Guia de Equipamentos Marítimos, Contêineres e Estiva

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Equipamentos e Acessórios de Manobra

Poleame: É o conjunto de todas as peças que servem para fixar ou dar retorno aos cabos do aparelho de um navio. Pode ser de madeira ou de metal. Pode ser dividido em duas classes: Poleame surdo e Poleame de laborar.

Gatos: São ganchos de aço forjado, com olhal, geralmente constituídos numa peça única. As partes principais do gato são: cotovelo (a parte curva) e o bico (a ponta).

Manilhas: São constituídas por um vergalhão de material recurvado em forma de U, tendo orelhas nas extremidades a fim de receber um pino que se chama cavirão. O cavirão pode ter rosca, chaveta, contrapino ou tufo na sua extremidade, a fim de fixá-lo.

Grampos: Peças de metal em forma de U utilizadas para fazer emendas em cabos de aço. São bastante utilizados na peação de carga.

Moitão: Consiste em uma caixa de madeira ou de metal, de forma oval, dentro da qual trabalha uma roldana. É usado nos teques e nas talhas, e também para retorno de um cabo.

Cadernal: Consta de uma caixa semelhante à de um moitão, dentro da qual trabalham duas ou mais roldanas em um mesmo eixo. Os cadernais são designados como cadernais de dois gornes ou cadernais de três gornes, de acordo com o número de roldanas que contêm.

Catarina: É um moitão especial, de aço, para trabalhos de grande peso.

Patesca: Consta de uma caixa semelhante à de um moitão, porém mais comprida e aberta de um lado, a fim de se poder gurnir ou desgurnir um cabo pelo seio.

Equipamentos de Movimentação de Carga

Guindaste de convés: Equipamento instalado junto aos porões das embarcações, fácil de ser manobrado por apenas um operador durante as operações de carga e descarga.

Guindaste: Equipamento mais utilizado atualmente para as operações de carga e descarga de mercadorias nas embarcações e nos portos.

Cábrea flutuante: Guindaste flutuante que combina a movimentação de carga vertical e horizontal.

Portainer: Equipamento de movimentação de contêineres instalado nos terminais de contêineres. Ele opera a carga nos sentidos horizontal e vertical de maneira segura, pois não provoca balanços bruscos. A cabine do operador fica localizada no próprio portainer, o que facilita a visão do terminal, do convés e do interior do porão.

Transtainer: Aparelho de movimentação vertical dos contêineres utilizado apenas no pátio do terminal.

Ponte Rolante: Tipo de aparelho de carga utilizado a bordo, com movimentações horizontais e verticais. Desloca-se sobre trilhos ao longo do convés, alcançando todas as escotilhas dos porões, podendo movimentar a carga do pátio para o interior dos porões ou vice-versa.

Contêineres: Definições e Tipos

Contêiner: É um receptáculo de carga, feito de metal, madeira, borracha sintética, elastômeros, tecidos de poliéster e outros materiais compostos ou combinações desses, que possui abertura(s) em uma ou mais faces, para a acomodação da carga no seu interior.

Vantagens e Desvantagens

  • Vantagens: Redução de perdas, roubos e avarias à carga; possíveis reduções de custos de rotulagem e embalagem; possíveis reduções de utilização de mão de obra na movimentação da carga; estocagem de mercadoria em áreas descobertas.
  • Desvantagens: Espaços perdidos dentro da unidade de carga; transporte do contêiner vazio para o local onde se faz a estufagem do mesmo; custos de reparos, reposição e retorno dos contêineres.

Modelos de Contêineres

  • Dry Box: Pode ser de 20 ou 40 pés. Mais comumente utilizado devido à sua versatilidade para cargas secas, tais como sacaria e caixaria.
  • Open Top: Pode ser de 20 ou de 40 pés. É um equipamento com teto aberto, destinado ao acondicionamento de mercadorias que não podem passar pela altura da porta, portanto, somente podendo ser embarcadas por cima.
  • Reefer (Contêiner Integrado): Possui sistema de refrigeração próprio alimentado pela energia do navio ou do terminal.
  • Contêiner “Vent Hole”: É igual ao refrigerado integrado, porém depende de uma planta de refrigeração do navio.
  • Contêiner Plataforma (20’ ou 40’): É uma plataforma simples, projetada para carregamento de cargas compridas, largas, irregulares ou com problema de acondicionamento.
  • Contêiner Flat Rack (20’ e 40’): É um contêiner plataforma, com cabeceiras, projetado para transportar cargas que ultrapassam a sua largura.
  • Contêiner Tanque (20’): É um contêiner especial destinado ao transporte de cargas líquidas, com revestimento à prova de corrosão e de vazamento e com controle de temperatura.
  • Bulk Contêiner (Granel Sólido 20’): Projetado para transporte de carga seca a granel. Elimina despesas de ensacamento e permite um maior aproveitamento da praça.
  • Contêiner High Cube: Utilizado para o transporte de cargas de grande volume e pouco peso. Possui largura de 8’, altura de 9’6’’, variando no comprimento entre 40, 45 e 48 pés.

Avarias e Classificação de Cargas

Avaria Grossa: Termo usado indiscriminadamente tanto para indicar a qualidade do prejuízo que dá origem ao direito de o mesmo ser admitido em uma Regulação de Avaria Grossa para fins de ressarcimento, como, também, para indicar a contribuição de cada um dos envolvidos para reembolsar o prejuízo do que se sacrificou e para indenizar a despesa do que se gastou, visando à preservação dos restantes envolvidos na aventura marítima.

Avarias Simples ou Particulares: São as despesas feitas e os danos sofridos só pelo navio ou só pela carga, durante o tempo dos riscos, como consequência imediata de qualquer acidente.

Segregação da Carga: Consiste na separação da carga quando existe incompatibilidade de mercadorias.

Classificação da Carga Perigosa (IMO)

  • Classe 1: Explosivos
  • Classe 2: Gases
  • Classe 3: Líquidos Inflamáveis
  • Classe 4: Sólidos Inflamáveis
  • Classe 5: Substâncias Oxidantes
  • Classe 6: Substâncias Venenosas e Infectantes
  • Classe 7: Material Radioativo
  • Classe 8: Substâncias Corrosivas
  • Classe 9: Outras Substâncias Perigosas

Cálculos de Capacidade e Estiva

Exemplo 1:
A capacidade de um porão de carga é igual a 3200 m³. Quantas toneladas de certa mercadoria em caixas podem ser carregadas nele, se cada caixa mede 40 cm x 40 cm x 100 cm e admitir 4% de quebra de estiva?

  • Volume Total: 3200 m³
  • Quebra de estiva (4%): 128 m³
  • Cálculo: 3200 – 4% = 3072 m³
  • Volume disponível: 3072 m³
  • Volume da caixa (convertido para metros): 0,4 x 0,4 x 1 = 0,16 m³
  • Peso da caixa (convertido para toneladas): 400 kg = 0,4 Toneladas
  • Fator de Estiva (FE): 0,16 / 0,4 = 0,4 m³
  • PESO TOTAL: 3072 / 0,4 = 7680 Toneladas

Exemplo 2:
Um porão de carga tem 3000 m³ de capacidade e foi totalmente carregado com 2776 m³ de certa mercadoria, cujo fator de estiva é 3,47 m³/tonelada. Pede-se:

A) Volume da quebra de estiva:
3000 – 2776 = 224 m³

B) Volume de toneladas dessa mercadoria que o porão pode receber:
P = 2776 / 3,47 = 800 Toneladas

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