Guia de Patologia Construtiva e Desempenho de Edificações

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Patologia Construtiva

A Patologia Construtiva é a ciência que estuda as origens, causas, mecanismos de ocorrência, manifestações e consequências das situações em que as construções, ou suas partes, deixam de apresentar o desempenho mínimo estabelecido.

Exemplo Prático

  • Problema: Ruptura de uma viga de concreto armado.
  • Manifestações: Armadura exposta, fissuras e deformações excessivas.
  • Mecanismo: Corrosão eletroquímica por perda de alcalinidade do meio.
  • Causa: Ataque à armadura da viga.
  • Natureza: Cobrimento insuficiente e exposição a agentes agressivos.
  • Origem: Falhas na especificação do projeto.

Definições Fundamentais

  • Causa: É a razão primária da manifestação patológica, configurando-se na justificativa mais evidente para o seu surgimento, pois descreve o fato.
  • Natureza: É a razão secundária da manifestação patológica, estando ligada aos aspectos produtivos da etapa.
  • Origem: É o “porquê” da manifestação patológica. Explica a razão principal para o seu surgimento, estando diretamente ligada às etapas do processo de produção.

Fluxo: Problema Patológico > Causa > Natureza > Origem

Desempenho e Normatização

Desempenho: “Edifício como um produto, quando submetido a diversas condições de uso, deve satisfazer as exigências a quem se destina (usuário)”.

A referência técnica obrigatória é a ABNT NBR 15.575:2013 (Norma de Desempenho de Edificações Habitacionais – 6 partes). Quando não se alcançam os requisitos de desempenho, ocorre uma falha no sistema construtivo. Logo, surgem problemas e geram-se patologias devido a uma série de conceitos associados: durabilidade, vida útil e manutenção.

A regulação dos direitos e deveres baseia-se nas Normas ABNT (especialmente a NBR 15.575:2013) e na legislação vigente (Código Civil e Código de Defesa do Consumidor).

Durabilidade e Vida Útil

Durabilidade: “Capacidade de um produto manter seu desempenho acima de níveis aceitáveis estabelecidos em projeto, sob condições previstas de uso e com manutenção (preventiva e/ou corretiva), durante um período de tempo que é a sua vida útil”.

A durabilidade está associada:

  • À durabilidade dos materiais e componentes;
  • Ao uso e ao entorno;
  • Às ações de manutenção.

Vida Útil: “Período de tempo durante o qual a construção ou suas partes mantêm o desempenho esperado, quando submetidas apenas aos serviços normais de manutenção”. A vida útil pode não se encerrar quando o nível mínimo de desempenho é atingido, sendo possível uma intervenção técnica de restauração (campo da patologia).

Gestão da Manutenção

Manutenção: Compreende todas as atividades realizadas nos componentes, elementos e equipamentos de uma construção, com o objetivo de manter seu desempenho funcional dentro de níveis aceitáveis a um custo compensador. É o conjunto de atividades para conservar ou recuperar a capacidade funcional da edificação.

Tipos de Intervenção

  • Conservação: Relacionada a atividades rotineiras (limpeza e operação) para criar condições adequadas de uso. Exemplo: lubrificação de engrenagens de elevadores.
  • Reparação: Atividades preventivas ou corretivas realizadas antes que o desempenho atinja o nível mínimo aceitável. Exemplo: substituição de uma botoeira de elevador com LED queimado.
  • Restauração: Atividades corretivas realizadas após o desempenho atingir níveis inferiores ao mínimo aceitável. Exemplo: troca de um cabo de elevador rompido.
  • Modernização: Atividades que visam elevar o desempenho acima do nível inicialmente construído. Exemplo: instalação do sistema DAFEE (Dispositivo Automático de Funcionamento dos Elevadores com Força de Emergência).

Manifestações Patológicas: Ciência e Estatística

Uma manifestação patológica é a expressão resultante de um mecanismo de degradação. A patologia é a ciência que explica o mecanismo, a natureza e a causa dessa ocorrência. É um termo mais amplo, pois estuda tudo o que se relaciona com a degradação das construções.

Principais Responsáveis e Prazos

  • Responsabilidade: Construtoras (50% direta e 35% indiretamente), Projetistas (46%), Empreendedores (18%) e Fabricantes (13%).
  • Cronograma de Ocorrência: 5% durante a obra; 22% no primeiro ano; 59% até o quarto ano.
  • Custos: Em média 2,5% do valor da obra, podendo atingir casos extremos de 730%.

Localização e Tipos de Problemas

  • Manifestações: Revestimento exterior (22%), Estrutura (18%) e Fachadas (15%).
  • Falhas de Desempenho: Estanqueidade (27%), Insegurança ao uso (23%), Falta de estabilidade (22%) e Defeito de equipamentos (19%).
  • Origem da Disfunção: Projeto (40%), Execução (28%), Materiais (18%), Uso (10%) e Planejamento (4%).

Análise das Falhas por Etapa

Fase de Projeto

As falhas ocorrem por falta ou excesso de informação, falta de compatibilidade geométrica e falta de coordenação entre projetos. Os erros mais comuns incluem:

  • Falta de detalhes e erros de dimensionamento;
  • Não consideração de efeitos térmicos e sobrecargas não previstas;
  • Especificação deficiente de concreto e cobrimento;
  • Divergência entre projetos complementares.

Fase de Execução

Envolve a aquisição de materiais, procedimentos de execução, treinamento de mão de obra e controle de qualidade. Erros comuns:

  • Erro de interpretação de projetos e falta de controle tecnológico;
  • Falta de limpeza, estanqueidade ou saturação das formas;
  • Armadura mal posicionada e falta de espaçadores;
  • Adição indevida de água no concreto e falta de fiscalização.

Materiais e Manutenção

  • Características Intrínsecas: Comportamentos indesejáveis dos materiais que exigem substituição.
  • Falhas de Manutenção: Falta de programas preventivos, sobrecargas não previstas, danos por impactos, carbonatação, corrosão e erosão por abrasão.

Planejamento e Gestão

Erros comuns incluem atrasos de cronograma, compras baseadas apenas no menor preço, perda de materiais no transporte e programas de treinamento inadequados.

Diagnóstico e Sintomas

Como Detectar Problemas Patológicos

  1. Vistoria local e determinação da gravidade;
  2. Caracterização do objeto e comparação com o desempenho esperado;
  3. Definição de medidas de segurança;
  4. Exames complementares e ensaios (laboratoriais, destrutivos ou não).

Principais Sintomas

  • Fissuras ou trincas em estruturas e alvenarias;
  • Esmagamento, desagregação ou ruptura do concreto;
  • Carbonatação e corrosão de armaduras;
  • Percolação de água, manchas, bolores e descolamento de revestimentos.

Conclusão: Problemas patológicos > Levantamento de subsídios > Diagnóstico > Definição de conduta.

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