Guia de Hematologia: Anemias, Coagulopatias e Neoplasias

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Série Vermelha

Anemias

  • Anemia ferropriva: É a mais comum do mundo, apresentando padrão hipocrômico e microcítico (hemácia menor e mais clara) devido à falta de ferro.
  • Deficiência de B12: Rara por alterações nutricionais (ex: etilista crônico). Outra possibilidade para a diminuição de B12 é a ausência do fator intrínseco, essencial para sua absorção.
  • Lesão medular: Gera aplasia de medula (autoimune). O Parvovírus B19 em pacientes com imunodeficiência, quimioterápicos, antimaláricos e compressão medular também podem causar aplasia.
  • Anemia por hemorragia: Pode ser aguda/imensa (trauma extenso, alterações obstétricas, etc.) ou crônica (quando a perda é maior do que a reposição, como em casos de hematúria, hipermenorréia e sangramentos digestivos).

Doenças Hemolíticas

  • Deficiência de G6PD: Proporciona maior propensão à hemólise e dificuldade na coagulação. É uma doença ligada ao cromossomo X (surge mais em meninos) e manifesta-se em situações de estresse oxidativo; a criança apresenta icterícia com poucos dias de vida (presença de hemácias mordidas).
  • Esferocitose: Doença autossômica dominante (embora exista uma forma recessiva mais grave) que leva a alterações no citoesqueleto da hemácia. Isso diminui o volume celular, tornando-a esférica e reduzindo sua elasticidade para passar nos vasos (hemácia esférica).
  • Hemoglobinopatias:
    • Anemia Falciforme: Reduz o volume da célula com alterações reversíveis. Estas células, em conjunto com as normais, formam trombos na microvascularização (hemácia em foice). A acidose aumenta a falcização. Pode haver o traço falciforme (alteração no gene da produção de HbS). Crises intensas de hemólise podem gerar leucocitose.
    • Talassemias (Alfa e Beta): A perda total de hemoglobina alfa é incompatível com a vida (doença da hemoglobina H). Na beta-talassemia, o paciente pode variar de assintomático a sintomas brandos de anemia.

Série Branca

  • Doenças reacionais: Nas formas agudas, observa-se aumento de neutrófilos; nas crônicas, há predominância de linfócitos. Se for linhagem B, o padrão é folicular; se for T, é interfolicular (entre folículos).

Coagulopatias

  • Alterações vasculares e plaquetárias: Certas drogas afetam os vasos (quimioterápicos e antimaláricos). Existem alterações relacionadas à quantidade de plaquetas, como a PTI (Púrpura Trombocitopênica Imune), dividida em aguda ou crônica (limite de 6 meses), sendo uma doença autoimune que ataca as plaquetas.
  • Hemofilia: Deficiência do Fator VIII (Hemofilia A) ou do Fator IX (Hemofilia B), ambos da via intrínseca. Os pacientes mantêm uma vida normal, mas, ao primeiro estímulo de sangramento, a hemorragia é muito maior do que o esperado.

Neoplasias Hematológicas

  • Leucemias Agudas: Caracterizadas por alta contagem de blastos. A linfoide está mais relacionada aos linfonodos, enquanto a mieloide é mais extranodal, causando visceromegalias.
  • Leucemia Mieloide Aguda (LMA): Possui como característica importante a presença de blastos com corpúsculos de Auer.
  • Diferenciação: Na leucemia crônica, observa-se o processo de maturação (encontra-se de tudo); na aguda, há predominância de blastos.
  • Linfomas: Exemplos incluem os linfomas de Burkitt e Hodgkin. É crucial associar neoplasias a infecções virais, como HIV, EBV e HTLV-1.
  • Classificação Celular: Na zona marginal, o linfoma é de células B pequenas; na zona do manto, é de células T pequenas. Quando as células são grandes, o diagnóstico segue orientações específicas.

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