Guia de Dosagem de Concreto e Materiais de Construção
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Materiais de Construção: Dosagens
Parte IV – Dosagens
fck: resistência característica do concreto à compressão aos 28 dias de idade;
fc28: resistência média de dosagem do concreto aos 28 dias de idade.
A fórmula utilizada é: fc28 = fck + 1,65 · Sd, onde Sd (desvio padrão) depende do controle de qualidade da obra:
- Controle de qualidade excelente: Sd = 4,0 MPa;
- Controle de qualidade bom: Sd = 5,5 MPa;
- Controle de qualidade razoável: Sd = 7,0 MPa.
2) Determinação do Fator Água/Cimento (x)
Define-se o fator água/cimento como: x = a / c
Sendo:
- x: fator água/cimento;
- a: peso de água;
- c: peso de cimento.
3.1) Relação Água/Materiais Secos (A%)
A% = a / (c + m)
Sendo:
- A%: relação água/materiais secos;
- a: peso de água;
- c: peso de cimento;
- m: peso de agregados (areia + pedra).
A Tabela 1 fornece valores de A% que conduzem a trabalhabilidades adequadas, em função da natureza, da granulometria dos agregados e do tipo de adensamento.
Observações:
- Valores da tabela para: agregado graúdo = brita 1 + brita 2; agregado miúdo = areia natural.
- Se utilizar apenas brita 1: somar 0,5%;
- Se utilizar apenas brita 2: diminuir 0,5%;
- Se utilizar areia artificial: somar 1%.
3.2) Determinação da Quantidade de Areia e Brita
A Tabela 2 fornece a relação entre a quantidade de agregado graúdo e miúdo para obtenção de uma trabalhabilidade adequada, em função do tipo do agregado e das condições de adensamento.
* Os valores constantes da tabela referem-se a adensamento vibratório. ** Para adensamento manual, somar 4%.
Exercício Prático de Dosagem
Determine o traço por saco de cimento para se obter um concreto de fck = 20 MPa (200 kgf/cm²).
Considere que:
- O cimento será medido em peso;
- Os agregados serão medidos em volume;
- Haverá correção da quantidade de água em função da umidade da areia;
- O adensamento será manual;
- Cimento utilizado: CP 32 com massa específica real Dc = 3150 kg/m³;
- Agregado miúdo: areia média (Da = 2650 kg/m³; da = 1500 kg/m³; umidade h = 5%; inchamento I = 25%);
- Agregado graúdo: mistura de brita 1 e 2 (Db = 2650 kg/m³; db1 = 1450 kg/m³; db2 = 1420 kg/m³).
Cálculo da Resistência de Dosagem
fc28 = fck + 1,65 · Sd
Para controle razoável (Sd = 7,0 MPa): fc28 = 20 + 1,65 · 7 = 31,55 MPa.
Cálculo do Fator Água/Cimento (Lei de Abrams)
Utilizando a Curva de Abrams: a/c = k / (fcj + 0,5 · k)
Onde k = Ativ.28 / 1,583. Para CP III (34 MPa): k = 34 / 1,583 = 21,48.
a/c = 21,48 / (31,55 + 0,5 · 21,48) → a/c = 0,51.
Determinação da Quantidade de Água
Para um saco de cimento (50 kg): 0,51 = a / 50 → a = 25,5 kg.
Determinação da Quantidade de Agregados
Utilizando A% = 9% (conforme tabelas de trabalhabilidade):
0,09 = 25,5 / (50 + m) → m = 233,0 kg.
Proporção de areia: 45% + 4% (manual) = 49%.
- Peso de areia (A): 0,49 x 233 = 114 kg.
- Peso de pedra (B): 0,51 x 233 = 119 kg (B1 = 59,5 kg; B2 = 59,5 kg).
Traço em Peso por Saco de Cimento (Seco)
- 1 saco de cimento (50 kg);
- 114 kg de areia seca;
- 59,5 kg de brita 1 e 59,5 kg de brita 2;
- 25,5 l de água.
Traço unitário: 1 : 2,28 : 2,38 (cimento : areia : pedra).
Correção da Umidade e Volume
Com umidade de 5% na areia: Ph = 120 kg. Água carreada: 6 litros.
Traço corrigido (Peso): 50 kg cimento, 120 kg areia úmida, 59,5 kg brita 1, 59,5 kg brita 2 e 19,5 l de água.
Conversão para Volume
- Volume de areia úmida: 95 litros (considerando inchamento de 25%);
- Volume de brita 1: 41 litros;
- Volume de brita 2: 42 litros.
Consumo de Cimento e Imagens Técnicas
1) Determinação do Consumo de cimento:
Argamassas, Concretos e Aditivos
Parte IV – Argamassas e Concretos
Características básicas do concreto a ser dosado: Resistência, Estanqueidade, Trabalhabilidade (Slump), Retração, Fator a/c, Módulo E e Consumo mínimo de cimento/m³.
Aditivos Minerais
- Escória de Alto Forno ou de Aciaria;
- Cinza de Casca de Arroz e Cinzas Volantes;
- Pozolanas naturais e Metacaulim;
- Sílica Ativa.
Propriedades: Ganho de resistência, redução da permeabilidade, resistência a ambientes agressivos e redução do calor de hidratação.
Aditivos Químicos
- Plastificantes e Superplastificantes;
- Aceleradores e Retardadores de pega;
- Incorporadores de Ar, Densificadores e Expansores.
Argamassas Especiais
- Argamassas colantes: AC I, AC II e AC III;
- Impermeáveis: Cimentícias e Poliméricas;
- Groutes: Microconcretos e Epoxídicas;
- Reconstituição e Estucamento.
Concreto de Alto Desempenho (CAD) vs. CAR
O CAD foca em trabalhabilidade, durabilidade, alta resistência e impermeabilidade. O CAR (Cimento de Alta Resistência) preocupa-se prioritariamente com a resistência mecânica. "O CAR é uma forma de CAD, mas o inverso não é verdadeiro."
Propriedades do CAD
- Baixo fator A/C e uso de Superplastificantes;
- Uso de Sílica Ativa e agregados selecionados;
- Baixa permeabilidade e alta resistência à abrasão.
Aço para Concreto e Estruturas Metálicas
Tratamento do aço: O CA-60 passa por trefilação (encruamento a frio), aumentando o limite elástico. O aço para concreto protendido recebe tratamento térmico após a trefilação.
Vantagens e Desvantagens do Uso do Aço
Vantagens: Diminuição do peso estrutural, vãos maiores, rapidez na execução e facilidade de reforços.
Desvantagens: Exige maior conservação, mão de obra especializada e proteção contra incêndio.
Qualidade e Aplicações
- Padrão I: Estruturas offshore e usinas nucleares;
- Padrão II: Edificações em geral e pontes;
- Padrão III: Galpões, estacas e postes.
Corrosão em tubulações: Causada por incompatibilidade entre metais, juntas malfeitas, ausência de oxigênio e presença de eletrólito (água).
Concreto menos permeável e relação água/cimento: