Guia Completo de Técnicas de Pintura: Acrílico, Óleo e Mural

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Pintura Acrílica: História, Características e Uso

Os acrílicos surgiram em meados do século XIX, mas só se popularizaram na indústria nos anos 30 do século passado. Foram artistas norte-americanos que começaram a usar tinta acrílica, incorporando-a rapidamente à arte contemporânea.

Os artistas tornaram-se conscientes das muitas possibilidades técnicas desse meio, como a estabilidade das cores e, o mais importante, a velocidade de secagem. O acrílico tem semelhança com o óleo na estabilidade de cor e textura, mas uma enorme vantagem em termos de secagem, que é quase imediata.

Atualmente, o acrílico tem um grande número de seguidores, principalmente para trabalhos de grandes dimensões. No entanto, muitos artistas combinam o acrílico com o óleo, não abandonando totalmente este último.

Características da Tinta Acrílica

As tintas acrílicas são um derivado da indústria de plásticos, semelhantes às tintas de parede, e utilizam pigmentos que podem ser naturais ou sintéticos. Os pigmentos são os mesmos usados para o óleo; a única diferença é o ligante. No óleo, o ligante é o óleo; nos acrílicos, é uma emulsão aquosa transparente de resinas de polímeros. Isso explica por que o acrílico é tão resistente: a resina seca como um revestimento plástico que é impossível de remover.

As tintas acrílicas são diluídas em água, ao contrário do óleo, que é diluído com solventes. Embora seja essencial diluir em água para certos usos, geralmente a tinta é usada diretamente do tubo.

É comum misturar o acrílico com aditivos que servem para dar consistência ou acabamento fosco ou brilhante. Isso permite usar acrílicos em camadas espessas, aplicadas com espátula, ou diluí-los com água para um uso semelhante à aquarela. A versatilidade e a secagem rápida são grandes vantagens, permitindo trabalhar quase continuamente em grandes pinturas.

Vantagens e Aplicações do Acrílico

Podemos usá-los em combinação com outros materiais para pintura ou desenho em técnica mista.

Podemos destacar as seguintes características do acrílico:

  • Sua leveza, proporcionando amplas gamas de cor.
  • A transparência e densidade.
  • Estabilidade.
  • Fluidez nas misturas.
  • Secagem e retração, o que permite utilizar grandes preenchimentos que secam rapidamente.
  • Estabilidade à luz, o que significa que tem uma alta resistência à degradação da cor, dada pelo próprio meio que protege os pigmentos. Não amarela ou oxida.
  • Secagem rápida, permite a sobreposição de cores e o trabalho rápido.

Pode-se raspar, pulverizar (spray) e misturar com outros materiais. É possível criar superfícies localizadas.

Materiais e Suportes

Apresentação
  • Tubos
  • Potes (Barcos)
Suportes (Mídias)

Papel, cartão, tela, madeira. Não deve ser usado em superfícies gordurosas ou preparadas para pintura a óleo.

Paletas

Melhor usar vidro, plástico ou madeira com primer acrílico, pois a tinta não adere. (Não é possível usar madeira não tratada, pois a tinta permanece nela).

Pincéis e Ferramentas

Usam-se pincéis de cerdas (como os de óleo) ou pincéis sintéticos. Também são usadas espátulas.

Procedimentos

Pode-se aplicar por lavagem, spray ou batida para criar diferentes texturas.

Pintura a Óleo: História, Características e Materiais

A arte da pintura a óleo é conhecida por usar óleos combinados com outras substâncias para obter um produto adequado para a pintura. O óleo, como técnica moderna, já estava disseminado entre os artistas da Idade Média, especialmente quando combinado com têmpera de ovo ou em pintura ao ar livre. Seu uso generalizou-se na Europa a partir do século XVI.

Características da Tinta a Óleo

A pintura a óleo é feita de pigmentos de terra e ligantes de óleos de secagem lenta, como óleo de linhaça ou óleo de noz, que secam por oxidação. O óleo mais comumente usado é o óleo de linhaça, que é frequentemente misturado com pigmentos minerais que fornecem a cor.

Tanto pela sua densidade quanto pela textura, o óleo tem a vantagem de permanecer húmido por muito tempo, dando ao pintor a oportunidade de limpar erros com uma espátula e recomeçar. Ao contrário do afresco ou da têmpera, que secam rapidamente, a humidade do óleo favorece sessões de trabalho mais longas.

As cores a óleo não mudam quando secam, mas ao longo dos anos tendem a escurecer devido à oxidação do óleo. O tempo de secagem do óleo depende da sua cor (as cores da terra são as mais rápidas). Muitos fabricantes usam aceleradores ou retardadores para uniformizar o tempo de secagem das diferentes cores. Em geral, a secagem do óleo dura entre 2 e 10 dias, dependendo do clima.

Técnicas de Aplicação do Óleo

A pintura a óleo pode ser trabalhada de duas maneiras: com veladuras (esmaltes finos ou transparentes) ou através de preenchimento (impasto), que confere maior opacidade. As diferenças de cor também variam o grau de opacidade.

O óleo pode ser trabalhado molhado sobre molhado, o que permite criar gradientes (fades), ou deixar as camadas secarem para trabalhar molhado sobre seco. A pintura a óleo é frequentemente diluída com aguarrás para torná-la mais fina. O ideal é misturar o óleo com aguarrás e resina Damar para dar ao óleo a consistência desejada.

Materiais Essenciais para Pintura a Óleo

  • Apresentação: É vendido em tubos de cores diferentes (8 ou 9 tubos são suficientes, pois misturam bem entre si). Existem diferentes marcas de tintas a óleo, dependendo das qualidades, o que se reflete no preço.
  • Solventes e Diluentes:
    • White Spirit (Aguarrás Mineral): É o solvente mais prático. Também é usado para limpeza de pincéis e materiais. É altamente combustível, devendo ser manuseado com cuidado.
    • Terebintina: De boa qualidade, mistura-se bem com o óleo e a evaporação é uniforme. É usada como substituto do aguarrás. Cheira menos intensamente, não produz reações alérgicas e é mais económica.
    • Essência de Terebintina: É mais tóxica e tem um cheiro muito forte. Ainda é usada em vez de aguarrás. A única vantagem é que evapora mais rapidamente. Se for adicionado demasiado aguarrás, a pintura antiga pode ser suavizada.
  • Suportes: O suporte ideal é a tela, mas também se pode usar metal, madeira ou cartão. O pano de linho fino é esticado sobre uma armação de madeira, tratado com primer de cola animal (cola de coelho e branco opaco). Os painéis de madeira apropriados, com primer, fornecem uma base mais permanente do que a tela.
  • Pincéis: Os mais adequados são os de cerdas, por serem resistentes e duráveis. Também se usa pelo fino para dar os últimos retoques. Os pincéis utilizados são os planos e redondos. Outros formatos incluem:
    • Filberts (mistura de redondo e plano, usado para fazer fundições).
    • Square (planos e curtos, para bons preenchimentos).
    • Língua de Gato (para traços muito leves).
    A faca ou espátula também é usada para preenchimentos e texturas, e para misturar as cores na paleta.
  • Paletas: Usam-se paletas de madeira com o orifício para o polegar. (Normalmente não têm pequenos poços como as de aquarela).

Procedimentos e Outras Técnicas

Geralmente, começa-se com um desenho preliminar em carvão ou grafite. Posteriormente, delineiam-se as formas e cores com tinta diluída em aguarrás. As camadas de cor devem ser aplicadas da menor para a maior quantidade de tinta para evitar problemas de rachaduras.

Técnicas Específicas

  • Alla Prima (Método Direto): Método de pintura direta, fácil e seguro. A imagem é aplicada numa única sessão, o que exige que o traço esteja correto. É usada para destacar a expressividade da obra, usando poucas cores misturadas. Todo o trabalho de pintura é feito ao mesmo tempo, portanto não há problemas de secagem, pois tudo está molhado. Foi usada pelos impressionistas e paisagistas ingleses.
  • Veladuras (Esmaltes): Técnica mais utilizada no Renascimento (e por artistas posteriores como Rembrandt). Consiste em dar camadas muito finas de tinta, de modo que a camada inferior seja transparente e a cor que se vê seja o resultado da mistura da cor de fundo com a veladura. É necessário que a camada inferior esteja completamente seca.
  • Preenchimentos (Impasto): Uso de tinta muito grossa (diretamente do tubo) para separação, ou em mistura com serragem, areia ou pó de mármore para criar texturas. Pode-se trabalhar com pincel ou espátula (exemplo: Vincent Van Gogh).

Vantagens e Desvantagens do Óleo

  • Benefícios: Alta qualidade e nitidez para trabalhar grandes tamanhos. Variedade de cores. Facilidade de técnicas.
  • Desvantagens: Processo de secagem muito lento. Escurecimento das cores com o tempo. Risco de rachaduras se os métodos de trabalho adequados não forem seguidos.

Pintura Mural: História, Afresco e Técnicas

A primeira pintura da história, a rupestre, foi executada nas paredes rochosas das cavernas paleolíticas, usando pigmentos naturais e ligantes de resina. A pintura em muros e paredes dominou na Antiguidade e durante o período Românico.

Diminuiu no Gótico, pois as paredes foram substituídas por vitrais, o que determinou a ascensão da pintura de painel. Durante o Renascimento, houve grandes murais, incluindo os afrescos de Rafael nas Stanze do Vaticano e o trabalho de Michelangelo Buonarroti na Capela Sistina. Posteriormente, limitou-se à decoração de paredes e tetos, destacando-se as grandes decorações do Barroco e Rococó, que, combinadas com relevos em estuque, deram origem a criações ilusionistas.

A pintura mural nunca desapareceu, como pode ser visto no trabalho dos muralistas hispânicos. Os mais famosos foram Diego Rivera, David Alfaro Siqueiros e José Clemente Orozco (México), e Teodoro Núñez Ureta (Peru).

O graffiti de rua, pelo menos na sua forma mais artística e monumental, pode ser considerado uma pintura mural urbana contemporânea.

Características da Pintura Mural

O mural é principalmente uma decoração arquitetónica, mas também serviu a fins didáticos. O mural deve conter uma narrativa. Por isso, diz-se que é como um filme parado.

Principais Características

  • Monumentalidade: Dada não apenas pelo tamanho da parede, mas por questões de composição da imagem.
  • Poliangularidade: Quebra do plano espacial da parede.

Técnicas de Pintura Mural

Exceto na pré-história, não se pinta diretamente na parede, mas numa fina camada intermédia. A principal técnica utilizada ao longo dos séculos para o mural é o Afresco.

O Afresco (Buon Fresco)

O afresco tem sido a principal técnica de pintura mural. Ao contrário de outros procedimentos, a parede deve estar húmida no momento da pintura. A técnica consiste na aplicação de pigmentos dissolvidos em água pura ou de cal na parede, que deve ser preparada com uma argamassa de cal e areia:

  1. Preparação da Superfície: A superfície é preparada com várias camadas de gesso. Primeiro, um gesso mais grosso, o arriccio.
  2. Aplicação da Camada Final: Em seguida, uma fina camada de areia fina e cal, chamada intonaco.
  3. Pintura: Na parede ainda húmida, aplica-se o pigmento dissolvido em água de cal.

O processo baseia-se na carbonatação da cal. Quando a água da parede seca e evapora, o cal absorve dióxido de carbono do ar, produzindo carbonato de cálcio com função cristalina. A cor e a parede tornam-se uma superfície única, com todos os elementos integrados, sendo insolúvel e inalterável. É a técnica de pintura mural mais durável. A aplicação das cores requer rapidez e segurança, pois a parede não deve secar (exemplo: Goya).

Outras Técnicas Murais

Os murais podem ser produzidos de diferentes maneiras:

  • Afresco (Al Fresco): A pintura é colocada no reboco enquanto a parede ainda está fresca.
  • A Seco: A tinta é colocada numa parede que já secou.
  • Encáustica: Técnica usada pelos romanos, onde as cores são dissolvidas numa mistura de cera e resina e aplicadas a quente.
  • Têmpera: É possível pintar em têmpera sobre paredes e tetos. Neste caso, deve-se esperar que o gesso esteja seco.
  • Acrílico: No início do século XX, o material acrílico tornou-se relevante, usado, entre outros, pelos mexicanos Rivera e Orozco. Hoje, é usado para garantir longa duração e baixa manutenção, especialmente em exteriores.
  • Outros Materiais: Sgraffito em cimento colorido, mural de cerâmica, mosaico de pedras, azulejos, etc.

Pintura Mural a Seco (Variantes)

O uso a seco nas paredes é mais comum para fazer correções. Embora pinturas completas possam ser feitas, com novos procedimentos como a tinta acrílica, o uso tradicional a seco é menos frequente.

  • Frio e Seco: Usa cal diluída em água como aglutinante de cor. É menos durável e leve do que outros métodos.
  • Têmpera: Usada principalmente para retoques em afrescos. Geralmente em tamanhos pequenos. Raramente utilizada hoje.
  • Óleo: Foi usado com uma preparação especial da parede (como selante). Goya usou-o na Aula Dei e na Quinta del Sordo.

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