Guia de Imunoglobulinas, Vacinas e Hipersensibilidades
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Imunoglobulinas, Vacinas e Tipos de Hipersensibilidade
As imunoglobulinas (Ig) são moléculas de glicoproteína produzidas pelos plasmócitos em resposta a um imunógeno, funcionando como anticorpos (Ac). Cada Ig liga-se a um determinante antigênico específico (função primária de proteção do hospedeiro). Possuem também uma função efetora, como a fixação de complemento e a ligação a vários tipos de células, ativando-as para realizar funções específicas.
- IgM: Presente no soro; é a primeira produzida pelo feto. Neutraliza toxinas, fixa o complemento e atua como receptor de antígenos (Ag) na superfície de linfócitos B. É um marcador de fase aguda em doenças infecciosas (imunidade primária).
- IgG: Presente no soro e nos espaços extravasculares; é a única que atravessa a placenta. Neutraliza toxinas, realiza opsonização, fixa o complemento e ativa linfócitos NK. É responsável pela resposta imune secundária.
- IgA: Presente em secreções e no soro; só fixa o complemento quando agregada. Neutraliza toxinas e bloqueia a ligação de antígenos nas mucosas.
- IgE: Menos comum no sangue; atua em reações alérgicas e contra helmintos. Não fixa o complemento e leva à degranulação (sensibilização dos mastócitos).
- IgD: Atua como receptor de antígenos na superfície dos linfócitos B; está pouco presente no soro.
Vacinas e Adjuvantes
Vacinas Atenuadas
Utilizam o patógeno vivo atenuado. A atenuação ocorre por passagens seriadas em meios de cultivo ou adaptação a baixas temperaturas. Este tipo simula a infecção natural, gerando uma resposta duradoura (celular, humoral e de mucosas). Desvantagens: Precisa de refrigeração, pode reverter à virulência e não deve ser utilizada em indivíduos imunodeprimidos.
Vacinas Inativadas
Utilizam patógenos mortos que conservam sua estrutura. A inativação pode ser química (pH, proteases, clorofórmio, fenol, formol, solventes orgânicos e detergentes) ou física (calor, alta pressão, radiação gama e UV). Características: São seguras e podem ser usadas em imunodeprimidos, porém possuem curta duração, exigem mais de uma aplicação, necessitam de adjuvantes e podem causar hipersensibilidades.
Adjuvantes
São substâncias imunoestimuladoras que aumentam a resposta imune. Suas funções incluem induzir o processo inflamatório local e retardar a liberação do antígeno de forma lenta e por um período prolongado. Exemplos comuns incluem sais de alumínio (fosfato e hidróxido) e fosfato de cálcio.
Hipersensibilidades
Mecanismos imunológicos exacerbados por antígenos ambientais ou próprios, resultando em lesões e sintomas de doenças (imunopatologias). Podem ser de natureza celular (Tipos I, II e III) ou humoral (Tipo IV), envolvendo agentes ambientais ou próprios (doenças autoimunes).
Tipo I ou Anafilática
São mediadas pela IgE, que ativa os mastócitos. Essa reação pode envolver a pele, olhos, nasofaringe, tecidos broncopulmonares e o trato gastrointestinal. O mecanismo promove a produção preferencial de IgE em resposta a certos alérgenos. Exemplos: asma, rinite alérgica e alergia alimentar. O antígeno é reconhecido pelo linfócito B, que se diferencia em plasmócito para produzir IgE, que se fixa à superfície dos basófilos (fase sensibilizante). Na fase desencadeante, as IgE de superfície reconhecem o antígeno e desencadeiam a degranulação do basófilo, liberando mediadores como histamina e prostaglandinas.
Tipo II ou Reação Citotóxica
Envolve antígenos ambientais ou celulares, anticorpos e proteínas do sistema complemento. A célula com o antígeno é reconhecida pelos anticorpos, ativando o sistema complemento e desencadeando a lise celular. Alternativamente, o sistema complemento causa a opsonização da célula, ativando células citotóxicas que promovem a apoptose. Exemplos: transfusão sanguínea, incompatibilidade sanguínea materno-fetal e doenças autoimunes.
Tipo III ou Reação por Imunocomplexo
Envolve antígenos solúveis, anticorpos e proteínas do sistema complemento. O antígeno une-se ao anticorpo formando um imunocomplexo. Se for insolúvel, é eliminado por fagocitose; se for solúvel, deposita-se no endotélio vascular, ativando o sistema complemento. Isso promove a fagocitose mediada por neutrófilos, causando morte celular ou citólise (via CAM - Complexo de Ataque à Membrana), resultando em vasculite ou lesão tecidual. Exemplos: neoplasias, reação a drogas, cólera suína e anemia infecciosa equina.
Tipo IV ou Hipersensibilidade Celular
Envolve antígenos T-dependentes, linfócitos T auxiliares e macrófagos. O antígeno ativa os linfócitos T auxiliares, que produzem interleucinas para ativar mastócitos, macrófagos e linfócitos T citotóxicos. As interleucinas também ativam fatores quimiotáxicos que atraem leucócitos ao local, provocando inflamação crônica e lesão tecidual. Exemplos: dermatite de contato e reação à tuberculina.
Diferença entre Vacina e Anticorpo
As vacinas têm o objetivo de manter o sistema imunológico de pessoas ou animais em alerta contra determinadas doenças. São substâncias sintetizadas a partir de organismos vivos (ou partes destes) e administradas de forma injetável ou oral.
Os anticorpos (imunoglobulinas) são proteínas produzidas e secretadas pelos linfócitos B do sangue. Sua atividade essencial é a defesa do organismo através da identificação de moléculas, partículas ou microrganismos estranhos, denominados genericamente de antígenos.