplo: Variável: Ambiente de trabalho percebido (nível).
Definição do Conceito: "Qualidade do ambiente interno relativamente duradoura para uma organização que é experimentada por seus membros, influencia o seu comportamento, e pode ser descrita em termos de valores de um determinado conjunto de características ou atributos da organização" (Stringer, 2002, pg. 83).
Definição Operacional das Variáveis
Envolve o estabelecimento de como medir a variável.
Exemplo: A pontuação média obtida por um participante da pesquisa em qualquer um dos itens do Questionário de Clima Organizacional Litwin e Stringer.
4. Hipóteses de Pesquisa
O que são Hipóteses?
São propostas experimentais (respostas) para as questões de investigação que o pesquisador desenvolve com base no referencial teórico. Hipóteses são afirmações que podem ser verificadas, comprovadas ou testadas. É uma resposta antecipada a um problema de pesquisa e obtida a partir dos objetivos do estudo.
Há uma estreita relação entre o problema de pesquisa, os objetivos e as hipóteses. O pesquisador, após a formulação do problema, desenvolve uma possível resposta que deve ser verificada durante o inquérito.
Considerações Importantes:
Nem todos os estudos formulam hipóteses. Estudos exploratórios, que investigam questões desconhecidas, não as levantam. Estudos descritivos também nem sempre as levantam, dependendo do critério do investigador.
Fontes e Requisitos da Hipótese:
- Fontes: Revisão da literatura e o problema de pesquisa.
- Requisitos: Correspondência com a realidade, relação entre variáveis, variáveis mensuráveis, e que existam técnicas de teste.
Tipos de Hipóteses:
Dependendo da profundidade do estudo, as hipóteses podem ser:
- Descritivas: Preveem uma figura ou valor.
- Correlacionais: Estabelecem relações entre variáveis ou diferenças de grupo.
- Explicativas: Determinam as razões pelas quais um fenômeno ocorre.
Relação entre Âmbito do Estudo e Hipótese:
- Estudos Exploratórios: Nenhuma hipótese.
- Estudos Descritivos: Os dados do estudo podem prever uma correlação.
- Estudos Correlacionais: Especificam relações entre variáveis.
- Estudos Explicativos: Determinam as razões pelas quais um fenômeno ocorre.
Hipóteses Geral e Específicas:
- Hipótese Geral: Aquela que emerge do objetivo principal e é testada através de suas respectivas específicas.
Exemplo: Existe uma relação entre o ambiente de trabalho percebido e o nível de motivação demonstrado pelos funcionários da Alfa Fundo de Compensação.
- Hipóteses Específicas: Detalham o comportamento das variáveis de investigação relevantes. Estão diretamente relacionadas com objetivos específicos e ajudam a esclarecer o conteúdo da hipótese geral.
Exemplos:
- Trabalhadores do Fundo de Compensação da Alfa têm uma percepção positiva do clima de sua organização de trabalho.
- Trabalhadores do Fundo de Compensação da Alfa demonstram um alto nível de motivação na realização de suas atividades.
- Existe uma relação direta e positiva entre a percepção do clima de trabalho e os níveis de motivação expressos pelos trabalhadores do Fundo de Compensação Alfa.
Hipóteses em Pesquisa Qualitativa:
Em pesquisa qualitativa, as hipóteses geralmente não são formuladas da maneira tradicional dos estudos quantitativos. O que é frequentemente usado são orientações (questões norteadoras ou eixos) que guiam as ações de produção e moldam os instrumentos de coleta de dados.
5. População e Amostragem
Em uma investigação, pode-se trabalhar com toda a população ou com um subconjunto desta (amostra) por razões de praticidade e economia de recursos.
Tipos de Amostragem:
A amostragem pode ser:
- Probabilística: (Aleatória Simples, Sistemática, Estratificada, por Conglomerados/Clusters).
- Não Probabilística: (Acidental/Casual, Intencional/Por Quotas, Bola de Neve).
Tamanho da Amostra:
Existem diferentes fórmulas para calcular o tamanho da amostra. Critérios gerais sugerem que uma amostra estatisticamente representativa deve ser de pelo menos 5% da população. Em outros casos, sugere-se trabalhar com amostras grandes, de pelo menos 30 casos (Lei dos Grandes Números).
Amostragem Probabilística Detalhada:
A base é que todos os componentes de um universo têm uma chance igual de ser incluído na amostra.
Amostra Probabilística Simples:
Quando todas as unidades do universo são conhecidos e têm a mesma chance de ser selecionadas. Métodos incluem sorteio (cartões) ou a tabela de números aleatórios. Outro procedimento útil é a seleção sistemática de elementos da amostra, onde o intervalo (K) é determinado por K = N / n (Tamanho da População / Tamanho da Amostra).
Amostra Probabilística Estratificada:
Usada quando há camadas (estratos) de importância para a pesquisa no universo. A amostra é selecionada dentro do estrato.
- Amostragem Estratificada Proporcional: Mantém a mesma proporção dos estratos que aparecem na população. Aplica-se amostragem aleatória simples dentro de cada estrato.
- Amostragem Estratificada Não Proporcional: Usada quando se justifica a manipulação do número de casos a serem selecionados em cada estrato.
Amostra Probabilística por Conglomerados (Clusters):
A unidade de amostragem não é o elemento individual, mas o conglomerado (unidade física ou geográfica). É usada para reduzir custos, tempo e energia.
Amostra Probabilística de Múltiplas Fases:
Baseada na subdivisão de unidades amostrais (unidades primárias, secundárias, etc.) até satisfazer o critério de pesquisa.
Amostragem Não Probabilística Detalhada:
A seleção de unidades ou casos fica a critério do investigador, considerando propriedades de acordo com fins específicos de estudo. A escolha não é aleatória.
Tipos de Amostras Não Probabilísticas:
- Amostra por Tipo de Sujeito: Baseada em temas típicos em relação a uma característica particular. O objetivo é a riqueza, profundidade e qualidade da informação.
- Amostra de Sujeitos Voluntários: Usada quando se busca homogeneidade em algumas variáveis, para que os resultados não obedeçam a diferenças individuais.
- Amostra de Especialistas: Usada quando é necessário o parecer de especialistas no assunto.
- Amostra por Quotas: Os entrevistadores são instruídos a aplicar questionários com pessoas selecionadas por eles, preenchendo quotas de acordo com a proporção de algumas variáveis da população.
- Amostragem Bola de Neve (Snowball): Contato inicial com indivíduos que, por sua vez, indicam outros. Útil para acessar populações difíceis.
6. Técnicas e Instrumentos de Coleta de Dados
Neste ponto, devem ser descritos os instrumentos utilizados para coletar dados de pesquisa.
Requisitos para Instrumentos de Coleta de Dados:
- Validade: O instrumento mede aquilo que se propõe a medir e nada mais.
- Confiabilidade (Fidedignidade): O instrumento, aplicado em outras ocasiões, produz resultados semelhantes.
Instrumentos Comuns em Pesquisa Quantitativa:
No caso de trabalhar com questionários ou escalas, deve-se descrever o número de itens, as dimensões, a fundamentação teórica, o modo de correção e as características técnicas (confiabilidade, validade e normas), citando os autores.
Tipos de Instrumentos Quantitativos:
- Escalas para Medição de Atitudes:
- Escala Likert: Procedimento desenvolvido por Rensis Likert (1930), ainda recorrente para medir atitudes.
- Questionários:
- Tipos de perguntas: Fechadas e abertas.
- Características: Claras, compreensíveis, não devem induzir a resposta.
- Testes Padronizados: Medem um grande número de variáveis (competências, personalidade, motivação, etc.).
Técnicas de Produção de Informação Qualitativa:
Essas estratégias são abertas e flexíveis, respondendo a aspectos não mensuráveis da realidade construída pelo mundo social.
Tipos de Técnicas Qualitativas:
- Entrevistas em Profundidade / Semi-estruturadas / Biográficas (Histórias de Vida).
- Observação: Registro sistemático, válido e confiável de comportamento.
- Tipos: Participante e Não Participante.
- Análise de Conteúdo: Técnica para estudar e analisar a comunicação de forma objetiva, sistemática e quantitativa.
- Sessão em Profundidade (Grupos Focais): Reúne um grupo de pessoas para trabalhar em relação às variáveis pesquisadas.
7. Processo de Análise de Dados
Deve-se referir e justificar o procedimento para análise de dados, que depende da natureza dos dados, do nível de medição das variáveis (nominal, ordinal, de intervalo ou de razão) e do modo de estudo (exploratório, descritivo, correlacional e explicativo).
Análise Quantitativa:
Identificar os elementos analisados com estatística descritiva e inferencial, juntamente com o tipo de teste estatístico utilizado (paramétrico ou não paramétrico).
Especificar o software e a versão utilizada (SPSS 16.0, STAT, EXCEL, etc.).
Exemplo: Para avaliar a correlação entre duas variáveis de nível de intervalo, foi utilizado o coeficiente de correlação de Pearson (teste paramétrico).
Análise Qualitativa:
Deve-se especificar se será utilizada análise de conteúdo, análise do discurso, o tipo de codificação (aberta, axial, seletiva), etc. O procedimento deve ser consistente com a epistemologia e as escolas metodológicas relacionadas.