Guia de Cultivo e Manejo de Alho e Cebola no Brasil

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1. Cultivo e Manejo do Alho

A) Escolha de um cultivar de alho e seu ciclo: As cultivares tardias nobres possuem um ciclo de 6 meses, sendo mais exigentes em fotoperíodo (superior a 13 horas) e frio. O plantio ocorre a partir de maio; os bulbos apresentam poucos bulbilhos e são maiores, acumulando maior teor de matéria seca, com coloração externa esbranquiçada e maior capacidade de conservação. Proporcionam a obtenção da mais alta cotação comercial. Exemplos: Chonan, Roxo Pérola de Caçador, Caçador 30 e Caçador 40.

B) Manejo da irrigação e adubação: Geralmente, utiliza-se cobertura morta no plantio do alho, que pode ser palha de restos de outras culturas ou capins forrageiros. Para cultivares tardias e precoces, o ideal é ter 60% de teor de água no solo, e 90% para cultivares medianas. O controle de plantas daninhas deve ser intenso (de 2 em 2 dias na fase inicial, até a diferenciação dos bulbilhos; após, de 7 em 7 dias). Deve-se parar a irrigação de 15 a 20 dias antes da colheita para evitar o superbrotamento. A irrigação por aspersão é recomendada para o controle de ácaros. É importante realizar tratos culturais para evitar o superbrotamento causado por excesso de Nitrogênio (N) e irrigação.

Adubação: A cultura é pouco tolerante à acidez, com melhor produtividade em pH entre 6,0 e 6,8, sendo exigente em Cálcio (Ca) e Magnésio (Mg). O Fósforo (P) é o macronutriente cuja aplicação aumenta tanto a produtividade quanto o tamanho do bulbo; o Potássio (K) não possui resposta significativa, porém previne anomalias.

C) Anomalias no Alho: O excesso de Nitrogênio causa o superbrotamento (crescimentos secundários, brotos axilares e laterais, perfilhamento e pseudobulbificação), também motivado pelo excesso de água no solo.

Anomalias na Cebola: Pode ocorrer a produção de Charuto, que é quando o pseudocaule engrossa e o bulbo não se desenvolve, além de brotações indesejadas.

D) Ciclo e Vernalização: Sendo o ciclo mais longo (tardio de seis meses ou superior), a planta é mais exigente em fotoperíodo mínimo de 13 horas e em frio para produzir bulbos. No Centro-Sul, aplica-se a vernalização, que altera as exigências agroclimáticas e reduz o ciclo. Isso permite a comercialização de bulbos graúdos em pequeno número, com coloração esbranquiçada e alta capacidade de conservação.

2. Fotoperíodo na Cebola e no Alho

A) Cebolas de dias longos: O fotoperíodo é decisivo na bulbificação da cebola, exigindo dias longos. Na Região Norte do país (Latitude 0°), não se consegue um cultivo economicamente viável, pois o fotoperíodo é constante em 12h; a planta inicia a bulbificação sem passar pela fase vegetativa, produzindo bulbos extremamente pequenos. Já nas regiões Nordeste, Sudeste e Sul, o fotoperíodo aumenta ao fim do ano, permitindo o plantio em dias curtos para o desenvolvimento da planta e a bulbificação ideal quando se atingem dias longos.

Em condições fotoperiódicas abaixo da ideal, pode haver a formação de Charutos; acima da ideal, ocorre a formação precoce de bulbos pequenos. Se o fotoperíodo for muito baixo, a planta simplesmente não bulbifica, formando folhas indefinidamente.

B) Fotoperíodo para o Alho: Assim como a cebola, o alho é limitado pelo fotoperíodo, exigindo dias longos para bulbificar e dias curtos para florescer. Para cultivares com fotoperíodo crítico menor que 9h, em fotoperíodos longos ocorre a antecipação da bulbificação, reduzindo o ciclo e aumentando a relação de Matéria Seca (MS) entre bulbilhos e parte aérea. Em fotoperíodos curtos, há crescimento vegetativo sem formação normal de bulbilhos.

C) Época de Plantio da Cebola: Relacionada às exigências fisiológicas e ao mercado:

  • PR, SC e RS: Semeadura de abril a junho; colheita de novembro a janeiro.
  • SP e MG: Semeadura de fevereiro a maio; colheita de novembro a janeiro.
  • BA e PE: Semeadura o ano todo, com concentração de janeiro a março.

O Alho como planta bienal: Exige frio para florescer. Embora seja bienal, é cultivado como anual, apresentando apenas a etapa vegetativa. É uma planta de dia longo para bulbificar e dia curto para florescer. Cultivares precoces ou medianas são plantadas de fevereiro a maio.

3. Manejo da Cultura da Cebola

A cebola possui alta competitividade com plantas daninhas, exigindo capinas periódicas ou herbicidas. Quanto à irrigação, deve-se manter 75% de água disponível nos primeiros 20 cm de solo até o sinal de maturação. Cerca de 15 dias antes da colheita, deve-se interromper a irrigação (estresse hídrico) para que ocorra o "estalo" e a colheita dos bulbos. Exige solos profundos, de textura média, férteis, com pH entre 5,5-6,0 e 70% de saturação por bases. O excesso de Nitrogênio (N) causa a formação de charutos.

4. Panorama Atual no Brasil

Cebola: Produzida no Sul, Sudeste e Nordeste. O Sul tem a maior produção total e área colhida, mas a maior produtividade (t/ha) está no Sudeste, seguido pelo Nordeste, devido ao uso de cultivares precoces menos exigentes ao fotoperiodismo.

Alho: O Brasil é o 12° produtor mundial. Produzido em quase todas as regiões, exceto no Norte. Estados principais: MG, GO, SC, PR, RS e BA. O Centro-Oeste vem elevando sua produtividade.

5. Processo de Cura e Exigências Climáticas

12) Cura da Cebola: Objetivo de retirar a umidade excessiva das ramas e secar as películas externas, reduzindo podridões pós-colheita. Pode ser feita ao sol (7 a 10 dias) ou à sombra em galpões (mais lenta). Está completa quando as películas externas se desprendem facilmente ao serem esfregadas.

9) Exigências de Fotoperíodo (Alho): (Conforme detalhado anteriormente, o alho exige dias longos para bulbificar e dias curtos para florescer, sendo o fotoperíodo o fator limitante).

10) Exigências de Temperatura (Alho): Exige temperaturas amenas. Na fase inicial (vegetativa), o ideal é entre 18-20°C. Na bulbificação, as temperaturas ideais são menores (10 a 15°C). No amadurecimento e colheita, recomenda-se clima seco e quente (20-25°C).

6. Fitossanidade: Doenças e Pragas

19) Principais problemas do Alho:

  • Doenças: Ferrugem (fúngica), Mancha Púrpura (bacteriana/fúngica), Podridão Branca (fúngica), Mofo Azul (fúngica), Viroses e Nematoides.
  • Pragas: Tripes, Ácaros e Traças.
  • Controle: Uso de fungicidas, controle de irrigação, evitar adensamento, cultivares resistentes, rotação de culturas, eliminação de restos culturais e uso de bulbilhos tratados.

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