Guia de Estudo Nietzsche: Crítica Moral, Marx e Aforismos
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Guia de Estudo: Friedrich Nietzsche
1) Dificuldades na Leitura de Nietzsche
Sua influência se fez sentir de forma desigual e contraditória, não sendo de caráter uniforme. Sua própria forma de expressão contribui para isso, como a utilização de aforismos como veículo de pensamento. A natureza metafórica de seus escritos muitas vezes se presta a interpretações diferentes. Além disso, frequentemente podemos encontrar em suas obras aforismos contraditórios, tornando difícil determinar o que representa sua real posição sobre o assunto.
2) Pontos em Comum com Karl Marx
A reação contra o idealismo leva Nietzsche (e Marx) a rejeitar a identificação do sujeito com a consciência. Ambos se inserem na tradição filosófica que começa com a modernidade e afirma a centralidade do sujeito na filosofia, identificando o sujeito da ação com a práxis.
O Conceito de Práxis
Práxis é uma atividade produtiva na qual o homem cria e constitui a realidade, tanto a sua própria quanto a do mundo, que é objetivamente transformado e mudado.
3) A Oposição de Nietzsche
Nietzsche se opõe e critica:
- A hipocrisia e o ser levado pelas massas.
- O preconceito e a mediocridade.
- As instituições, especialmente aquelas com uma moral que inibe a vitalidade do homem.
4) O Foco da Crítica Moral de Nietzsche
Nietzsche critica a moral platônico-cristã por ir contra os esforços vitais. O centro de gravidade dessa moral não é deste mundo, mas sim na outra vida, seja na realidade ou no mundo sobrenatural do cristianismo.
É uma moral transcendente que não se foca no homem, mas em Deus, e impõe ao homem a rejeição geral da vida (a verdadeira realidade do homem), em favor de uma ilusão gerada pelo ressentimento contra a vida.
Nietzsche distingue entre:
- Moral Nobre (Moral dos Senhores): Afirma a vida e seus valores.
- Moral de Escravos: Nega a vida e é gerada pelo ressentimento.
5) Outros Tipos de Crítica Realizados
Nietzsche critica o conhecimento da metafísica tradicional platônico-cristã, que busca uma realidade imutável e uma verdade igualmente imutável: o conhecimento conceitual.
Nietzsche argumenta que o conceito não é adequado para conhecer a realidade como ela é. O conceito tem um valor representativo, mas a realidade é um constante devir (mudança). Uma realidade em constante transformação não pode ser representada por algo como o conceito, cuja natureza é representar a essência, ou seja, aquilo que é imutável, que não se torna, que não muda, que permanece idêntico a si mesmo, alheio ao tempo.
6) As Três Metamorfoses do Espírito (Moral)
Nietzsche descreve a transformação moral do espírito em três estágios:
- O Camelo: Representa o homem que carrega todos os valores ocidentais e é aquele que obedece ao"Tu deve".
- O Leão: Busca a liberdade e diz"Eu quer". É o espírito que luta contra o"Tu deve" e busca a autonomia.
- A Criança: É o estágio final, o novo começo. A criança inicia a construção de algo diferente de toda a hipocrisia que viu, afirmando a inocência do devir.