Guia de Patologias Orais: Cárie, Pulpite, Cistos e Neoplasias

Classificado em Medicina e Ciências da Saúde

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Cárie e Inflamação Pulpar

Cárie de Esmalte

É a cárie dentária inicial que afeta o esmalte. A desmineralização do esmalte ocorre e a lesão pode ser clinicamente ou radiograficamente detectável.

  • Etiologia: Infecção bacteriana.
  • Localização: Esmalte da coroa dentária.
  • Características Clínicas: Mancha escura na superfície lisa ou estrias escuras na superfície oclusal.
  • Achados Radiográficos: Área radiolúcida no esmalte oclusal ou interproximal.
  • Microscopia: Acentuação das linhas de Retzius e/ou desarranjo das estrias de esmalte.
  • Complicações: Extensão da infecção para a dentina subjacente.
  • Tratamento: Remoção e reposição do esmalte doente.
  • Prognóstico: Perda tecidual; continuação do processo caso as estruturas circunvizinhas não sejam removidas.
  • Patogênese: Destruição do esmalte por bactérias produtoras de ácido.

Cárie de Dentina

Infecção da dentina por bactérias da placa produtoras de ácido. Usualmente, origina-se da extensão da cárie de esmalte. A invasão bacteriana dos túbulos dentinários causa destruição do tecido calcificado intertubular. A dentina infectada invariavelmente causa infecção da polpa dental.

  • Etiologia: Infecção bacteriana.
  • Localização: Dentina da coroa dental.
  • Características Clínicas: A coroa do dente apresenta-se acinzentada; o explorador penetrará o esmalte e a dentina subjacente.
  • Achados Radiográficos: Área radiolúcida na dentina.
  • Microscopia: Bactérias nos túbulos dentinários; dilatações e fendas dos túbulos dentinários.
  • Complicações: Infecção bacteriana da polpa dental e dos tecidos periapicais.
  • Tratamento: Remoção e reposição da dentina cariada.
  • Prognóstico: Invariavelmente causa infecção da polpa dental.
  • Patogênese: Penetração dos túbulos dentinários por bactérias produtoras de ácido.

Pulpite Aguda

Condição frequente que afeta um dente, acompanhada por dor severa e implacável. A inflamação aguda invariavelmente causa a morte pulpar, requerendo sua extirpação.

  • Etiologia: Irritação bacteriana, química ou física.
  • Localização: Polpa de dentes cariados ou restaurados.
  • Características Clínicas: Dor severa que pode ser exacerbada pelo calor e aliviada com o frio.
  • Achados Radiográficos: Não há achados radiográficos específicos.

Cistos e Neoplasias Odontogênicas

Cisto Radicular

É uma condição relativamente comum, na qual células epiteliais de restos de Malassez, incluídas em áreas de periodontite apical crônica, são estimuladas a proliferar com a formação de uma cavidade central. A remoção da causa e a remoção cirúrgica curarão a lesão.

  • Etiologia: Dentes desvitalizados.
  • Localização: Ambos os maxilares, ápice de dentes desvitalizados.
  • Achados Clínicos: Usualmente nenhum; eventualmente, aumento de volume.
  • Microscopia: Cavidade patológica circundada por cápsula fibrosa com inflamação crônica, revestida internamente por epitélio estratificado escamoso.
  • Achados Radiográficos: Radiolucência periapical.
  • Complicações: Usualmente nenhuma; quando grande, pode produzir expansão óssea.
  • Tratamento: Remoção da causa e excisão da lesão.

Cisto Dentígero

É um cisto dos maxilares bastante comum, caracterizado por radiolucência circunscrevendo a coroa de um dente não erupcionado, incluso ou impactado; a excisão cirúrgica leva à cura.

  • Etiologia: Epitélio odontogênico.
  • Localização: Ambos os maxilares.
  • Achados Clínicos: Nenhum; em grandes lesões pode haver expansão.
  • Achados Radiográficos: Lesão radiolúcida em volta da coroa de um dente não erupcionado.
  • Microscopia: Cavidade, cápsula fibrosa e revestimento epitelial.
  • Complicações: Recorrência eventual; desenvolvimento de ameloblastoma.
  • Tratamento: Remoção cirúrgica.

Queratocisto Odontogênico (TOC)

É uma neoplasia odontogênica dos maxilares com aspecto cístico, revestida por epitélio queratinizado, caracterizada por radiolucência associada ou não a dente não erupcionado. Este tumor pode ser difícil de ser removido cirurgicamente por causa das estruturas císticas secundárias e, portanto, pode recidivar.

  • Etiologia: Epitélio odontogênico.
  • Localização: Ambos os maxilares.
  • Achados Clínicos: Podem apresentar expansão óssea em grandes lesões.
  • Complicações: Pode apresentar dificuldade na remoção; pode haver recorrência.
  • Tratamento: Excisão cirúrgica.

Odontoma

É uma neoplasia benigna odontogênica relativamente comum, produzindo todos os tecidos dentais e aparecendo como uma lesão predominantemente radiopaca bem demarcada em locais que têm relação com dentes. A excisão cirúrgica curará esta lesão.

  • Localização: Ambos os maxilares; mais comum na maxila.
  • Características Clínicas: Usualmente nenhuma; pode interromper a erupção de algum dente.
  • Achados Radiográficos: Múltiplas pequenas radiopacidades, algumas das quais podem lembrar pequenos dentes.
  • Microscopia: Coleções de todos os tecidos dentais duros e moles.
  • Tratamento: Excisão cirúrgica.
  • Prognóstico: Completa excisão curará esta lesão.
  • Patogênese: Ativação do desenvolvimento dos tecidos dentais.

Ameloblastoma

É uma neoplasia odontogênica benigna dos maxilares, aparecendo como radiolucência unilocular ou multilocular. Por causa do seu padrão de crescimento localmente infiltrativo, essa neoplasia pode ser difícil de ser erradicada.

  • Origem: Epitélio odontogênico.
  • Localização: A região posterior da mandíbula é a localização mais comum.
  • Características Clínicas: Grandes lesões podem causar expansão dos maxilares; entretanto, usualmente não apresentam características clínicas.
  • Achados Radiográficos: Radiolucência multilocular; pequenas lesões podem ser uniloculares.
  • Microscopia: Proliferação de células epiteliais odontogênicas cúbicas ou colunares que se dispõem em padrões variáveis (folicular ou plexiforme), em forma de ilhotas, cordões em um estroma conjuntivo, lembrando o retículo estrelado do “órgão do esmalte”.
  • Complicações: Recorrência é comum; essas lesões são difíceis de serem erradicadas.
  • Tratamento: Excisão cirúrgica ampla.
  • Prognóstico: Cura com remoção completa; grandes lesões podem recorrer.

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