Guia de Controle Total de Perdas e Segurança do Trabalho

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Controle Total de Perdas

O Controle Total de Perdas envolve conceitos relativos a acidentes com lesões pessoais e danos à propriedade, englobando ainda perdas provocadas por explosões, incêndios, roubo, sabotagem, vandalismo, poluição ambiental, doença, defeito do produto, etc.

Abrangência do Controle Total de Perdas

Então, em termos gerais, pode-se dizer que o Controle Total de Perdas envolve:

  • Prevenção de lesões (acidentes que têm como resultado lesões pessoais);
  • Controle total de acidentes (danos à propriedade, equipamentos e materiais);
  • Prevenção de incêndios (controle de todas as perdas por incêndios);
  • Segurança industrial (proteção dos bens da companhia);
  • Higiene e saúde industrial;
  • Controle da contaminação do ar, água e solo;
  • Responsabilidade pelo produto.

SESMT (Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e Medicina do Trabalho)

O SESMT é o serviço especializado em engenharia de segurança e medicina do trabalho. O SESMT de uma empresa poderá ser formado por uma equipe multidisciplinar composta por técnicos e engenheiros de segurança do trabalho, médico e enfermeiro do trabalho.

A quantidade e os profissionais que comporão o SESMT de uma empresa são determinados pela Norma Regulamentadora nº 4, quadro II, da Portaria 3.214/78 do MTE, que levará em consideração o número de funcionários e o grau de risco da empresa.

Exemplo: a equipe será composta de dois técnicos de segurança do trabalho que atuam em tempo integral e um médico do trabalho (prestador de serviço), que atua por apenas duas horas, por dois dias da semana.

Atribuições do SESMT

  • Inspecionar locais, instalações e equipamentos da empresa, observando as condições de trabalho para determinar fatores de risco de acidente;
  • Estabelecer normas e dispositivos de segurança, sugerindo eventuais modificações nos equipamentos e instalações e verificando sua observância, para prevenir acidentes;
  • Inspecionar os postos de combate a incêndios, examinando as mangueiras, hidrantes, extintores e equipamentos de proteção contra incêndios, para certificar-se de suas perfeitas condições de funcionamento;
  • Comunicar os resultados de suas inspeções, elaborando relatórios para propor a reparação ou renovação do equipamento de extinção de incêndio e outras medidas de segurança;
  • Investigar acidentes ocorridos, examinando as condições da ocorrência, para identificar suas causas e propor as providências cabíveis.

Diferença entre SESMT e CIPA

O SESMT tem por finalidade promover a saúde e proteger a integridade física do trabalhador no local de trabalho. Já a CIPA atua na prevenção de acidentes e doenças decorrentes do trabalho, de modo a tornar compatível permanentemente o trabalho com a preservação da vida e promoção da saúde dos trabalhadores.

Diferença básica entre esses dois órgãos:

  • CIPA: representantes dos empregados e do empregador;
  • SESMT: profissionais especialistas em segurança do trabalho.

EPI — Equipamento de Proteção Individual (NR6)

Conforme a Norma Regulamentadora nº 6, Equipamento de Proteção Individual (EPI) é todo dispositivo de uso individual utilizado pelo empregado, destinado à proteção de riscos suscetíveis de ameaçar a segurança e a saúde no trabalho.

A empresa é obrigada a fornecer ao empregado, gratuitamente, EPI adequado ao risco, em perfeito estado de conservação e funcionamento nas seguintes circunstâncias:

  • Sempre que as medidas de ordem geral não ofereçam completa proteção contra os riscos de acidentes do trabalho ou de doenças ocupacionais;
  • Enquanto as medidas de proteção coletiva estiverem sendo implantadas;
  • Para atender situações de emergência.

Pode-se classificar os EPIs agrupando-os segundo a área do corpo que devem proteger.

Proteção para cabeça, crânio, visão e audição

  • Capacete;
  • Protetor facial contra impacto;
  • Protetor facial contra respingos;
  • Óculos de segurança contra impacto;
  • Óculos para soldador;
  • Máscara facial para soldador;
  • Protetor auditivo tipo plugue;
  • Protetor auditivo tipo concha.

Proteção para membros superiores

Nos membros superiores, situam-se as partes do corpo onde, com maior frequência, ocorrem lesões: as mãos. Grande parte destas lesões pode ser evitada com a utilização de luvas. As luvas impedem o contato direto com materiais cortantes, abrasivos, aquecidos ou com substâncias corrosivas e irritantes.

  • Luvas de raspa de couro;
  • Luvas com reforço na palma e dedos em raspa de couro;
  • Luvas de borracha especial (contra eletricidade);
  • Luvas impermeáveis (borracha, PVC, nitrílica, látex, etc.);
  • Luvas de lona;
  • Luvas de amianto;
  • Mangas de raspa de couro.

Proteção para pernas e pés

As pernas e os pés são partes do corpo que, além de estarem sujeitos diretamente ao acidente, ainda mantêm o equilíbrio do corpo. Por esta razão, os EPIs ganham dupla importância: proteger diretamente os membros inferiores e evitar a queda que pode ter consequências graves.

  • Sapato de segurança com biqueira de aço;
  • Sapato de segurança com palmilha de aço;
  • Sapato de segurança com solado antiderrapante;
  • Botinas de segurança com biqueira de aço;
  • Botas de borracha;
  • Perneiras de raspa de couro.

Proteção para o tronco

Aventais e vestimentas especiais são empregados contra os mais variados agentes agressivos. Exemplos de proteção para o tronco:

  • Avental em raspa de couro;
  • Avental de lona;
  • Avental impermeável de PVC, plástico.

Proteção respiratória

Sua finalidade é impedir que as vias respiratórias sejam afetadas por gases ou outras substâncias nocivas ao organismo. A máscara é a peça básica da proteção respiratória.

  • Máscara semifacial;
  • Máscara facial;
  • Máscara com filtros de carvão ativado;
  • Máscara com suprimento de ar;
  • Máscara para gases, com filtro especial.

Cinto de segurança

Não tem a finalidade de proteger esta ou aquela parte do corpo; destina-se a proteger o trabalhador que trabalha em locais altos, prevenindo-o de quedas.

Exemplos:

  • Cinto com travessão;
  • Cinto modelo paraquedista;
  • Cinto com corda.

EPCs (Equipamentos de Proteção Coletiva)

  • Extintores de incêndio;
  • Lava-olhos;
  • Capelas.

Risco químico

É o perigo a que determinado indivíduo está exposto ao manipular produtos químicos que podem causar danos físicos ou prejudicar a sua saúde. Os danos físicos relacionados à exposição química incluem desde irritação na pele e olhos, passando por queimaduras leves, até aqueles de maior severidade causados por incêndio ou explosão.

Os danos à saúde podem advir de exposição de curta e/ou longa duração, relacionados ao contato de produtos químicos tóxicos com a pele e olhos, bem como à inalação de seus vapores, resultando em doenças respiratórias crônicas, doenças do sistema nervoso, doenças nos rins e fígado, e até mesmo alguns tipos de câncer.

Agentes de risco químico

Consideram-se agentes de risco químico as substâncias, compostos ou produtos que possam penetrar no organismo do trabalhador pela via respiratória, nas formas de poeiras, fumos, gases, neblinas, névoas ou vapores, ou que, pela natureza da atividade de exposição, possam ter contato ou ser absorvidos pelo organismo através da pele ou por ingestão.

Barreira de contenção para produtos químicos

São dispositivos ou sistemas que protegem o operador do contato com substâncias químicas irritantes, nocivas, tóxicas, corrosivas, líquidos inflamáveis, substâncias produtoras de fogo, agentes oxidantes e substâncias explosivas.

Definições importantes

  • Ponto de autoignição: é a temperatura mínima em que ocorre combustão, independente de uma fonte de ignição externa.
  • Ponto de combustão: é a menor temperatura em que vapores de um líquido, após inflamarem-se pela passagem de uma chama-piloto, continuam a arder por 5 segundos, no mínimo.
  • Ponto de fulgor: é a menor temperatura em que um líquido libera quantidade suficiente de vapor para formar uma mistura com o ar passível de inflamação pela passagem de uma chama-piloto. A chama dura no máximo 1 segundo.
  • Incompatibilidade: condição sobre a qual determinadas substâncias se tornam perigosas quando manipuladas ou colocadas próximas a outras, com as quais poderão reagir criando situações de risco.

Primeiros cuidados a serem tomados

O recebimento constitui a primeira etapa da manipulação destes produtos:

  • Identificação;
  • Registro;
  • Controle de entrada.

A. Produtos sólidos e líquidos

  • Verificação do estado da embalagem quanto a danos ou ausência de rótulos;
  • Dados do rótulo — observar se estes dados oferecem informações claras a respeito das características físico-químicas do produto, nível de toxicidade, cuidados específicos, neutralizantes a serem utilizados em caso de rompimentos, derramamento ou outro acidente;
  • Verificação do prazo de validade;
  • Presença da ficha de segurança.

B. Gases comprimidos

  • Verificação do estado dos cilindros, garrafas e botijões — devem ser recusados caso apresentem qualquer dano aparente;
  • Verificação do prazo de validade;
  • Inspeção das válvulas quanto à vedação;
  • Verificação das cores do capacete quanto ao cumprimento das normas da ABNT. Por exemplo, no caso do nitrogênio — parte superior preta e parte inferior cinza.

Identificação dos produtos químicos

Ao lidar com produtos químicos, a primeira providência é ler as instruções do rótulo, no recipiente ou na embalagem, observando a classificação quanto ao risco à saúde (R) que ele oferece e as medidas de segurança para o trabalho (S). Por exemplo: um produto químico X tem R-34 e S-10; isto significa que ele é um produto que provoca queimaduras e que deve ser mantido úmido.

Portanto, conhecendo a classificação, torna-se possível obter informações quanto à forma correta de manipular, estocar, transportar e descartar os resíduos do produto. Referente ao transporte, observar também a forma como foi acondicionado e embalado e adotar os mesmos cuidados para realizá-lo com segurança.

Rotulagem e simbologia

A rotulagem por intermédio de símbolos e textos de aviso são precauções essenciais de segurança. Os rótulos ou etiquetas aplicados sobre uma embalagem devem conter em seu texto as informações necessárias para que o produto ali contido seja tratado com toda a segurança possível.

É perigoso reutilizar o frasco de um produto rotulado para guardar qualquer outro diferente, ou mesmo colocar outra etiqueta sobre a original. Isto pode causar acidentes. Quando encontrar uma embalagem sem rótulo, não tente adivinhar o que há em seu interior. Se não houver possibilidade de identificação, descarte o produto de acordo com as normas vigentes.

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