Guia de Controle Biológico e Manejo de Pragas (MIP)
Classificado em Biologia
Escrito em em
português com um tamanho de 5,68 KB
O que são pragas agrícolas?
Quando um organismo, seja ele planta ou animal, interfere na produção de uma plantação, causando prejuízo ao agricultor, é considerado uma praga e deve ser controlado.
O que é o controle biológico de pragas?
O controle biológico consiste no emprego de um organismo (predador, parasita ou patógeno) que ataca outro organismo que esteja causando danos econômicos às lavouras. A sua base é o mecanismo de densidade recíproca, onde um ser vivo sempre será explorado por outro, mantendo o equilíbrio.
Pode ser interpretado de três formas:
- Como um campo de estudos em áreas como ecologia de populações, biossistemática, comportamento, fisiologia e genética.
- Como um fenômeno natural, onde quase todas as espécies têm inimigos naturais que regulam suas populações.
- Como uma estratégia de controle de pragas através da utilização de parasitoides, predadores e patógenos.
Tipos de Controle Biológico
Controle Biológico Natural
Caracteriza-se pela atuação constante de agentes de controle nativos (parasitoides, predadores e entomopatógenos) sobre as populações das pragas. Envolve as ações combinadas de fatores bióticos e abióticos do meio ambiente na manutenção do equilíbrio natural.
Controle Biológico Aplicado
Envolve a interferência humana para incrementar as interações antagônicas que ocorrem na natureza. Embora os agentes, como as vespinhas, possam se estabelecer no local de liberação, sua atuação é semelhante à de um inseticida sintético, controlando a praga rapidamente. Esse tipo de controle pode ser dividido em:
- Clássico: Consiste na importação de agentes de controle de um país ou região para outra, com o objetivo de estabelecer um equilíbrio biológico para uma determinada praga.
- De Conservação
- Aumentativo
Quem são os Inimigos Naturais?
Os organismos vivos que atuam como agentes de controle biológico constituem o grupo dos inimigos naturais, formado por parasitoides, predadores e patógenos.
- Os dois primeiros (parasitoides e predadores) são denominados agentes entomófagos.
- O último (patógenos) é denominado entomopatogênico.
Tipos de Parasitoides
Parasitoide é um inseto que parasita um hospedeiro, completa seu ciclo em um único hospedeiro e, usualmente, o mata.
- Primários: Desenvolvem-se em hospedeiros não parasitoides (fitófagos, saprófagos, polenófagos, etc.).
- Hiperparasitoides: Desenvolvem-se em outro parasitoide (são "o parasitoide do parasitoide").
- Endoparasitoides: Desenvolvem-se dentro do corpo do hospedeiro. Podem ser solitários (uma larva por hospedeiro) ou gregários (várias larvas por hospedeiro).
- Ectoparasitoides: Desenvolvem-se fora do corpo do hospedeiro, alimentando-se através do tegumento. Também podem ser solitários ou gregários.
Categorias de Parasitismo
- Multiparasitismo: Ocorrência de mais de uma espécie de parasitoide dentro de um mesmo hospedeiro.
- Superparasitismo: Ocorrência de vários indivíduos da mesma espécie de parasitoide dentro de um mesmo hospedeiro.
Controle vs. Regulação de Populações
Embora utilizados erroneamente como sinônimos, os termos controle e regulação referem-se a processos distintos com efeitos diferentes sobre as populações.
- Controle: Refere-se a fatores de supressão que destroem uma porcentagem fixa da população, independentemente de sua densidade.
- Regulação: Inclui o efeito de fatores do meio ambiente cuja ação é determinada pela densidade da população. Ou seja, uma porcentagem maior é destruída quando a população aumenta, e vice-versa.
O que é MIP (Manejo Integrado de Pragas)?
MIP é a sigla para Manejo Integrado de Pragas, uma estratégia que combina diferentes métodos de controle para manter as pragas em níveis que não causem danos econômicos.
Bases do MIP
- Condições do ambiente (fatores climáticos).
- Níveis de controle.
- Monitoramento constante.
- Conhecimento de Taxonomia, Biologia e Ecologia da praga e da cultura (fenologia, nutrição e estresse da planta; fase do inseto e seu nicho).
Pilares do MIP
- Controle Cultural: Manter áreas de refúgio para plantas BT, manter culturas alternativas, eliminar soqueiras, rebrota e plantas daninhas hospedeiras na entressafra.
- Controle Biológico: Utilização de inimigos naturais.
- Controle Comportamental: Usar plantas-armadilha e plantas repelentes.
- Controle Genético: Liberação de machos estéreis.
- Controle Varietal: Uso de variedades de plantas resistentes.
- Controle Químico: Uso de pesticidas de forma racional e seletiva, como último recurso.
Exemplo de agente de controle biológico
Um exemplo é o fungo entomopatogênico Metarhizium anisopliae.
Por que optar pelo controle biológico em vez do químico?
Esta seção explora as vantagens do controle biológico, como a redução do impacto ambiental, a segurança para aplicadores e consumidores, e a prevenção do desenvolvimento de resistência a pesticidas nas pragas.