Guia pediátrico: Tosse, Cansaço, Sopros, Dores e Cianose

Classificado em Medicina e Ciências da Saúde

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Aula: Tosse

Sinusite

  • Sintomas: quadro clínico pouco específico; tosse principalmente ao deitar; rinorreia.
  • Conduta: em menores de 10 dias não pedir Rx inicialmente; iniciar amoxicilina (sem clavulanato). Se não houver melhora, solicitar exames complementares e Rx (fronto e mesonaso).

Asma

  • Sintomas: tosse predominante à madrugada e ao rir; piora com exposição a cigarro. Ao exame: tiragem intercostal e tempo expiratório prolongado.
  • Conduta:
    • Nebulização (NBZ) inicialmente + O2 conforme necessidade.
    • Beta-2 agonista + soro fisiológico (dose conforme protocolo local).
    • Se saturação (SpO2) <94%, não liberar para casa.
    • Corticosteroide inalatório: usar conforme quadro; via oral ou EV quando indicado.
    • Não há necessidade rotineira de hemograma nem de Rx se, após tratamento e nebulização, a ausculta estiver claramente resolvida; se houver crepitações persistentes, realizar radiografia (sinais de hiperinsuflação, rebaixamento do diafragma e aumento dos arcos costais acima do diafragma).

Pneumonia com derrame

  • Sintomas: tosse produtiva fatigante, secreção úmida.
  • Conduta:
    • Oxigênio e nebulização (NBZ) conforme necessidade.
    • Realizar Rx de tórax (projeção de Laurell se houver dúvida sobre derrame).
    • Drenar conforme quantidade de líquido.
    • Se houver derrame, tratamento com penicilina cristalina EV por, no mínimo, 14 dias.

Tuberculose

  • Sintomas: tosse arrastada com pequena quantidade de secreção.
  • Conduta:
    • Solicitar radiografia e PPD (reação de Mantoux, medir transversalmente conforme técnica).
    • Em crianças é raro obter escarro para BAAR; investigar conforme protocolo pediátrico.
    • BCG: vacinar até 2 anos quando não houver imunidade pré-estabelecida.

Outras causas

  • Tosse irritativa: o padrão-ouro investigacional é a broncoscopia; programas de saúde pública frequentemente indicam Rx em expiração. Fenômeno: ar entra mais do que sai (efeito de báscula).
  • Tosse desde o nascimento, sem ganho de peso, cansa nas mamadas: quadro respiratório secundário à insuficiência cardíaca congestiva (ICC); taquicardia, diminuição do enchimento, congestão pulmonar. Encaminhar diretamente para CII; observar taquisupra no ECG.

Aula: Cansaço

Cardiopatia congênita (CIV, estenose de valva aórtica bicúspide)

  • Sintomas: cansaço desde o nascimento e sinais cardiovasculares ao exame físico.
  • Conduta: radiografia de tórax para avaliar congestão pulmonar e cardiomegalia.

Pneumonia com derrame pericárdico (lembrar BK se curso mais arrastado)

  • Sintomas: cansaço, tosse produtiva, febre e alterações cardiopulmonares.
  • Conduta:
    • Oxacilina com amicacina (cobertura para Staphylococcus) e internação.
    • Colher hemocultura, hemograma, Rx de tórax e ecocardiograma.
    • Drenar derrame pericárdico e repetir ecocardiograma.
    • Complicação a longo prazo: pericardite constritiva.

Bronquiolite viral aguda

  • Sintomas: cansaço, tosse seca, sem alterações cardiovasculares.
  • Conduta:
    • Rx de tórax (retificação dos arcos costais, aumento do espaço intercostal e hiperinsuflação) e hemograma conforme necessidade.
    • Nebulização com beta-2 agonista + O2 conforme protocolo.
    • Considerar corticosteroide se houver história ou indicação clínica; se dispneico, não liberar para casa.

Miocardite viral aguda

  • Sintomas: acorda à noite tossindo, melhor ao dormir com dois travesseiros; sopro e sinais de ICC.
  • Conduta: solicitar Rx e ecocardiograma; tratar com diurético, inotrópicos positivos se necessário, repouso e restrição hídrica. Evolução pode ser com cura.

Aula: Sopros

  • Causas: sopro inocente; cardiopatias congênitas (sopram alguns dias após nascimento, sopro intenso); adquiridas (cardite reumática — quando há ICC e lesão valvar grave o sopro é muito audível); endocardite.
  • Se ecocardiograma normal, considera-se sopro inocente.
  • Tetralogia de Fallot: confirmar por ecocardiograma; conduta inicial com prostaglandina EV e cirurgia paliativa conforme indicação.

Aula: Dores nos membros

Febre reumática aguda

  • Sintomas: inflamação articular (ex.: joelho), dor nas articulações, febre.
  • Exames: PAI, ECG, ecocardiograma (acompanha insuficiência valvar), ASLO.

Neoplasia

  • Sintomas: osteossarcoma mais comum próximo ao joelho; tumor de Ewing na região da cintura pélvica.
  • Exames: radiografia, cintilografia e biópsia.

Artrite idiopática juvenil

  • Sintomas: aumento de volume e dor articular, febre intermitente, dor matinal, rash eritematoso e evidência de derrame articular.
  • Exames: hemograma, PAI, fator reumatoide (FR), FAN, complemento; não melhora apenas com AAS.

Osteomielite crônica

  • Sintomas: frequentemente relacionada a trauma.
  • Exames: Rx (descolamento do periósteo) e ressonância magnética (fase aguda melhor visualizada por RM).

Sinovite transitória do quadril

  • Sintomas: claudicação, frequentemente sem queixa clara de dor; diagnóstico diferencial inclui artrite séptica, que costuma levar a derrame articular com febre.
  • Conduta: uso de AINEs e acompanhamento clínico.

Artrite séptica do quadril

  • Sintomas: recusa em mover o membro afetado.
  • Exames: hemograma, VHS, Rx de quadril, ultrassonografia e punção articular para análise.

Dor de crescimento / Hipermobilidade

  • Sintomas: dor noturna que cede com massagem; às vezes relacionada a exercício.

Anemia falciforme com crise vaso-oclusiva

  • Sintomas: dor e edema nas mãos (dactilite), febre, recusa em apoiar o pé no chão, edema, esplenomegalia, palidez (hipocromia).

Aula: Cianose

Somente cianose

  • Situação: recém-nascido com cianose generalizada próxima ao nascimento.
  • Conduta: monitorar com oximetria de pulso, solicitar gasometria (avaliar acidose metabólica) e Rx de tórax; considerar uso de prostaglandina quando indicado.

Cianose com comprometimento pulmonar

  • Conduta: oxigenioterapia, acesso venoso, Rx de tórax para avaliar derrame; drenar quando indicado.
  • Antibiótico: penicilina cristalina EV ou amoxicilina + clavulanato EV conforme gravidade e hipótese clínica.

Refluxo gastroesofágico

  • Conduta: orientar medidas alimentares e posturais para refluxo; medicamentos citados no registro original: ranitidina + domperidona (ver protocolos locais).

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