Guia de Patologias Pediátricas: Diagnóstico e Condutas

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  • Hérnia Diafragmática Congênita: Defeito congênito por formação incompleta do diafragma. Quadro clínico: dificuldade respiratória progressiva; ausculta cardíaca mais audível à direita; abdome escavado; peristalse em hemitórax esquerdo. Diagnóstico: US, RX de tórax e abdome. Anomalias associadas: cardíacas (63%), geniturinárias (23%), gastrointestinais (17%). Tratamento: IOT, SNG, hidratação venosa, ventilação mecânica, ECMO e cirurgia.
  • Atresia de Esôfago: Quadro clínico: salivação espumosa; tosse, cianose e dispneia após tentativa de alimentação. Anomalias associadas: cardíacas, urinárias, gastrointestinais e esqueléticas. Complicações: pneumonia. Tratamento: jejum; cabeceira elevada; aspiração contínua ou intermitente do coto; hidratação EV; antibióticos; IOT e cirurgia.
  • Obstrução Duodenal (Mecônio): Quadro clínico: polidrâmnio; aspiração gástrica superior a 20ml ao nascer; vômitos biliosos nas primeiras 24h de vida; sinal de dupla bolha. Causas: atresia duodenal, má rotação intestinal, membrana duodenal e pâncreas anular. Tratamento: dieta zero, sonda orogástrica, hidratação IV e cirurgia.
  • Doença de Hirschsprung: Etiologia: ausência congênita de células ganglionares intramurais (Auerbach, Meissner e Henle). Diagnóstico: biópsia por sucção, RX e manometria retal. Complicações: enterocolite necrotizante. Tratamento: cirúrgico.
  • Ausência de Diurese: Causada por obstrução (fimose, válvula de uretra posterior) e bexiga neurogênica (mielomeningocele). Prognóstico: incontinência fecal, bexiga neurogênica e hidrocefalia. Profilaxia: ácido fólico e não associar drogas como o ácido valproico.
  • Defeitos de Formação da Parede Abdominal: Onfalocele e gastrosquise (requerem cuidado com infecção, desidratação e hipotermia). Associações: cardiopatia congênita, hérnia diafragmática, atresia abdominal, meningoceles, trissomias e microcefalias.
  • Estenose Hipertrófica do Piloro: Hipertrofia muscular circular do piloro impedindo o fluxo. Epidemiologia: mais comum em homens (4:1) e primogênitos; pode estar associada ao uso de macrolídeos no recém-nascido. Quadro clínico: vômito em jato não bilioso (30-60 min após a alimentação); a criança permanece com fome; em 5% dos casos ocorre icterícia. Exame Físico: inspeção (ondas de peristalse gástrica) e palpação (oliva pilórica). Diagnóstico: US, RX, perfil eletrolítico (hipocloremia, hipopotassemia) e gasometria arterial (alcalose metabólica). Diagnóstico Diferencial: DRGE, membrana duodenal, pâncreas anular, atresia pilórica e atresia duodenal.
  • Hérnia Inguinal: Quadro clínico: choro contínuo, vômitos, dor e tumoração fixa na região escrotal. Diagnóstico Diferencial: adenite inguinal. Tratamento: clínico pré-operatório (sedação, antiespasmódico, manobra de Trendelenburg para redução da hérnia) e cirurgia definitiva.
  • Invaginação Intestinal: Mais frequente no 2º trimestre de vida; geralmente ileocecocólica. Quadro clínico: lactente eutrófico, dor de início súbito, eliminação de fezes muco-sanguinolentas (geleia de framboesa) e sangue ao toque retal. Diagnóstico: US e RX contrastado. Diferencial: gastroenterite, apendicite e cólica abdominal. Tratamento: redução hidrostática, redução pneumática ou cirurgia.
  • Torção de Testículos: Emergência médica (tratar em até 2 horas); após 6 horas os danos podem ser irreversíveis. Quadro clínico: dor súbita, edema, vermelhidão, náuseas e vômitos. Diferencial: torção do apêndice testicular, epididimite, orquite e hérnia inguino-escrotal encarcerada. Tratamento: cirúrgico.
  • Apendicite: Causa mais comum de cirurgia em crianças (10-12 anos). Quadro clínico: náuseas, vômitos, febre, anorexia e dor abdominal (periumbilical que migra para o QID). Diagnóstico: exame físico com hipertonia muscular e hiperestesia no ponto de McBurney; hemograma completo, EAS, RX de abdome e tórax. Diferencial: pancreatite aguda, diverticulite, pneumonia lobar direita, anexite aguda e torção de testículo. Tratamento: sonda nasogástrica, hidratação IV, antibioticoterapia (Metronidazol, Gentamicina, Ampicilina) e cirurgia.
  • AIDS Pediátrica: Diagnóstico: anti-HIV (ELISA, imunofluorescência, Western Blot após 18 meses); pesquisa de vírus (cultura ou PCR após 6 semanas). Marcadores: carga viral e CD4. Tratamento: AZT para suprimir replicação viral e proteger o sistema imune. Profilaxia P. carinii: sulfametoxazol-trimetoprima. Imunização: BCG e HB ao nascer; Pólio (Salk); DPT; Varicela; Tríplice Viral (contraindicada em imunossuprimidos graves).
  • Febre Reumática (FR): Critérios de Jones: Maiores (artrite, cardite, coreia de Sydenham, nódulos subcutâneos, eritema marginado); Menores (artralgia, febre, aumento do intervalo PR, aumento de VHS/PCR e leucocitose). Evidência Estreptocócica: cultura, ASO ou anti-DNAse. Tratamento: penicilina benzatina, AAS (artrite) e prednisona (cardite).
  • Meningite: Agentes por idade: Neonatos (Streptococcus B, Gram-negativos, Listeria); 3m-5a (Haemophilus B, Neisseria meningitidis, S. pneumoniae). Quadro clínico: lactentes (irritabilidade, abaulamento de fontanela); crianças (cefaléia, rigidez de nuca, sinais de Brudzinski e Kernig). Líquor: análise de leucócitos, glicose (reduzida na bacteriana < 60%) e proteínas (elevadas na bacteriana > 1000 mg/dl). Tratamento: antibioticoterapia empírica conforme a faixa etária (Ampicilina, Cefotaxima, Ceftriaxona) e dexametasona para prevenção de sequelas.

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