Guia de Medicina da Dor: Analgésicos e Anti-inflamatórios

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Medicina da Dor - T.3

A terapia sintomática com analgésicos utiliza medicamentos que diminuem a percepção da dor sem afetar a causa que a produz.

Eles estão divididos em:

  • Analgésicos Opióides: De ação no Sistema Nervoso Central (SNC), indicados para aliviar dores severas.
  • Analgésicos não-opióides: De ação no Sistema Nervoso Periférico (SNP), são os mais comumente utilizados em patologias bucais.

Analgésicos não-opióides

Eles estão divididos em:

  • a) Anti-inflamatórios não esteroides (AINEs): Por exemplo, a Aspirina.
  • b) Analgésicos com ação antitérmica: Possuem pouca ou nenhuma atividade anti-inflamatória.

Mecanismos de ação dos AINEs

Sua potência analgésica é baseada em seu efeito anti-inflamatório. Eles inibem a síntese de prostaglandinas (que são mediadores químicos da dor e inflamação) e também inibem a síntese da enzima ciclooxigenase (responsável pela transformação do ácido araquidônico em prostaglandinas e tromboxanos). A atividade analgésica de moderada intensidade é menor que a dos analgésicos opiáceos. São úteis para dor de dente, dores articulares e musculares, cefaleia e febre. Como as prostaglandinas influenciam o aumento da temperatura corporal, os AINEs suprimem esta resposta.

Indicações e Efeitos Adversos dos AINEs

Os AINEs são indicados para o tratamento da dor ligeira a moderada.

Efeitos adversos: O tratamento crônico em nível gastrointestinal pode causar erosões e úlceras na mucosa gástrica e duodenal. Os efeitos colaterais podem incluir:

  • Gastrite
  • Azia (queimação)
  • Diarreia
  • Constipação
  • Dispepsia (má digestão)

O uso prolongado pode causar toxicidade renal, hipersensibilidade e distúrbios hematológicos.

Ácido Acetilsalicílico (Aspirina)

Propriedades:

  • Analgésico e antitérmico em doses de 0,5 a 2 g por via oral.
  • Anti-inflamatório em doses de 3g/24h.
  • Ação antiagregante plaquetária, mesmo em doses menores, através da inibição da ciclooxigenase plaquetária. Não é recomendado antes e após tratamentos odontológicos.
  • Ação sobre a secreção de ácido úrico: em doses baixas (1g/24h) inibe a secreção; em altas doses (3g/24h) a promove.

Farmacocinética e Metabolismo:

  • Absorvida no estômago e na primeira parte do duodeno.
  • Rápida disseminação e alta capacidade de ligação a proteínas teciduais (80%).
  • Capaz de substituir substâncias ácidas mais fracas, como os antivitamínicos K.
  • Meia-vida curta (15 min), pois hidrolisa-se rapidamente em ácido salicílico e ácido acético.

Dosagem e Apresentação:

  • Crianças: 50mg/kg/24h.
  • Adultos: 1 a 3g/24h.
  • Apresentações: Comprimidos efervescentes, pó solúvel e soluções injetáveis.
  • Associações comuns: Dólmen, Couldina, Fiorinal e Desenfriol.

Efeitos indesejáveis e Contraindicações:

Pode causar azia, risco de micro-hemorragias, úlceras gastroduodenais e manifestações alérgicas (não usar em asmáticos), como urticária, eritema e choque anafilático. Pode causar discrasias sanguíneas devido à ação antiplaquetária. Em caso de overdose: vertigens, zumbidos, problemas respiratórios, desidratação, convulsões e coma.

Contraindicações: Problemas gastroduodenais, discrasias, história de alergia à aspirina e pacientes que utilizam anticoagulantes (como o Sintrom).

Antipiréticos com pouca ou nenhuma atividade anti-inflamatória

1) Paracetamol

É um analgésico e antitérmico efetivamente semelhante à aspirina, mas sem ação anti-inflamatória.

  • Farmacocinética: Rápida absorção gastrointestinal, boa distribuição tecidual, metabolismo hepático e eliminação renal.
  • Posologia: Crianças (20mg/kg/24h em 3 ou 4 doses) e Adultos (1-3g/24h).
  • Vantagens: Pode ser usado em pacientes com hemofilia, pois não afeta a agregação plaquetária. É o analgésico de escolha para crianças menores de 12 anos para evitar a Síndrome de Reye.
  • Risco: Seu principal efeito tóxico é hepático.

2) Dipirona ou Metamizol (Nolotil)

Potente analgésico; doses de 2g podem contrariar o efeito de baixas doses de opiáceos. Atua no músculo liso, sendo útil em cólicas. É eficaz na dor moderada, especialmente via injeção intramuscular. Possui grande capacidade antitérmica e pouco efeito na mucosa gástrica ou agregação plaquetária.

Analgésicos Opióides

O ópio é obtido da papoula Papaver somniferum e contém substâncias como morfina e codeína. Atuam em receptores específicos no SNC. Podem ser:

  • Derivados do ópio: Morfina, codeína.
  • Sintéticos: Heroína, metadona, hidrocodona.

Diferente dos não-opióides, os opióides não possuem "teto analgésico", ou seja, quanto maior a dose, maior a analgesia.

Avaliação e Indicações

  • Agonistas: Morfina, heroína, codeína, meperidina, metadona, fentanil.
  • Antagonistas: Naloxona, naltrexona (bloqueiam a ação dos agonistas).

Indicados para dor grave e dor neuropática. Produzem analgesia seletiva sem alterar a consciência ou os sentidos. Efeitos adversos incluem sonolência, euforia, miose (contração da pupila), náuseas, constipação, boca seca e retenção urinária. A toxicidade aguda causa depressão respiratória e convulsões, tratadas com naloxona.

Morfina

Produz analgesia, euforia e depressão respiratória. Possui ação antitussígena e causa constrição de esfíncteres (constipação), broncoconstrição e miose. A administração parenteral dura cerca de 4 horas. O metabolismo é hepático e a eliminação é renal, biliar e salivar. O uso prolongado causa dependência física/psíquica e tolerância.

Codeína

Alcaloide natural do ópio, similar à morfina. É supressor da tosse e analgésico, frequentemente associado a não-opióides (ex: paracetamol + codeína). Contraindicado para crianças, grávidas, lactantes e pacientes com insuficiência respiratória.

T.3.b - Anti-inflamatórios Glicocorticóides

Indicados para inibição da síntese de prostaglandinas em nível anterior aos AINEs, possuindo efeito imunossupressor. Na odontologia, o uso é restrito a:

  • Profilaxia da inflamação pós-extração de terceiros molares.
  • Doenças autoimunes (lúpus, líquen plano erosivo).
  • Acidentes alérgicos (choque anafilático, edema de glote).

Drogas comuns: Dexametasona, Hidrocortisona, Prednisolona.

Precauções: Podem causar retenção de fluidos e sódio, sendo problemáticos para diabéticos e hipertensos. Podem aumentar os níveis de aspirina no sangue (salicilismo). O tratamento não deve ser interrompido abruptamente para evitar falha suprarrenal. Contraindicado em infecções fúngicas e hipersensibilidade.

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