Guia de Farmacologia Cardiovascular: Mecanismos e Ações

Classificado em Medicina e Ciências da Saúde

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1. Inibidores da ECA: Mecanismo e Efeitos Colaterais

Mecanismo de ação: Inibem a enzima conversora de angiotensina (ECA), reduzindo a conversão de angiotensina I em angiotensina II. Isso promove:

  • ↓ Vasoconstrição, ↓ aldosterona e ↓ remodelamento cardíaco.
  • ↑ Bradicinina (devido à inibição da sua degradação).

Resultado: Vasodilatação arterial e venosa, ↓ PA, ↓ pós-carga e ↓ pré-carga.

Efeitos colaterais: Tosse seca (↑ bradicinina), angioedema, hipercalemia (↓ aldosterona), hipotensão inicial e redução da TFG (risco em doença renal).

2. Bloqueadores dos Canais de Cálcio (BCC)

Mecanismo de ação: Bloqueiam canais de cálcio do tipo L, reduzindo a entrada de Ca²⁺ no músculo liso e miocárdio, gerando vasodilatação e/ou efeito cronotrópico/inotrópico negativo.

Classes:

  • Dihidropiridínicos (vasodilatadores): Amlodipina, nifedipina, felodipina. Agem predominantemente nos vasos (↓ PA).
  • Não dihidropiridínicos: Fenilalquilaminas (Verapamil - efeito cardíaco) e Benzotiazepinas (Diltiazem - efeito misto). Agem no nó SA/AV (↓ frequência e condução).

3. Classificação dos Antiarrítmicos

A classificação baseia-se no canal ou receptor modulado:

  • Classe I: Bloqueadores rápidos de canal de Na⁺.
  • Classe II: Betabloqueadores.
  • Classe III: Bloqueadores de canal de K⁺ (prolongam a repolarização).
  • Classe IV: Bloqueadores de canal de Ca²⁺ (Verapamil/Diltiazem).

4. Cardiotônicos (Digitálicos): Digoxina

Mecanismo: Inibe a bomba Na⁺/K⁺-ATPase. O ↑ Na⁺ intracelular reduz a troca Na⁺/Ca²⁺, elevando o Ca²⁺ intracelular e aumentando o inotropismo. Também aumenta o tônus vagal (↓ condução AV).

Interações: Hipocalemia (diuréticos) aumenta risco de intoxicação. Amiodarona, verapamil e quinidina elevam os níveis de digoxina. Atenção à insuficiência renal (acúmulo).

5. Dobutamina: Mecanismo e Efeitos

Mecanismo: Agonista β1 > β2. Aumenta a contratilidade e o débito cardíaco (DC), com leve vasodilatação.

Efeitos: Taquicardia, arritmias, angina e hipotensão.

Interações: Betabloqueadores antagonizam seu efeito; ISRS e TCA aumentam o risco de arritmias.

6. Mecanismo dos Diuréticos

  • Alça (Furosemida): Inibe NKCC2 na alça espessa (alta potência).
  • Tiazídicos (HCTZ): Inibem NCC no túbulo distal.
  • Poupadores de K⁺ (Espironolactona): Antagoniza a aldosterona (↓ reabsorção de Na⁺ e ↓ excreção de K⁺).

7. Diuréticos na Insuficiência Cardíaca (IC)

Reduzem o volume e a pré-carga, diminuindo a congestão pulmonar/periférica. Proporcionam melhora sintomática, mas não reduzem a mortalidade (exceto a espironolactona).

8. Anticoagulantes Orais

  • Varfarina: Inibe a vitamina K epóxido redutase (fatores II, VII, IX e X). Monitorada por TP/INR.
  • NOACs: Inibidores do fator Xa (Rivaroxabana, Apixabana) ou inibidores da trombina/IIa (Dabigatrana).

9. Antiplaquetários

  • Inibidores de COX-1: AAS (↓ TXA2).
  • Inibidores P2Y12: Clopidogrel, ticagrelor.
  • Inibidores GPIIb/IIIa: Abciximabe.

10. Racional Terapêutico: Anti-hipertensivos e Anticoagulação

Em quadros de FA + HAS + IC, o uso de IECA/BRA ou BCC visa reduzir a PA e a sobrecarga cardíaca, enquanto o anticoagulante previne eventos tromboembólicos (AVC).

Resumo: Drogas Modificadoras de IC

Reduzem mortalidade: IECA, BRA, Betabloqueadores, Espironolactona/eplerenona, Sacubitril/valsartana (ARNI), Hidralazina + nitrato e iSGLT2.

Melhoram sintomas (sem redução de mortalidade): Diuréticos de alça e Digoxina.

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