Guia de Estudo: Camões, Os Lusíadas e Recursos Expressivos
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Luís Vaz de Camões: Cronologia
- 1524/25: Nascimento de Luís Vaz de Camões, em Lisboa (datas prováveis).
- 1531: Estuda em Coimbra, em casa do tio.
- 1542: Regressa a Lisboa, frequenta a corte; torna-se cavaleiro, poeta e fidalgo.
- 1549: Embarca para Ceuta, é ferido e perde o olho.
- 1551: Regressa a Lisboa.
- 1552: É preso.
- 1553: É libertado e embarca para o Oriente.
- 1562: Preso por dívidas.
- 1570: Regressa a Lisboa, na nau Santa Clara.
- 1572: Sai a primeira edição d'Os Lusíadas.
- 1579/80: Morre de peste em Lisboa.
O Gênero Épico
O gênero épico é um gênero narrativo em verso que serve para narrar os feitos de heróis pouco vulgares, reais e até lendários.
Epopeia
A epopeia traduz as façanhas, isto é, os feitos heroicos de um povo. Também pode ser de um herói individual e tem interesse nacional e universal. Possui sempre um fundo histórico e o estilo é elevado e grandioso.
Estrutura e Elementos de Os Lusíadas
Elementos Próprios de uma Epopeia
- Ação
- Nesta obra, a ação é grandiosa, sublime, possui unidade, variedade, integridade e verdade.
- Personagem
- Nesta obra, a personagem é individual (Vasco da Gama) e existe uma coletiva (o povo lusitano).
- Maravilhoso
- (É a intervenção de seres sobrenaturais na ação.) Existe o maravilhoso cristão (Deus) e o pagão (os Deuses mitológicos).
Estrutura Interna (Conteúdo)
Os Lusíadas estão divididos em 4 partes:
- Proposição (Canto I, estrofes 1 a 3): Apresentação do assunto.
- Invocação (Canto I, estrofes 4 a 5): Pede-se às Musas inspiração para os seus poemas.
- Dedicatória (Canto I, estrofes 6 a 8): Dedica o seu poema ao Rei D. Sebastião.
- Narração (Canto I, estrofes 9 até ao final do Canto X): Corresponde ao desenvolvimento do assunto, que é a narração da viagem de Vasco da Gama até à Índia, onde se inserem episódios da História de Portugal.
A narração da viagem de Vasco da Gama começa quando a viagem se encontra já em pleno Oceano Índico, isto é, in medias res. O início desta viagem só irá ser relatado no Canto Quarto.
Estrutura Externa
Os Lusíadas dividem-se em 10 cantos. Cada um deles tem estrofes de 8 versos denominados oitavas, tendo cada um dos versos 10 sílabas métricas (versos decassílabos), com acentuação na sexta e décima sílabas (versos heroicos). O esquema rimático é a-b-a-b-a-b-c-c. Os seis primeiros versos têm rima cruzada e os últimos dois têm rima emparelhada.
Deuses Mitológicos
- Júpiter
- Pai dos deuses, apoia a viagem dos portugueses.
- Vénus
- Deusa do amor e da beleza, mulher de Vulcano, apoia os portugueses na sua viagem.
- Marte
- Deus da guerra, apaixonado por Vénus, apoia a viagem.
- Baco
- Deus do vinho, pai do Luso e inimigo dos portugueses.
- Apolo
- Deus da medicina, poesia, da música e das artes.
- Vulcano
- Deus do fogo, conhecido pela sua fidelidade; Vénus casou com ele.
- Mercúrio
- Deus da eloquência, do comércio e dos ladrões.
- Neptuno
- Deus do mar.
- Tétis
- Divindade marinha que habita na superfície das águas.
- Tétis (Outra)
- Divindade marinha que personifica a fecundidade do mar.
Planos Temáticos
- Plano da Viagem: Compreende todos os momentos da narração relativos à ação principal, a viagem de Vasco da Gama, desde a partida de Lisboa até ao desembarque na Ilha de Vénus.
- Plano da História de Portugal: Consiste na exposição da História de Portugal.
- Plano dos Deuses: Plano relativo à intriga dos deuses pagãos, que começa com o Concílio que inicia a ação do poema e termina na Ilha de Vénus, que encerra o poema.
- Plano do Poeta: Plano relacionado com todas as considerações e reflexões (normalmente no final dos cantos) do poeta sobre os mais diferentes aspetos.
Formação de Palavras
- Palavra Primitiva
- Dá origem a outras palavras da mesma família.
- Derivação
- Prefixação (ex: infeliz)
- Sufixação (ex: amoroso)
- Prefixação e Sufixação (ex: infelizmente)
- Composição
- Justaposição (ex: água-de-colónia)
- Aglutinação (ex: fidalgo)
- Derivação Imprópria
- Consiste na mudança gramatical de uma classe da mesma palavra.
- Ex: Ele é tolo (adjetivo)
- Ex: O tolo só faz disparates (nome).
Orações
Orações Coordenadas
- Copulativas (e / nem)
- Adversativas (mas / no entanto)
- Disjuntivas (ou / quer...quer...)
- Conclusivas (portanto / por consequência)
Orações Subordinadas
- Temporais (logo que)
- Causais (porque)
- Finais (para que)
- Condicionais (se)
- Comparativas (como)
- Concessivas (embora)
- Consecutivas (que)
- Completivas ou Integrantes (Ex: Ele pediu ao pai que a desculpasse = Ele pediu desculpa ao pai)
Recursos Expressivos
- Aliteração
- Repetição dos mesmos sons consonantais em sílabas de palavras próximas.
Ex: Brandas, as brisas brincam. - Anáfora
- Repetição da mesma palavra ou expressão no início de várias frases ou versos.
Ex: Vi uma estrela tão alta. Vi uma estrela tão fria. - Antítese
- Apresentação do oposto em duas ideias.
Ex: O esforço é grande e o homem é pequeno. - Apóstrofe
- Invocação do destinatário (interlocutor).
Ex: Qual é o nome, ó poeta? - Assonância
- Repetição intencional de sons vocálicos nas sílabas tónicas.
Ex: Filha, mia filha velida. - Hipérbato
- Inversão da ordem natural das palavras na frase.
Ex: Casos que Adamastor contou futuros. = Casos futuros que Adamastor contou. - Metáfora
- Comparação sem o conectivo ('como').
Ex: E todo o mundo é (como) um grande livro aberto. - Eufemismo
- Suaviza algo mau ou desagradável.
Ex: Ele foi condenado por desvio de fundos. (Em vez de: Roubo) - Hipérbole
- Exagero intencional.
- Perífrase
- Uso de muitas palavras para descrever algo que poderia ser dito em poucas.
Outros Recursos Expressivos
- Comparação
- Enumeração
- Ironia
- Personificação