Guia Completo de Processos de Manufatura Aditiva (AM)

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Processo FDM (Fused Deposition Modeling)

A Manufatura Aditiva (AM) é o processo de criação de objetos tridimensionais (3D) a partir de um modelo digital, adicionando material camada por camada. A tecnologia FDM (Fused Deposition Modeling), ou Extrusão de Material, é um tipo de manufatura aditiva em que um filamento termoplástico ou compósito é derretido por um bico aquecido e depositado com precisão para formar o objeto.

Etapas do Processo de FDM

  • Preparação: Seleção de material, orientação da peça, escolha do bico e preparação da plataforma.
  • Impressão: Extrusão e deposição do material derretido em camadas.
  • Pós-processamento: Remoção de suportes, limpeza, acabamentos como lixamento, pintura ou alisamento.

Características Técnicas do FDM

  • Volume típico de construção: 914 x 600 x 914 mm
  • Alimentação de material: filamento sólido derretido no bico
  • Espessura das camadas: entre 0.17 a 0.33 mm
  • Suporte: Materiais auxiliares removíveis, solúveis ou não, dependendo do polímero principal.

Materiais Utilizados em FDM

  • ABS-M30™: Versátil, boa resistência, protótipos funcionais.
  • ABS-ESD7™: Dissipativo eletrostático, ideal para eletrónica.
  • ASA: Resistente a UV, boa estética, aplicações exteriores.
  • PC-ABS: Combinação de resistência térmica e mecânica.
  • Nylon 12 (PA 12): Resistente à fadiga, absorve vibração, ideal para encaixes e aeroespacial.
  • PPSF: Excelente resistência térmica e química, esterilizável.
  • ULTEM 1010™ (PEI): Alta resistência, aplicações alimentares, médicas e aeroespaciais.

Comparação de Desempenho dos Materiais

  • Resistência UV: ASA > ABS > PC-ABS.
  • Resistência térmica e química: ULTEM > PPSF > Nylon.
  • Facilidade de impressão: ABS e ASA são mais fáceis; ULTEM e PPSF requerem temperaturas elevadas.
  • Suporte solúvel: Presente em ABS, ASA, Nylon; ausente em ULTEM e PPSF (suporte deve ser quebrado).

Pós-processamento em FDM

  • Remoção de suportes: solúvel ou por quebra.
  • Alisamento: ligamento, polimento ou vaporização com acetona.
  • Pintura: primer e tinta.
  • Soldagem a frio: com adesivos ou solventes para unir partes.

Diretrizes de Design para FDM

  • Espessura de camada: Menor para detalhes, maior para protótipos.
  • Espessura mínima de parede: 1.2 mm; ideal 6 mm para evitar empenamento.
  • Anisotropia: Força mecânica varia entre camadas; importante orientar corretamente a peça.
  • Furos: Diâmetro mínimo de 2 mm para evitar necessidade de perfuração pós-impressão.
  • Peças móveis: Folga mínima de 0.5 mm entre peças; evitar intertravamento com materiais de suporte não solúvel.

Aplicações do FDM

  • Protótipos funcionais e conceituais.
  • Ferramentas e gabaritos.
  • Peças finais de baixo volume.
  • Aplicações em setores automotivo, aeroespacial, médico e eletrónico.

Processo SLA (Stereolithography)

A SLA (Stereolithography) é uma das tecnologias de Fabricação Aditiva (AM). Isso significa que os objetos são criados adicionando camadas sucessivas de material, ao contrário dos métodos subtrativos (como usinagem).

  • Foi inventada em 1986 por Charles W. Hull.
  • Primeiro sistema de prototipagem rápida (3D Systems Inc., 1989).
  • Utiliza resina líquida fotopolimerizável, solidificada camada por camada por um laser UV.

Como funciona o processo SLA?

  1. Início da impressão: Um tanque contém resina epóxica líquida. A plataforma de construção começa ligeiramente abaixo da superfície da resina.
  2. Polimerização por laser: Um laser UV de baixa potência varre a primeira camada e solidifica a resina onde ele incide. A área fora da camada permanece líquida.
  3. Adição de novas camadas: A plataforma desce ligeiramente. Uma lâmina espalha uma nova camada de resina sobre a anterior. O laser solidifica novamente, camada por camada, até o modelo estar completo.
  4. Pós-processamento: O objeto é removido do tanque. Excesso de resina é limpo. Os suportes (gerados automaticamente) são removidos. O modelo é colocado em uma câmara UV para cura final.

Equipamento e Características

  • Exemplo de impressora: Form 3 (Formlabs).
  • Volume de construção: 145 x 145 x 185 mm.
  • Espessura de camada: 0.025 – 0.300 mm.
  • Suportes: Removíveis com facilidade ("light-touch").
  • Características dos protótipos SLA: Aparência de plástico translúcido, alta precisão e detalhamento fino, rigor dimensional.

Aplicações da SLA

  • Testes de encaixe e dimensionamento.
  • Protótipos funcionais para testes de mercado.
  • Moldes de produção ou “masters” para fundição a vácuo.

Processo DFAM (Design for Additive Manufacturing)

O que é DFAM?

DFAM (Design for Additive Manufacturing) é a abordagem de design focada em explorar ao máximo os benefícios da manufatura aditiva (AM), adaptando ou criando peças otimizadas desde o início do processo.

Dois principais objetivos:

  1. Criar produtos baseados nas funções e nas restrições do processo AM.
  2. Redesenhar produtos existentes para aproveitar as características únicas da manufatura aditiva.

Diferença entre AfAM e DFAM

  • AfAM (Adapted for AM): Design convencional ajustado para AM. Não é otimizado.
  • DFAM: Design otimizado desde o início para AM. Explora ao máximo as vantagens do processo.

Técnicas de design para AM

  1. Design Generativo: Gera milhares de opções com base em parâmetros (peso, altura, material, etc.).
  2. Otimização Topológica: Distribuição eficiente do material dentro de um espaço de projeto, considerando cargas, restrições e condições de contorno.
  3. Estruturas em Malha (Lattice Structures): Redução de peso, absorção de energia, isolamento térmico. Preenche o design com estruturas otimizadas.
  4. Cooling Conformal: Canais de refrigeração otimizados integrados em geometrias complexas.
  5. Guias de Design: Práticas recomendadas: espessura mínima, ângulos, necessidade de suporte, etc.

Diretrizes específicas por processo AM

Material Extrusion (FDM)

  • Espessura da parede: 1 – 1.2 mm mínima.
  • Ângulo de suporte: ≥ 45° é auto-suportável.
  • Partes móveis: Folga mínima de 0.5 mm.

Polymer Powder Bed Fusion (SLS)

  • Paredes ocas: Furos de escape ≥ 5 mm.
  • Partes móveis: Folga de 0.5 – 0.6 mm.

Metal Powder Bed Fusion (DMLS)

  • Espessura da parede: ≥ 1 mm.
  • Furos comuns: Ø 1.5 – 6 mm sem suporte.

Material Jetting (MJ - PolyJet)

  • Espessura da parede: ≥ 1 mm.
  • Partes móveis: Folga mínima de 0.4 mm.

Processo Binder Jetting

O que é o processo Binder Jetting?

Binder Jetting é um processo direto de fabricação que utiliza pós metálicos com ligantes poliméricos.

Princípio de Funcionamento:

  1. Material de base: Pó metálico (geralmente aço) e ligante polimérico que agrega os grãos de pó.
  2. Ação do laser: Um laser aquece e reticula o ligante polimérico, solidificando camada por camada.
  3. Resultado inicial: A peça formada é chamada de “peça verde” – ainda frágil e porosa.

Pós-processamento: Infiltração

O objetivo é aumentar a resistência e a densidade da peça verde.

  1. A peça verde é infiltrada com bronze.
  2. O conjunto é aquecido em forno com temperatura controlada.
  3. O bronze fundido penetra nos poros da peça, aumentando sua densidade e resistência.

Resultado final e propriedades

  • Composição final da peça: 60% aço + 40% bronze.
  • Propriedades mecânicas semelhantes ao aço P-20.
  • As peças podem ser usinadas, polidas, soldadas ou erodidas, como moldes metálicos convencionais.

Processo – LOM (Laminated Object Manufacturing)

O que é o processo LOM?

LOM é um processo de fabricação aditiva em camadas, usando folhas de material coladas e cortadas para formar o objeto.

Funcionamento do LOM

  1. Materiais utilizados: Principalmente folhas de papel impregnadas com cola termoplástica na parte inferior.
  2. Etapas do processo: Desenrolar do papel, um rolo pré-aquecido comprime a folha sobre a anterior, colando as camadas. Um laser corta o contorno da peça camada por camada. A plataforma de construção desce e o processo se repete.

Características e Vantagens

  • O material excedente ao redor da peça funciona como suporte estrutural.
  • Baixo custo de material (papel).
  • Boa para peças grandes e com geometrias simples.

Limitações

  • Peças frágeis antes do acabamento.
  • Necessita pós-processamento (impermeabilização).
  • Menor resolução e precisão comparada a tecnologias modernas.

Processo – DMLS (Direct Metal Laser Sintering)

DMLS ou SLM é uma tecnologia de fabrico aditivo metálico do tipo PBF – Powder Bed Fusion, que utiliza um laser de alta potência para fundir camadas de pó metálico.

Como funciona o DMLS / SLM?

  1. Matéria-prima: Pós metálicos finos (alumínio, aço, titânio, cobre, níquel...). 100% do pó não fundido é reutilizável.
  2. Etapas do processo: O pó é espalhado em camadas finas. A área de construção é mantida em ambiente inerte e temperatura controlada. Um laser de alta potência funde seletivamente cada camada. A plataforma baixa e repete-se o processo.

Parâmetros importantes e recomendações de design

  • Espessura mínima de parede: 0.75 mm.
  • Furos/pinos: Ø mínimo de 1 mm.
  • Suportes necessários: Fundamentais para geometrias inclinadas.

Vantagens e Desvantagens

  • Vantagens: Boa precisão dimensional, excelente estabilidade e resistência mecânica, liberdade geométrica.
  • Desvantagens: Materiais limitados, equipamento e operação complexos, necessidade de pós-processamento.

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