Guia Prático de Farmacologia Clínica e Terapêutica

Classificado em Medicina e Ciências da Saúde

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Asma

Inflamação crônica da via aérea com predomínio de IgE e eosinófilos; broncoespasmo reversível; aumento de hiper-reatividade brônquica.

Objetivo: reduzir broncoconstrição, reduzir inflamação, prevenir exacerbações.

Fármacos

  • Beta2-agonistas:
    • Curta ação (SABA): Salbutamol. Ação rápida (minutos), duração 4-6h. Relaxa músculo liso por aumento de AMPc. Uso: crise aguda.
    • Longa ação (LABA): Salmeterol (início lento), Formoterol (início rápido). Duração +/- 12h. Associado a corticoide inalatório. LABA isolado aumenta risco de exacerbação grave.
  • Corticoides Inalatórios (ICS): Budesonida, beclometasona, fluticasona. Reduzem síntese de citocinas (IL-4, IL-5, IL-13). Diminuem hiper-reatividade e edema. Uso: tratamento preventivo. EA: candidíase oral (prevenção: enxaguar a boca).
  • Antimuscarínicos: Ipratrópio (curta), Tiotrópio (longa). Bloqueia receptores M3 → broncodilatação. Menos potente na asma do que na DPOC. Uso: associação em exacerbação.
  • Biológicos: Omalizumabe (liga IgE), Mepolizumabe (bloqueia IL-5). Uso: asma grave com padrão alérgico ou eosinofílico.

DPOC

Inflamação neutrofílica crônica. Limitação fixa do fluxo aéreo. Perda de elasticidade e destruição de septos alveolares (enfisema).

Tratamento Farmacológico

  • Antimuscarínicos de longa ação (LAMA): Tiotrópio (fármaco central da DPOC; reduz hiperinsuflação e melhora dispneia).
  • Beta2-agonistas de longa ação (LABA): Formoterol, indacaterol (associados a LAMA em pacientes sintomáticos).
  • Corticoides inalatórios: Indicados apenas em pacientes com muitas exacerbações. Limitação: risco de pneumonia.
  • Inibidor de PDE4: Roflumilaste (reduz inflamação neutrofílica; indicado em DPOC grave com bronquite crônica).

Inibidores da Acidez Gástrica

  • IBPs (Inibidores de bomba de prótons): Omeprazol, pantoprazol, esomeprazol. Mecanismo: bloqueio irreversível da H+/K+-ATPase da célula parietal. Efeitos: bloqueio quase total da secreção ácida; melhora mais potente do que antagonistas H2. Uso: úlcera péptica, DRGE. EA: hipomagnesemia (uso prolongado), risco aumentado de infecções gastrointestinais. Limitação: início de ação mais lento.
  • Antagonistas H2: Famotidina, ranitidina. Mecanismo: bloqueio de receptores H2 → redução do estímulo para liberação de ácido. EA: confusão em idosos (especialmente cimetidina).
  • Antiácidos: Hidróxidos de alumínio, magnésio e cálcio. Neutralizam o ácido diretamente. Alívio imediato. Efeitos: magnésio (diarreia), alumínio (constipação).

Antieméticos, Laxantes e Antidiarreicos

Antieméticos

  • Antagonistas 5-HT3: Ondansetrona (atuam na zona gatilho e TGI; uso: vômito por quimioterapia, pós-operatório).
  • Antagonistas D2: Metoclopramida (ação antiemética e pró-cinética; risco: sintomas extrapiramidais em doses altas).
  • Antagonistas H1/M1: Dimenidrinato (úteis em cinetose).
  • Antagonistas NK1: Aprepitanto (eficaz em vômito tardio por quimioterapia).

Laxantes

Osmóticos (lactulose: aumenta retenção de água nas fezes), formadores de bolo (psyllium: primeira escolha para constipação crônica), estimulantes (bisacodil, senna: estimulam peristaltismo). Limitação: uso excessivo pode causar dependência funcional.

Antidiarreicos

Loperamida (agonista periférico de receptores mu; reduz motilidade e secreção), solução de hidratação oral, bismuto (ação leve antimicrobiana e anti-inflamatória).

Analgésicos de Ação Central: Opioides

Morfina, tramadol, codeína, fentanil. Mecanismo: agem em receptores μ; aumentam saída de K+ e reduzem entrada de Ca2+; reduzem liberação de substâncias pró-nociceptivas. EA: depressão respiratória, constipação, miose, dependência.

Dor Neuropática

Não responde bem a opioides. Fármacos de escolha: gabapentina, pregabalina, amitriptilina (em baixas doses). Mecanismo: diminui liberação de glutamato.

Ansiolíticos e Hipnóticos

  • Benzodiazepínicos: Clonazepam, diazepam, alprazolam. Mecanismo: aumentam frequência de abertura do GABA-A e potenciam inibição neuronal. Uso: crises agudas de ansiedade, insônia de curto prazo, crises convulsivas. Riscos: dependência, sedação, prejuízo cognitivo, tolerância.
  • Hipnóticos não benzo: Zolpidem. Atua em subunidade alfa-1 do GABA-A. Menos efeitos ansiolíticos, mais efeitos indutores do sono.
  • Buspirona: Agonista parcial 5-HT1A. Sem dependência. Limitação: início de ação lento (semanas).

Antidepressivos

  • ISRS: Sertralina, fluoxetina, escitalopram. Inibem seletivamente recaptação de serotonina. EA: náusea, disfunção sexual.
  • IRSN: Venlafaxina, duloxetina. Bloqueiam recaptação de 5-HT e NA. Uso: depressão, ansiedade, dor neuropática.
  • Tricíclicos: Amitriptilina, nortriptilina. Inibem recaptação de NA e 5-HT. Bastante anticolinérgicos. Risco: toxicidade cardíaca em overdose.
  • IMAOs: Fenelzina, tranilcipromina. Inibem monoamina oxidase → aumentam serotonina, NA e dopamina. Limitação: interação grave com tiramina.

Anticonvulsivantes

  • Bloqueadores de canais de sódio: Fenitoína, carbamazepina, lamotrigina. Efeito: estabilizam membrana e aumentam limiar de disparo.
  • Aumentam ação do GABA: Ácido valproico e benzodiazepínicos. Uso amplo em crises parciais e generalizadas.
  • Modulam canais de cálcio T: Etossuximida. Indicação: crise de ausência.
  • Modulação sináptica: Levetiracetam. Mecanismo: ligação à proteína SV2A, reduzindo liberação neurotransmissora.

Efeitos Adversos

Fenitoína: hiperplasia gengival, ataxia. Ácido valproico: hepatotoxicidade. Carbamazepina: risco de agranulocitose.

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